Alex Redano não explica o número descomunal de comissionados na Assembleia Legislativa de Rondônia
O dado revela mais que excesso administrativo. Revela um modelo político assentado no loteamento silencioso da máquina pública
OBSTRUÇÃO
A concessionária Nova 364 comete mais um abuso flagrante ao instalar um guard-rail fechando o acesso de uma estrada vicinal à rodovia 364. De forma ardilosa, tenta impedir que os colonos da linha no Candeias que utilizem um ramal essencial, violando o direito constitucional de ir e vir. Essa imposição absurda força os moradores a dar enormes voltas para acessar a rodovia, visando exclusivamente pagar o pedágio injustamente para escoar sua produção.
ABUSO
Tal prática não é apenas uma afronta à dignidade dos trabalhadores rurais, mas um claro abuso de poder e ganância desmedida da concessionária. Enquanto os casos de abuso se multiplicam, as autoridades permanecem omissas, permitindo que a ganância pela arrecadação siga voltando as costas para os direitos e o bem-estar da população local. É urgente que se ponha um limite a essa exploração descarada e se restabeleça o direito básico dos cidadãos de acessarem suas terras sem obstáculos abusivos. Nova 364 dar de ombros a uma bancada federal leniente com os abusos.
FARRA
O número de comissionados nos gabinetes na Assembleia Legislativa de Rondônia já não cabe mais nem no discurso moralista de ocasião, muito menos dentro do prédio. Segundo reportagem do ICL Notícias, cada deputado estadual rondoniense dispõe de impressionantes 93 assessores. Multiplique pelos 24 parlamentares e o resultado é um pequeno exército pendurado no erário, segundo a reportagem. Uma infantaria burocrática bancada pelo contribuinte num estado em que falta médico, remédio, leito e vergonha institucional.
LOTAÇÃO
Se um dia resolverem convocar simultaneamente todos os comissionados para expediente presencial, o prédio da Assembleia provavelmente experimentará aquilo que a Defesa Civil chama de colapso operacional. Não cabe. Simples assim. Os corredores virariam uma procissão de crachás, celulares e cafezinhos. Gente demais para espaço de menos. Assessores demais para explicação nenhuma.
PERDULÁRIO
A desproporção assusta porque Rondônia não é São Paulo, não é Minas Gerais, não é Rio Grande do Sul. É um estado com pouco mais de 1,5 milhão de habitantes, infraestrutura precária e uma saúde pública frequentemente de joelhos. Ainda assim, de acordo com o site ICL, sustenta uma das estruturas parlamentares mais inchadas do país. Um legislativo caro, capenga e perdulário.
INSTRUMENTALIZAÇÃO
O dado revela mais que excesso administrativo. Revela um modelo político assentado no loteamento silencioso da máquina pública. Os gabinetes deixaram há muito de funcionar apenas como suporte técnico parlamentar. Tornaram-se moedas de acomodação política, cabides multifuncionais e instrumentos eleitorais permanentes. Em muitos casos, a folha de pagamento parece funcionar como extensão da campanha.
SILÊNCIO
O mais eloquente talvez nem seja o número absurdo de assessores, mas o silêncio posterior. Instada pelo portal a explicar a estrutura descomunal, a Assembleia Legislativa respondeu com aquilo que a velha política domina como poucas instituições: silêncio sepulcral. Não houve justificativa plausível, argumento técnico ou demonstração objetiva de necessidade funcional. Apenas o vazio. E o vazio, em política, costuma ser confissão sem ata.
PRIVILÉGIOS
Enquanto isso, o cidadão peregrina entre corredores superlotados de UPAs, filas intermináveis e hospitais incapazes de absorver a demanda crescente. Falta tudo na saúde: profissionais, insumos, gestão, planejamento e dinheiro. Mas aparentemente sobra orçamento para manter gabinetes hipertrofiados.
RUPTURA
O problema não é apenas quantitativo. É moral. Porque em qualquer democracia minimamente saudável, estruturas públicas precisam guardar coerência com a realidade econômica e social da população que as sustenta. Quando o custo da política cresce numa velocidade muito superior à capacidade do estado de entregar serviços básicos, instala-se uma ruptura de legitimidade. O contribuinte deixa de enxergar representação e passa a enxergar parasitismo institucional.
