Fibras naturais ganham espaço na moda sustentável
Algodão, linho, seda e lã aparecem em coleções que buscam qualidade, respirabilidade e práticas mais sustentáveis na indústria têxtil
Conforto, qualidade e responsabilidade ambiental têm impulsionado o uso de fibras naturais no mercado da moda. Tecidos como algodão, linho, seda e lã vêm conquistando espaço nas coleções ao combinar qualidade, beleza e, também, menor impacto ambiental.
As fibras naturais recebem esse nome porque são encontradas na natureza, podendo ter origem vegetal, animal ou mineral. São diferentes das fibras artificiais, que também podem ser feitas de materiais naturais, mas precisam passam por processos químicos.
Marcas que não usam fibras sintéticas na composição de suas peças de moda básica, sobretudo o poliéster, saem à frente. Isso porque o poliéster é uma fibra sintética produzida a partir de derivados petroquímicos, sendo apontada como um produto prejudicial ao meio ambiente, além de ser pouco confortável por ser quente, como destaca o The Sustainable Fashion Handbook.
Para a estilista e jornalista, Edy Lopes, diante da receptividade do mercado e das inovações, a transição para materiais mais ecológicos, incluindo as fibras naturais, passa de tendência à necessidade. “É o caminho para garantir a viabilidade a longo prazo da indústria têxtil.”
Moda ganha em qualidade com fibras naturais
Quando se fala em tecidos de qualidade, os naturais se destacam porque somam conforto, durabilidade, adaptabilidade e charme, conforme o The Sustainable Fashion Handbook. São materiais respiráveis e que se moldam conforme o caimento da peça, o que faz com que cada detalhe seja valorizado.
Os tecidos naturais garantem estética refinada e toque agradável em blusas básicas para trabalhar, camisas sociais e casuais, vestidos para diferentes ocasiões, saias, calças, pijamas e muitas outras peças. Dessa forma, é possível montar um guarda-roupa atemporal e sustentável.
A renovabilidade e a biodegradabilidade aumentam o interesse das marcas, enquanto a disponibilidade e a abundância da matéria-prima garantem que sejam acessíveis. Relatórios recentes da Vogue e da Elle confirmam o crescimento da demanda global por tecidos de alta qualidade, respiráveis e sustentáveis.
“A extensa revisão da literatura destaca o potencial das fibras naturais para o avanço da moda sustentável. Cada fibra, do algodão à seda, apresenta propriedades e métodos de cultivo únicos, que contribuem para a produção têxtil ecologicamente correta”, informa o artigo “Fibras naturais em busca da sustentabilidade na moda”, publicado na revista Natural Fibers.
Algodão
O algodão carrega características como conforto, praticidade e toque suave. Macio e versátil, tem absorção rápida do suor. Derivado de fibras do algodoeiro, é um tecido acessível e amplamente produzido no Brasil, considerado ideal para peles sensíveis, já que é hipoalergênico.
“Cada fibra de tecido tem sua particularidade, suas características e sua estrutura. No caso do algodão, temos o algodão pima e o algodão egípicio, que trazem fibras longas e qualidade superior”, explica a engenheira têxtil Priscila Faiad.
O algodão tradicional é um dos tecidos que tem o cultivo mais poluente, utilizando agrotóxicos, além de demandar irrigação intensa. O relatório “Fios da moda”, elaborado pela Modefica, em parceria com o Centro de Estudos de Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a consultoria Regenerate Fashion, mostra que a cultura de algodão tradicional é a quarta que mais utiliza agrotóxicos no Brasil. O consumo médio é de cerca de 2,33 mil litros de água por quilo de fibra produzida.
Por outro lado, o algodão orgânico consome menos água durante a irrigação, não utiliza agrotóxicos ou pesticidas e, por ser uma planta que usa o sistema de rotação de culturas, os nutrientes do solo são preservados, o que dispensa a necessidade de fertilizantes. Sua produção é menor justamente porque respeita o tempo da natureza.
Linho
O linho une frescor e elegância. Produzido a partir de fibras do caule e da raiz da planta de linho, apresenta trama aberta, o que faz com que seja um tecido ventilado e leve, embora apresente textura um pouco mais áspera do que o algodão, sem que isso seja incômodo.
“É um tecido que respira bem e é confortável ao toque”, destaca a especialista em artes manuais, Anne Galante. O linho é considerado ideal para dias quentes devido à absorção de umidade e ao toque seco. Presente em calças, blusas leves, camisas ou vestidos, traz charme às produções.
Resistente e durável, o linho não exige muita água em seu processo produtivo, crescendo com água de chuva e sem a necessidade de agrotóxicos.
Seda
Produzida a partir da secreção que o bicho-da-seda produz para formar o casulo, a seda é um tecido elegante e diferenciado, apontado como um dos mais nobres do mundo da moda. Com trama lisa e fina, apresenta brilho delicado e leveza.
Além do aspecto sofisticado, a seda tem propriedades termorreguladoras, mantendo frescor no corpo e aconchego no frio.
Com relação à produção, Anne afirma que “temos empresas que, preocupadas com a sustentabilidade, apresentam cálculo de geração de carbono negativo e reutilizam a água usada nos processos na própria produção”.
Lã
Ao contrário do que muita gente pensa, a lã não é um tecido pesado. Passando por processos de produção, é possível alcançar um tecido leve.
Produzida principalmente a partir da tosa de ovelhas, ela mantém o corpo aquecido sem perder a respirabilidade. As fibras de lã possuem elasticidade, isolamento e capacidade de absorção de umidade.
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