Feliz Natal e um próspero Ano Novo!

Entra ano, sai ano, sempre ouço a mesma coisa, ou seja, de que o ano que chega será melhor que o outro.

Valdemir Caldas
Publicada em 05 de dezembro de 2017 às 10:56

Aproximam-se as festas de Natal e Ano Novo. As decorações nas fachadas dos prédios são cada vez mais evidentes. Muitos já começaram a adornar suas árvores de natal. Outros, porém, nem sequer compraram os enfeites. Nessa época do ano, alguns até mudam a pintura de suas casas.

Entra ano, sai ano, sempre ouço a mesma coisa, ou seja, de que o ano que chega será melhor que o outro. Será um ano de bonança, de fartura material, garantem os mais otimistas, mas poucos são os que realmente se preocupam com o lado espiritual. Agem com os doutores da lei e os fariseus. Limpam o exterior do copo e do prato, mas não limpam o seu interior. Enchem a boca para falar de amor, de compaixão, de caridade, mas são incapazes de estender a mão para ajudar o próximo.

No campo político, os escândalos se sucedem. Os que deveriam dar exemplo são os primeiros a caírem em desgraça. Quando se imagina que a situação vai melhor, o que se vê é tudo perverter-se. O amor ao dinheiro continua no sangue de muitos parlamentares e autoridades públicas, mas há os que se não deixam macular pelo vil metal, nem trocam sua dignidade por um prato de lentilha. Entretanto, esse número é tão insignificante que se dilui na imensidão dos que poluem a seara politica com suas indesejáveis presenças. Às vezes, chego a pensar que não há um jeito de consertar esse estado de coisas deploráveis. Parece algo insolúvel.

Até quando os corruptos vão continuar vencendo a luta contra a honestidade, impedindo a boa vontade dos que procuram arrumar o que está errado? Diariamente, somos extorquidos por uma infinidade de impostos, taxas e contribuições, dinheiro esse que deveria ser aplicado na melhoria dos serviços públicos prestados à população, mas que acaba ganhando os bolsos de ratazanas gulosas, donos de fabulosas fortunas, amealhadas a custa do sofrimento e até da morte de muitos brasileiros.

São uns sem-vergonha, despudorados, sem brios, cínicos e delinquentes de luxo, que enchem a boca para condenar a corrupção, mas são os primeiros da fila na hora de ratear o butim. Roubam o dinheiro público com a convicção de que jamais serão alcançados pelas garras da justiça e, quando isso acontece, normalmente, são premiados por leis que eles mesmos aprovaram para beneficiá-los. Uma vez fora das grades, os ditos injustiçados e perseguidos, retornam ao convívio social, desfrutando, em companhia de familiares e amigos, das mordomias conquistas e mantidas com a grana surrupiada do contribuinte, naturalmente, como se nada tivesse acontecido, para desespero e frustração das pessoas decentes.

Acostumaram a sair ilesos das denúncias de corrupção, muitas das quais sobejamente comprovadas. São ases na arte da malandragem, da falsidade, de enganar a consciência de incautos eleitores. Em público, juram pelo que há de mais sagrado que são inocentes, que jamais colocaram um dedo sequer de suas mãos sujas no erário. Mentem, descadaramente, confiantes no apoio incondicional da família, da classe ou segmento social ao qual pertencem e, principalmente, no esquecimento da maioria da população, que, por ingenuidade ou má-fé, insiste em mantê-los na crista da onda política, em troca de pequenos favores, como uma boquinha na administração pública.

Decore a sua árvore de Natal. Ornamente a fachada de seu prédio. Alguns adornos chamam atenção pela distribuição dos elementos, combinando luzes e cores. Se puder, mude a pintura de sua casa. Nada contra. Somos livres para fazer o que desejamos ou não. Mas, por favor, vamos renovar o nosso interior. Vamos reformar a face deformada da política brasileira. Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

Comentários

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    Francimar Aves de Oliveira 05/12/2017

    Parabéns Valdemir pela a matéria, tiro o meu chapéu para você, sábias palavras! Que Deus te ilumine com muito mais sabedoria irmão!!!

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