42% dos brasileiros preferem inocente preso, diz pesquisa

Pesquisa nacional com cerca de 10 mil entrevistados identifica seis clusters de pensamento e revela tensões entre punição, empreendedorismo e expectativas sobre o papel do Estado no Brasil de hoje

Fonte: Painel Político/Foto: Photo by Matthew Ansley on Unsplash - Publicada em 29 de janeiro de 2026 às 09:47

42% dos brasileiros preferem inocente preso, diz pesquisa

Instituto Conhecimento Liberta (ICL), em parceria com a Ágora Consultores, anunciou o lançamento de uma pesquisa nacional inédita voltada a mapear o pensamento do brasileiro contemporâneo e oferecer subsídios analíticos para a leitura do país no contexto do próximo ciclo eleitoral.

De acordo com o comunicado institucional, o levantamento ouviu cerca de 10 mil pessoas a partir de 16 anos, em todas as regiões do Brasil, por meio de painel online. A metodologia adotada identifica seis grandes “clusters” de pensamento, indicando uma sociedade descrita como mais fragmentada do que simplesmente polarizada.

Justiça, punição e limites morais

Um dos eixos centrais da pesquisa aborda a percepção social sobre justiça e punição. Segundo os dados divulgados, 42% dos entrevistados afirmaram preferir punir todos os possíveis envolvidos em um crime, mesmo sabendo que um deles é inocente, a correr o risco de deixar os culpados impunes.

O estudo também explorou a disposição da população em relação à pena de morte. Nesse cenário, o apoio se inverte: a maioria dos brasileiros, 51%, declarou que não executaria ninguém para evitar o risco de um erro irreversível. Os organizadores destacam esse contraste como um indicativo das tensões entre desejo de rigor punitivo e preocupação com a irreversibilidade das decisões do Estado

Economia, trabalho e expectativas de futuro

No campo econômico e do trabalho, a pesquisa descreve uma convivência entre o desejo por autonomia e a busca por segurança. Segundo os dados apresentados, 43% dos brasileiros afirmaram sonhar em empreender, enquanto 31% priorizam a estabilidade no emprego e 11% a garantia de um bom salário. Apenas 6% declararam priorizar um trabalho que traga realização pessoal, mesmo que a remuneração seja baixa.

Para os pesquisadores, esses números sugerem um país que aspira maior controle sobre a própria trajetória profissional, mas que ainda valoriza fortemente a previsibilidade econômica em um cenário de incertezas

Percepção sobre políticas públicas e referências políticas

Outro ponto destacado no levantamento diz respeito à avaliação das propostas políticas. A maioria dos entrevistados indicou que a direita apresenta melhores propostas para áreas como saúde e educação — temas historicamente associados à esquerda no debate político brasileiro, conforme observam os responsáveis pelo estudo.

Essa mudança de percepção é interpretada como um possível sinal de reorganização das referências simbólicas e das expectativas da população em relação aos campos políticos tradicionais.

Leituras e reações institucionais

Para Eduardo Moreirafundador do Instituto Conhecimento Liberta, a pesquisa reforça a importância do acompanhamento sistemático da opinião pública. “A atualização constante de dados é essencial para compreender o país real, para além de impressões ou disputas retóricas”, afirmou em declaração divulgada pelo instituto.

Já Jessé Souzasociólogo e reitor do Instituto Conhecimento Liberta, avaliou que “os resultados evidenciam como a derrocada da esquerda tradicional se expressa em segmentos populares que hoje se mostram distantes de suas formulações históricas”.

Contexto e impactos

Especialistas em ciência política apontam que pesquisas desse tipo tendem a ganhar relevância em períodos pré-eleitorais, ao oferecerem indicadores sobre valores, expectativas e percepções da sociedade. No entanto, a interpretação dos dados depende da transparência metodológica e da comparação com outros levantamentos de institutos reconhecidos, como Datafolha e Ipec.

Até o momento, as informações disponíveis são aquelas divulgadas oficialmente pelo ICL e pela Ágora ConsultoresInformação insuficiente para verificar se haverá publicação integral do banco de dados ou auditoria externa da metodologia, pontos frequentemente considerados por analistas para validação ampla de pesquisas de opinião.

