Os dois papéis que Caiado deve cumprir em 2026

Caso a eleição se encerre na largada, o efeito é pró-Lula

Fonte: Leopoldo Vieira - Publicada em 11 de abril de 2026 às 11:03

Os dois papéis que Caiado deve cumprir em 2026

Presidente Lula, Gilberto Kassab e Ronaldo Caiado (Foto: Ricardo Stuckert/PR | Agência Senado | Divulgação )

O pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, caminha para cumprir dois papéis excludentes em 2026: ou facilita a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou inviabiliza uma alternativa de direita — e até de centro — fora do bolsonarismo em 2030.

Caso a eleição se encerre na largada, como alguns dirigentes de institutos já admitem, o efeito é pró-Lula: Caiado fragmenta a direita, drena votos do senador Flávio Bolsonaro e, mesmo desidratado pelo voto útil, cumpre o papel de dispersão. Se houver segundo turno, o ex-governador de Goiás tende a funcionar como incubadora dos votos de uma direita resistente ao clã Bolsonaro, para eclodirem na etapa final contra o incumbente. Como compartilham o mesmo perfil, Caiado será pressionado a aderir ao senador Bolsonaro no round decisivo ou, no mínimo, conduzirá seu eleitorado nessa direção pela própria linha de campanha. Daí por que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, acerta ao identificar no ex-governador de Goiás maior capacidade de sangrar Flávio do que Eduardo Leite, cuja moderação centrista, embora palatável à Faria Lima, não compete no mesmo campo gravitacional da direita dura. 

Se Lula e o senador Bolsonaro orbitarem a casa dos 45%, como sugerem levantamentos recentes, abre-se uma janela real para liquidar a disputa no primeiro turno. Ainda assim, as análises se concentram no segundo turno, ignorando tendências como: a convergência precoce dos polos desde a pré-campanha e no primeiro turno; o favoritismo do petista, inclusive em mercados preditivos; a baixa elasticidade de migração de votos entre turnos sob polarização acirrada; e a possível compressão da base de votos válidos. Some-se a isso um Censo Demográfico atualizado, que reduz o ruído amostral das pesquisas em relação a 2022.

Os levantamentos no radar trarão mais clareza, mas também registrarão um contexto de pressão inflacionária no ápice dos efeitos da guerra do “Vietirã” — parcialmente amortecidos pelo carry trade —, um primeiro trimestre tradicionalmente marcado por reajustes de preços e a reativação do noticiário de corrupção, com as delações de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Maurício Camisotti, empresário e peça-chave nas fraudes da seguridade social, no horizonte próximo.

 "Já está claro que os diretórios [estaduais do PSD] vão ser liberados [para a sucessão presidencial], até mesmo no primeiro turno" , disseram à Idealpolitik interlocutores a par das articulações. O plano de Kassab de levar Caiado a 15%, para negociar com ambos os polos, é hoje considerado improvável.

Leopoldo Vieira

Jornalista profissional, pós-graduado em Administração Pública e Ciência Política. CEO da Idealpolitik. Trabalhou como analista sênior de política na Faria Lima (TradersClub) e nos ministérios do Planejamento, Secretaria de Governo e Relações Institucionais nos governos Dilma Rousseff e Lula.

Os dois papéis que Caiado deve cumprir em 2026

Caso a eleição se encerre na largada, o efeito é pró-Lula

Leopoldo Vieira
Publicada em 11 de abril de 2026 às 11:03
Os dois papéis que Caiado deve cumprir em 2026

Presidente Lula, Gilberto Kassab e Ronaldo Caiado (Foto: Ricardo Stuckert/PR | Agência Senado | Divulgação )

O pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, caminha para cumprir dois papéis excludentes em 2026: ou facilita a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou inviabiliza uma alternativa de direita — e até de centro — fora do bolsonarismo em 2030.

Caso a eleição se encerre na largada, como alguns dirigentes de institutos já admitem, o efeito é pró-Lula: Caiado fragmenta a direita, drena votos do senador Flávio Bolsonaro e, mesmo desidratado pelo voto útil, cumpre o papel de dispersão. Se houver segundo turno, o ex-governador de Goiás tende a funcionar como incubadora dos votos de uma direita resistente ao clã Bolsonaro, para eclodirem na etapa final contra o incumbente. Como compartilham o mesmo perfil, Caiado será pressionado a aderir ao senador Bolsonaro no round decisivo ou, no mínimo, conduzirá seu eleitorado nessa direção pela própria linha de campanha. Daí por que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, acerta ao identificar no ex-governador de Goiás maior capacidade de sangrar Flávio do que Eduardo Leite, cuja moderação centrista, embora palatável à Faria Lima, não compete no mesmo campo gravitacional da direita dura. 

Se Lula e o senador Bolsonaro orbitarem a casa dos 45%, como sugerem levantamentos recentes, abre-se uma janela real para liquidar a disputa no primeiro turno. Ainda assim, as análises se concentram no segundo turno, ignorando tendências como: a convergência precoce dos polos desde a pré-campanha e no primeiro turno; o favoritismo do petista, inclusive em mercados preditivos; a baixa elasticidade de migração de votos entre turnos sob polarização acirrada; e a possível compressão da base de votos válidos. Some-se a isso um Censo Demográfico atualizado, que reduz o ruído amostral das pesquisas em relação a 2022.

Os levantamentos no radar trarão mais clareza, mas também registrarão um contexto de pressão inflacionária no ápice dos efeitos da guerra do “Vietirã” — parcialmente amortecidos pelo carry trade —, um primeiro trimestre tradicionalmente marcado por reajustes de preços e a reativação do noticiário de corrupção, com as delações de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Maurício Camisotti, empresário e peça-chave nas fraudes da seguridade social, no horizonte próximo.

 "Já está claro que os diretórios [estaduais do PSD] vão ser liberados [para a sucessão presidencial], até mesmo no primeiro turno" , disseram à Idealpolitik interlocutores a par das articulações. O plano de Kassab de levar Caiado a 15%, para negociar com ambos os polos, é hoje considerado improvável.

Leopoldo Vieira

Jornalista profissional, pós-graduado em Administração Pública e Ciência Política. CEO da Idealpolitik. Trabalhou como analista sênior de política na Faria Lima (TradersClub) e nos ministérios do Planejamento, Secretaria de Governo e Relações Institucionais nos governos Dilma Rousseff e Lula.

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