Evento Mulheres do Sol combate violência de gênero
Evento levou atrações culturais para disseminar Lei Maria da Penha no calçadão da EFMM
O evento cultural Mulheres do Sol realizou, na tarde do último domingo (2/8), ação artística de mobilização social em alusão ao Agosto Lilás – 20 anos da Lei Maria da Penha. O ato, promovido no calçadão do Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), em Porto Velho, foi articulado pelo Levante Feminista e teve o apoio do Ministério Público de Rondônia (MPRO), da Rede Lilás e da Funcultural, entre outros coletivos.
A ação foi prestigiada pelo público que passava pelo local, que acompanhou a apresentação de artistas e grupos de samba da cidade, manifestações dos movimentos presentes e recebeu informações sobre a legislação.
“Achei muito bacana a ideia de tratar um tema tão doloroso para nós, mulheres, de forma leve. Acho que toda a sociedade precisa entender o que é essa lei, como ela nos protege e como pode nos ajudar a sair de uma situação de violência”, afirmou a estudante Patrícia Veleriana.
“Uma mensagem muito importante. Rondônia está entre os estados com maior número de casos de violência contra a mulher, infelizmente. Este é um evento que ajuda as mulheres, mas que também ensina aos homens. Precisamos que seja realizado mais vezes”, disse a autônoma Eliana Mugrabe, que também visitava o complexo no domingo.
Representando o MPRO, a promotora de Justiça Tânia Garcia informou que a ideia era a de levar informação aos diversos públicos, apresentando formas de violência e mecanismos de proteção. Em uma fala pedagógica e de sensibilização, a integrante do MPRO citou, como maior conquista da Lei Maria da Penha, a desnaturalização da violência contra a mulher. Afirmou que a norma eliminou a possibilidade de retratação da representação criminal, que levava muitas vítimas a voltarem atrás nas denúncias contra agressores, que, em muitos casos, são companheiros, mantenedores do lar, de quem dependem financeiramente.
“Antes da lei, era preciso ocorrer uma situação muito grave para que a gente pudesse chegar a uma situação de medida extrema de privação de liberdade para a proteção da mulher. Hoje, a mulher pode pedir medida protetiva de urgência até pelo próprio celular. Essa decisão sai no mesmo dia, muitas vezes com uma diferença de minutos. Ela tem proteção por parte do Estado, tem a obrigatoriedade de que o ofensor saia de casa, de que ele seja proibido de manter contato e aproximação. A vítima também tem acesso a serviços especializados de proteção”, detalhou, ao discursar durante o evento.
A articuladora do Levante Feminista, movimento que coordenou o evento, Isabela Lima, disse que a segunda edição do Mulheres do Sol buscou visibilizar o aniversário da Lei Maria da Penha, enfatizando o enfrentamento ao feminicídio, lesbocídio e transfeminicídio, além de intensificar a mobilização para a aprovação do PL da Misoginia. “Neste Agosto Lilás, o coletivo integra a agenda especial de sensibilização e combate à violência de gênero. Convidamos toda a sociedade a participar”, disse.
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