42% dos brasileiros preferem inocente preso, diz pesquisa

Pesquisa nacional com cerca de 10 mil entrevistados identifica seis clusters de pensamento e revela tensões entre punição, empreendedorismo e expectativas sobre o papel do Estado no Brasil de hoje

Painel Político/Foto: Photo by Matthew Ansley on Unsplash
Publicada em 29 de janeiro de 2026 às 09:47
42% dos brasileiros preferem inocente preso, diz pesquisa

Instituto Conhecimento Liberta (ICL), em parceria com a Ágora Consultores, anunciou o lançamento de uma pesquisa nacional inédita voltada a mapear o pensamento do brasileiro contemporâneo e oferecer subsídios analíticos para a leitura do país no contexto do próximo ciclo eleitoral.

De acordo com o comunicado institucional, o levantamento ouviu cerca de 10 mil pessoas a partir de 16 anos, em todas as regiões do Brasil, por meio de painel online. A metodologia adotada identifica seis grandes “clusters” de pensamento, indicando uma sociedade descrita como mais fragmentada do que simplesmente polarizada.

Justiça, punição e limites morais

Um dos eixos centrais da pesquisa aborda a percepção social sobre justiça e punição. Segundo os dados divulgados, 42% dos entrevistados afirmaram preferir punir todos os possíveis envolvidos em um crime, mesmo sabendo que um deles é inocente, a correr o risco de deixar os culpados impunes.

O estudo também explorou a disposição da população em relação à pena de morte. Nesse cenário, o apoio se inverte: a maioria dos brasileiros, 51%, declarou que não executaria ninguém para evitar o risco de um erro irreversível. Os organizadores destacam esse contraste como um indicativo das tensões entre desejo de rigor punitivo e preocupação com a irreversibilidade das decisões do Estado

Economia, trabalho e expectativas de futuro

No campo econômico e do trabalho, a pesquisa descreve uma convivência entre o desejo por autonomia e a busca por segurança. Segundo os dados apresentados, 43% dos brasileiros afirmaram sonhar em empreender, enquanto 31% priorizam a estabilidade no emprego e 11% a garantia de um bom salário. Apenas 6% declararam priorizar um trabalho que traga realização pessoal, mesmo que a remuneração seja baixa.

Para os pesquisadores, esses números sugerem um país que aspira maior controle sobre a própria trajetória profissional, mas que ainda valoriza fortemente a previsibilidade econômica em um cenário de incertezas

Percepção sobre políticas públicas e referências políticas

Outro ponto destacado no levantamento diz respeito à avaliação das propostas políticas. A maioria dos entrevistados indicou que a direita apresenta melhores propostas para áreas como saúde e educação — temas historicamente associados à esquerda no debate político brasileiro, conforme observam os responsáveis pelo estudo.

Essa mudança de percepção é interpretada como um possível sinal de reorganização das referências simbólicas e das expectativas da população em relação aos campos políticos tradicionais.

Leituras e reações institucionais

Para Eduardo Moreirafundador do Instituto Conhecimento Liberta, a pesquisa reforça a importância do acompanhamento sistemático da opinião pública. “A atualização constante de dados é essencial para compreender o país real, para além de impressões ou disputas retóricas”, afirmou em declaração divulgada pelo instituto.

Já Jessé Souzasociólogo e reitor do Instituto Conhecimento Liberta, avaliou que “os resultados evidenciam como a derrocada da esquerda tradicional se expressa em segmentos populares que hoje se mostram distantes de suas formulações históricas”.

Contexto e impactos

Especialistas em ciência política apontam que pesquisas desse tipo tendem a ganhar relevância em períodos pré-eleitorais, ao oferecerem indicadores sobre valores, expectativas e percepções da sociedade. No entanto, a interpretação dos dados depende da transparência metodológica e da comparação com outros levantamentos de institutos reconhecidos, como Datafolha e Ipec.

Até o momento, as informações disponíveis são aquelas divulgadas oficialmente pelo ICL e pela Ágora ConsultoresInformação insuficiente para verificar se haverá publicação integral do banco de dados ou auditoria externa da metodologia, pontos frequentemente considerados por analistas para validação ampla de pesquisas de opinião.

Comentários

    Seja o primeiro a comentar

Envie seu Comentário

 

Envie Comentários utilizando sua conta do Facebook