O crepúsculo do bolsonarismo
Ninguém lidera de fora do país
A primeira melhor coisa que aconteceu em outubro foi a derrota de Flávio Bolsonaro. A segunda, a sua fuga para os Estados Unidos. Por mais que ele alardeie que vai comandar a oposição de lá, isso não vai acontecer. Nunca aconteceu. Líderes mais importantes do que ele sempre voltaram, quando voltaram do exílio, mais fracos. E não há horizonte para a sua volta. Ao menos nos próximos quatro anos.
A sua ausência vai preencher uma lacuna. Se permanecesse aqui, seria o líder da oposição. Sem ele, a oposição vai brigar para escolher seu novo líder. Se é que haverá alguém. O mais provável é que a oposição vá se dividir. O que vai favorecer o governo, que poderá fazer as alianças necessárias para implementar seus projetos.
O Exército respira aliviado. Não haverá o expurgo prometido se Flávio vencesse. Também não haverá a “faxina” no Itamaraty que seu irmão ameaçava fazer. O STF terá tranquilidade para resolver suas questões internamente, sem a espada de Dâmocles dos novos senadores. Os que fizeram do impeachment de ministros suas bandeiras de campanha são os que têm processos no Supremo.
Até para Vorcaro foi melhor a fuga de Flávio. Agora ele poderá finalmente revelar a verdade sobre o Dark Horse. Também ficamos livres desse abacaxi. Será o filme que ninguém vai ver, porque nunca será lançado.
Os governadores eleitos pelo bolsonarismo vão puxar o freio de mão. Cleitinho, Moro, Tarcísio, Ruas vão depender do Planalto para governar. O refluxo do bolsonarismo (e do extremismo) vai ajudar o país a crescer. Que é o que mais desejam os brasileiros não radicalizados.
Alex Solnik, jornalista e escritor, colunista do Brasil 247 e comentarista na TV 247, é autor de mais de 20 livros, dentre os quais "Bar Brasil" (com Paulo Caruso), "O Cofre do Adhemar" (Editora Jabuticaba), "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial) e "O Código 12" (Matrix Editora).
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