Brasil reforça estratégias de eliminação das hepatites virais

Evento reuniu especialistas, coordenadores estaduais e de capitais, profissionais de saúde e representantes da sociedade civil para debater avanços, desafios e experiências exitosas na resposta às hepatites virais

Fonte: João Moraes Ministério da Saúde - Publicada em 26 de junho de 2026 às 15:00

Brasil reforça estratégias de eliminação das hepatites virais

Ministério da Saúde reúne parceiros para fortalecer estratégias de eliminação das hepatites virais no Brasil (Foto: Laudemiro Bezerra - NUCOM - SVSA)

O Ministério da Saúde realizou, nos dias 24 e 25 de junho, em Brasília (DF), o III Seminário Diálogos para Eliminação das Hepatites Virais. O encontro reuniu representantes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), do Movimento Brasileiro de Luta Contra as Hepatites Virais (MBHV), da Aliança Independente dos Grupos de Apoio (AIGA), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de universidades, secretarias estaduais e municipais de saúde e organizações da sociedade civil para discutir ações voltadas à eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública no Brasil até 2030.

Ao longo dos dois dias de programação, coordenadores estaduais e de capitais, especialistas e profissionais de saúde debateram os avanços obtidos pelo país, os desafios para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento e as estratégias necessárias para alcançar as metas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os temas abordados estiveram prevenção, vigilância epidemiológica, fortalecimento das linhas de cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS), participação social e integração entre diferentes setores.

Na abertura do seminário, a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, destacou que os avanços científicos das últimas décadas precisam ser acompanhados da ampliação do acesso da população aos serviços e às tecnologias disponíveis. “Não podemos esquecer dos marcos históricos que transformaram a vida das pessoas. Tivemos avanços tecnológicos imensos, desde o diagnóstico até o tratamento. Mas tecnologia sem acesso não é inovação, é injustiça”, afirmou.

A secretária também ressaltou o papel do SUS na garantia do direito universal à saúde e reforçou que políticas públicas baseadas em evidências científicas são essenciais para ampliar os resultados alcançados e evitar retrocessos.

O diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi/SVSA/MS), Draurio Barreira, afirmou que o Brasil está próximo de alcançar metas históricas e destacou que vacinação, diagnóstico oportuno e tratamento continuam sendo ferramentas fundamentais para acelerar a resposta nacional. “Estamos muito próximos de alcançar metas que pareciam distantes há alguns anos. A eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública está ao nosso alcance. Temos ferramentas eficazes e precisamos seguir mobilizados para transformar essa possibilidade em realidade”, destacou.

Experiências exitosas

Um dos destaques do seminário foi o reconhecimento de dez experiências exitosas selecionadas por meio da chamada pública para o Mapeamento de Experiências Exitosas para a Eliminação das Hepatites Virais no Brasil até 2030. A iniciativa recebeu 40 inscrições de diferentes regiões do país e evidenciou ações desenvolvidas nos territórios para ampliar o acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento, além de fortalecer a organização dos serviços de saúde.

O primeiro lugar foi conquistado pela estratégia Além das Grades, desenvolvida pela Secretaria Municipal de Saúde de Caxias do Sul (RS), voltada à ampliação da testagem e do diagnóstico entre pessoas privadas de liberdade. A segunda colocação ficou com a Fiocruz Amazônia, pela implantação do rastreamento do exame de carga viral da hepatite Delta no SUS. Já o terceiro lugar foi destinado à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, pela pactuação da linha de cuidado das hepatites virais.

Também foram reconhecidas iniciativas da Universidade do Estado de Mato Grosso, da Associação Cearense de Pacientes Hepáticos e Transplantados, da Agência Estadual de Vigilância em Saúde de Rondônia, das secretarias municipais de Saúde de Joinville (SC) e Lajeado (RS), além de projetos desenvolvidos pela Fundação Oswaldo Cruz.

Construção coletiva

A programação incluiu ainda debates técnicos sobre vigilância, prevenção, diagnóstico, tratamento, qualificação das notificações, organização das linhas de cuidado e fortalecimento da rede laboratorial.

A coordenadora-geral de Vigilância das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Tiemi Arakawa, destacou que o diálogo e a construção coletiva são pilares para o avanço da agenda de eliminação da doença. “O nome do nosso evento é Diálogos por um motivo. Estamos aqui para trocar experiências, exercer a escuta e construir colaborativamente”, afirmou.

No encerramento do encontro, Mariângela Simão reforçou que eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública depende de mobilização permanente, cooperação entre diferentes setores e do fortalecimento de políticas públicas baseadas em evidências científicas. “Precisamos combater a desinformação, reafirmar o compromisso com políticas públicas inclusivas e baseadas em evidências e manter a vigilância constante. A eliminação das hepatites virais é possível, mas exige compromisso coletivo, cooperação e defesa permanente da ciência e do SUS”, concluiu.