EXPLICAÇÃO
No entanto, a pergunta permanece sem resposta: o que exatamente justifica 93 assessores por deputado estadual em Rondônia? Até agora, ninguém teve coragem de explicar. Ou talvez saibam que não existe explicação capaz de sobreviver. É verdade também que as últimas gestões não se envolveram em escândalos que mancharam o Poder Legislativo Estadual num passado recente, mas não pode ser pesado, perdulário e inchado. Há que haver um equilíbrio.
SURDINA
Na calada das distrações nacionais, a Câmara dos Deputados aprovou, em votação simbólica, mais uma minirreforma eleitoral. Dessas feitas sem barulho para não despertar o eleitor contribuinte que financia a festa. O texto afrouxa mecanismos de fiscalização, flexibiliza prestações de contas e amplia zonas cinzentas no uso dos recursos públicos despejados nos partidos. Em nome da “desburocratização”, cria-se um ambiente onde o dinheiro circula com menos rastreabilidade e mais conveniência política.
BLINDAGEM
A lógica é simples: campanhas cada vez mais caras, fundos bilionários e partidos interessados em reduzir o alcance da lupa da Justiça Eleitoral. Não por acaso, a aprovação ocorreu de forma simbólica, expediente perfeito para diluir responsabilidades e esconder digitais. A bancada federal de Rondônia, como quase todo o plenário, não ergueu barricadas contra a frouxidão. O discurso oficial fala em modernização; nos bastidores, o objetivo é blindagem.
DECRATIVA
O projeto agora segue para o Senado, onde o teste será saber se ainda existe algum resquício de compromisso com transparência ou se Brasília já decidiu transformar fiscalização eleitoral em mera peça decorativa.
MASTER
O bolsonarismo rondoniense talvez esteja vivendo, pela primeira vez desde 2018, algo próximo de um constrangimento político. Não chega a ser ainda uma debandada. Muito menos um colapso eleitoral. Mas já não se percebe nas trincheiras digitais da direita local o mesmo fervor messiânico de semanas atrás. O caso Master lançou sobre o PL uma névoa incômoda, dessas que não derrubam imediatamente um projeto de poder, mas tiram dele a pose de invencibilidade.
MENTIRA
A pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro entrou num terreno pantanoso após os diálogos envolvendo suas relações ainda nebulosas com Varcaro, apontado como um dos maiores operadores do submundo financeiro do país. O problema político não foi apenas o conteúdo das revelações. Foi a sequência de versões. Negou-se o recebimento de recursos do grupo Master para, depois, a realidade ir desmanchando o discurso aos poucos, como reboco velho em parede úmida.
ACUADOS
Em política, o eleitor até tolera escândalos; o que costuma corroer reputações é a sensação de mentira mal contada. A bolha bolsonarista de Rondônia, acostumada há anos a operar no ataque - sobretudo apontando os dedos para os pecados do lulismo - foi surpreendida na defensiva. E militância acuada perde agressividade.
BARRICADAS
Ainda há urros, claro. Ainda existem os grupos de WhatsApp funcionando como pequenas barricadas emocionais do conservadorismo amazônico. Mas já não se vê a mesma artilharia cerrada. O discurso perdeu espontaneidade. Tornou-se burocrático, repetitivo, protocolar.
SATISFAÇÃO
Nesse ambiente aparece o senador Marcos Rogério, talvez o rosto mais identificável do bolsonarismo em Rondônia. Nacionalmente, atua quase como um intérprete oficial da direita radicalizada. Defendeu Flávio Bolsonaro, mas sua defesa soou mais como obrigação partidária do que convicção combativa. Uma nota fiscal ideológica emitida para satisfazer a bolha.
RISCO
O problema de Marcos Rogério, contudo, não está dentro do eleitorado conservador. Este continua majoritário em Rondônia e segue inclinado a votar em candidatos alinhados à direita. O risco mora fora da bolha. Para vencer uma eleição estadual, não basta incendiar os convertidos. É preciso seduzir parcelas do centro político, setores pragmáticos, eleitores menos ideológicos e mais sensíveis à percepção de estabilidade, equilíbrio e credibilidade.
