FANTASIA, O QUE É QUE COME?
As fantasias dão um jeito de morder a gente, principalmente quando a gente decide que não vai mais alimentá-las
A senhorinha lá, a Sebastiana no Agente Secreto, cativou a internet e já tá sendo transformada em prova irrefutável de que não importa a idade, o lugar: o sonho vem. É só acreditar. E eu aqui, com medo de chegar lá e aí.
As fantasias dão um jeito de morder a gente, principalmente quando a gente decide que não vai mais alimentá-las. Fama de internet não me morde mais. Pouco like não acaba com o meu dia e muito like não é mais motivo pra sonhar. Ainda assim, na época que a Eliana tinha um programa no SBT, gravei um poema e a fantasia, cretina, me abocanhou.
O vídeo era problematizando o sonho (nos termos do neoliberalismo). Pessoal viu e achou que era um incentivo. Recebi várias mensagens de gratidão, “é isso mesmo!”, “parabéns!”. Disseram até que eu tava aprendendo. Era muita mensagem, like e compartilhamento, veio o medo de aparecer no Famosos da Internet. Era como se eu realmente fosse ficar famoso.
Eu sei que não vou, mas tem essa fantasia me arrancando um teco aqui e acolá. E já se vestiu de outro medo: virar prova de que é só querer e se esforçar. Aconteceu com o maratonista mais rápido do mundo e com o patinador bailarino que executou o salto (que era) proibido. Podia acontecer comigo... Tem nem perigo.
Já se vestiu de outro: ser o famigerado cronista que escreve dizendo que não quer ficar famoso, mas posta nas redes sociais e manda o link pros amigos pedindo pra compartilhar.
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