Brasil reforça estratégias de eliminação das hepatites virais

Evento reuniu especialistas, coordenadores estaduais e de capitais, profissionais de saúde e representantes da sociedade civil para debater avanços, desafios e experiências exitosas na resposta às hepatites virais

João Moraes Ministério da Saúde
Publicada em 26 de junho de 2026 às 15:00
Brasil reforça estratégias de eliminação das hepatites virais

Ministério da Saúde reúne parceiros para fortalecer estratégias de eliminação das hepatites virais no Brasil (Foto: Laudemiro Bezerra - NUCOM - SVSA)

O Ministério da Saúde realizou, nos dias 24 e 25 de junho, em Brasília (DF), o III Seminário Diálogos para Eliminação das Hepatites Virais. O encontro reuniu representantes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), do Movimento Brasileiro de Luta Contra as Hepatites Virais (MBHV), da Aliança Independente dos Grupos de Apoio (AIGA), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de universidades, secretarias estaduais e municipais de saúde e organizações da sociedade civil para discutir ações voltadas à eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública no Brasil até 2030.

Ao longo dos dois dias de programação, coordenadores estaduais e de capitais, especialistas e profissionais de saúde debateram os avanços obtidos pelo país, os desafios para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento e as estratégias necessárias para alcançar as metas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os temas abordados estiveram prevenção, vigilância epidemiológica, fortalecimento das linhas de cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS), participação social e integração entre diferentes setores.

Na abertura do seminário, a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, destacou que os avanços científicos das últimas décadas precisam ser acompanhados da ampliação do acesso da população aos serviços e às tecnologias disponíveis. “Não podemos esquecer dos marcos históricos que transformaram a vida das pessoas. Tivemos avanços tecnológicos imensos, desde o diagnóstico até o tratamento. Mas tecnologia sem acesso não é inovação, é injustiça”, afirmou.

A secretária também ressaltou o papel do SUS na garantia do direito universal à saúde e reforçou que políticas públicas baseadas em evidências científicas são essenciais para ampliar os resultados alcançados e evitar retrocessos.

O diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi/SVSA/MS), Draurio Barreira, afirmou que o Brasil está próximo de alcançar metas históricas e destacou que vacinação, diagnóstico oportuno e tratamento continuam sendo ferramentas fundamentais para acelerar a resposta nacional. “Estamos muito próximos de alcançar metas que pareciam distantes há alguns anos. A eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública está ao nosso alcance. Temos ferramentas eficazes e precisamos seguir mobilizados para transformar essa possibilidade em realidade”, destacou.

Experiências exitosas

Um dos destaques do seminário foi o reconhecimento de dez experiências exitosas selecionadas por meio da chamada pública para o Mapeamento de Experiências Exitosas para a Eliminação das Hepatites Virais no Brasil até 2030. A iniciativa recebeu 40 inscrições de diferentes regiões do país e evidenciou ações desenvolvidas nos territórios para ampliar o acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento, além de fortalecer a organização dos serviços de saúde.

O primeiro lugar foi conquistado pela estratégia Além das Grades, desenvolvida pela Secretaria Municipal de Saúde de Caxias do Sul (RS), voltada à ampliação da testagem e do diagnóstico entre pessoas privadas de liberdade. A segunda colocação ficou com a Fiocruz Amazônia, pela implantação do rastreamento do exame de carga viral da hepatite Delta no SUS. Já o terceiro lugar foi destinado à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, pela pactuação da linha de cuidado das hepatites virais.

Também foram reconhecidas iniciativas da Universidade do Estado de Mato Grosso, da Associação Cearense de Pacientes Hepáticos e Transplantados, da Agência Estadual de Vigilância em Saúde de Rondônia, das secretarias municipais de Saúde de Joinville (SC) e Lajeado (RS), além de projetos desenvolvidos pela Fundação Oswaldo Cruz.

Construção coletiva

A programação incluiu ainda debates técnicos sobre vigilância, prevenção, diagnóstico, tratamento, qualificação das notificações, organização das linhas de cuidado e fortalecimento da rede laboratorial.

A coordenadora-geral de Vigilância das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Tiemi Arakawa, destacou que o diálogo e a construção coletiva são pilares para o avanço da agenda de eliminação da doença. “O nome do nosso evento é Diálogos por um motivo. Estamos aqui para trocar experiências, exercer a escuta e construir colaborativamente”, afirmou.

No encerramento do encontro, Mariângela Simão reforçou que eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública depende de mobilização permanente, cooperação entre diferentes setores e do fortalecimento de políticas públicas baseadas em evidências científicas. “Precisamos combater a desinformação, reafirmar o compromisso com políticas públicas inclusivas e baseadas em evidências e manter a vigilância constante. A eliminação das hepatites virais é possível, mas exige compromisso coletivo, cooperação e defesa permanente da ciência e do SUS”, concluiu.

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