Líder comunitário que denunciava crimes ambientais é morto a tiros no Pará

Representante da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama), Nascimento era conhecido por denunciar crimes ambientais e agrários.

Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil*
Publicada em 13 de março de 2018 às 16:18
Líder comunitário que denunciava crimes ambientais é morto a tiros no Pará

O líder comunitário Paulo Sérgio Almeida Nascimento, de 47 anos, foi morto a tiros na madrugada ontem segunda-feira (12), na zona rural de Barcarena, na região metropolitana de Belém do Pará. Representante da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama), Nascimento era conhecido por denunciar crimes ambientais e agrários.

Tudo o que se sabe até o momento é que Nascimento foi baleado por um homem ainda não identificado poucas horas após chegar à sua casa, em uma área do distrito de Vila dos Cabanos ocupada por sem-terras. Segundo testemunhas, o líder comunitário foi alvejado por volta das 3h30, quando se levantou para ir ao banheiro, instalado fora da casa de madeira. O autor do crime fugiu pela mata.

O assassinato está sendo investigado pela Delegacia de Vila dos Cabanos, com o apoio da Divisão de Homicídios de Belém. Oito pessoas próximas a Nascimento devem prestar depoimento ainda hoje (13). Ontem, policiais que estiveram no local do crime conversaram com pessoas que viviam perto do líder comunitário ou o viram em suas últimas horas de vida para tentar remontar os passos da vítima e tentar descobrir o que ocorreu.

Há tempos, Nascimento e outros integrantes da Cainquiama questionavam as operações de empresas como a mineradora Hydro AluNorte, cujos resíduos tóxicos atingiram igarapés e rios da região no mês passado.

Em nota, o Ministério Público do Pará confirmou que, em janeiro deste ano, integrantes da associação comunitária denunciaram que estavam sendo ameaçados por policiais militares. Após a denúncia, a Promotoria de Justiça Militar solicitou à secretaria estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) que adotasse as providências necessárias para garantir a integridade e a segurança dos denunciantes.

O secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Luiz Fernandes Rocha, disse ontem (12) à noite que o pedido do promotor de Justiça Militar Armando Brasil envolvia disponibilizar proteção policial para algumas das lideranças comunitárias de Barcarena que afirmavam que suas residências tinham sido invadidas por policiais militares.

O secretário afirma ter respondido ao promotor que os pedidos de proteção a pessoas ameaçadas deviam ser encaminhados primeiramente à Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), responsável por encaminhá-los para a avaliação do Conselho do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do Estado. Ainda de acordo com Rocha, outro caminho seria o próprio Ministério Público estadual, que tem assento no conselho estadual, apresentar a denúncia à Secretaria de Justiça. Segundo Rocha, o pedido nunca chegou à Sejudh.

“Tomei conhecimento deste caso hoje [12] e vi que, apesar da resposta da Segup [para o MP] sobre o trâmite a ser seguido, não houve a condução do caso, o que será feito de imediato por nós, para que a Sejudh faça a análise e avalie se cabe a proteção [para outros membros da Cainquiama] e, em caso positivo, em qual programa será feito o ingresso dos envolvidos”, declarou o secretário a jornalistas após o assassinato de Nascimento.

A Corregedoria-Geral da Polícia Militar já instaurou Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as denúncias de que policiais militares teriam ameaçado e invadido as residências das lideranças comunitárias.

Em nota, a Hydro AluNorte informou que condena qualquer ação violenta e repudiou qualquer associação entre suas atividades e represálias aos moradores, comunidades e lideranças comunitárias.

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