BOLHA
E é justamente nesse território que a fumaça do caso Master pode produzir estragos. Porque desta vez Marcos Rogério não atravessará a eleição sozinho no campo conservador. Adailton Fúria e Hildon Chaves surgem como adversários robustos. Ambos carregam um ativo raro na política brasileira contemporânea: boa avaliação administrativa em suas bases municipais. São gestores que conseguiram construir imagem de eficiência prática, algo que frequentemente vale mais que fidelidade ideológica pura.
CENÁRIO
Hildon representa uma direita mais técnica, menos estridente, capaz de dialogar com setores empresariais e urbanos sem recorrer permanentemente ao radicalismo emocional das redes sociais. Já Fúria encarna o gestor popular do interior, com forte apelo regional e discurso de ação administrativa. Nenhum dos dois depende exclusivamente do bolsonarismo raiz para sobreviver politicamente. É aí que o cenário complica para Marcos Rogério.
MIGRAÇÃO
Se o bolsonarismo nacional entra em desgaste moral ou narrativo, ainda que parcial, abre-se espaço para uma migração silenciosa de eleitores conservadores em direção a candidaturas de direita menos contaminadas pelos escândalos nacionais. O eleitor de direita pode continuar sendo de direita sem necessariamente desejar carregar junto todo o desgaste da família Bolsonaro.
DEFENSIVA
E campanhas estaduais possuem dinâmica própria. Quando começarem os debates, o caso Master dificilmente ficará restrito aos telejornais nacionais. Debate eleitoral é palco cruel para quem entra obrigado a explicar, justificar ou negar. Quem passa tempo demais se defendendo perde a oportunidade de propor. E o eleitor percebe fragilidades com rapidez quase instintiva.
CRÍTICA
Há ainda um componente comportamental que pesa sobre a trajetória eleitoral de Marcos Rogério e que volta lentamente ao centro das conversas políticas. Na eleição passada, foi muito criticado pela postura de autossuficiência política, como se não precisasse dialogar amplamente com outras forças. A impressão deixada em muitos setores foi a de arrogância. E foi.
ESCORREGO
Nos últimos meses, o senador pareceu compreender parcialmente esse desgaste. Fez movimentos de autocrítica, suavizou o tom, tentou reduzir a imagem professoral de quem frequentemente fala olhando o interlocutor de cima para baixo, como um examinador oral diante de alunos obrigados ao silêncio reverencial. Houve um esforço visível de humanização política. E por algum tempo isso funcionou. Mas a pré-campanha voltou a escorregar justamente nos mesmos erros de 2022.
BELIGERÂNCIA
O entorno político de Marcos Rogério retomou uma postura beligerante, marcada por uma arrogância militante que repele aliados potenciais e estimula confrontos desnecessários. A sensação transmitida para quem observa de longe é a de um grupo que prefere guerrear a agregar. E campanhas majoritárias raramente vencem apenas com trincheiras digitais e fiéis inflamados.
CONVERTIDOS
O problema da arrogância em política é que ela produz isolamento. O eleitor comum tolera firmeza; o que costuma incomodar é a soberba travestida de convicção moral. Quando uma campanha passa a tratar divergência como heresia e crítica como inimigo interno, ela acaba falando apenas para os próprios convertidos.
PERFIL
E Rondônia de 2026 não parece ser um terreno de passeio para ninguém. Há adversários competitivos, gestores bem avaliados e um eleitorado conservador que, embora majoritário, pode perfeitamente optar por candidaturas de direita menos tensionadas ideologicamente e mais abertas ao diálogo político.
CONVENCIMENTO
No fim, campanhas não desmoronam apenas por escândalos nacionais. Muitas vezes começam a perder densidade quando deixam escapar a capacidade elementar da política: ouvir sem hostilidade, dialogar sem arrogância e compreender que voto não é ato de submissão, mas de convencimento. Marcos Rogério sabe disso tudo e ainda tem um recall interessante para garantir-lhe hoje uma vaga ao segundo turno. O problema é que a eleição é em outubro e até lá cada erro é gol contra. Os dois principais adversários ( Hildon e Fúria) também não terão vida fácil e são obrigados e antagonizar com o senador para que ele não fuja do radar. Quem errar menos e agregar mais terá mais chance do êxito.
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