Pesquisa aponta impactos da Usina Santo Antônio em Rondônia
Autor do trabalho, Wagner de Melo Filho, da Universidade Federal de Rondônia, foi agraciado no Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica do CNPq, na área Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes
Pesquisador Wagner de Melo Filho - Foto: Arquivo pessoal/divulgalção
Utilizando um aplicativo facilmente acessível, o pesquisador Wagner de Melo Filho, da Universidade Federal de Rondônia, demonstrou as mudanças e os impactos socioambientais causados pela Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, que foi construída no Rio Madeira em Rondônia. O trabalho "Observação da mudança da paisagem do entorno da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio no Rio Madeira a partir do Google Earth", que teve orientação de Maria Madalena de Aguiar Cavalcante e coorinetação de Gizele Carvalho Pinto, foi agraciado no Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica do CNPq, na área Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes, categoria Bolsista de Iniciação Científica Júnior. É o primeiro prêmio na carreira acadêmica de Wagner.
A premiação ocorre no dia 10 de agosto, na abertura da 8ª Reunião de Trabalho dos RICs e Coordenadores(as) de Iniciação Científica e Tecnológica - Edição 2026, a ser realizada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), nos dias 10 e 11.
Usina Hidrelétrica de Santo Antônio foi construída a 7 km de Porto Velho, capital do estado. As obras para a construção da usina foram iniciadas em 2008 e concluídas em dezembro de 2016, em um empreendimento orçado em aproximadamente R$ 13,5 bilhões. Ela tem capacidade instalada de 3.568 MW, possui 50 turbinas e gera energia suficiente para atender cerca de 42 milhões de pessoas. Em 2026, a usina gerou, em média por dia, 2.813 MWm.
Segundo Wagner, a pesquisa teve o teve o propósito de analisar criticamente o entorno da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio utilizando a ferramenta de mapeamento e sensoriamento Google Earth. Com esse instrumento, foi possível obter um lapso temporal entre as imagens das paisagens do início da construção até o presente e mensurar os impactos socioambientais através de medidas e delimitações, com funcionalidades próprias do programa.
"A pesquisa contemplou o processo de erosão de determinadas áreas, o desmatamento, a submersão completa de cachoeiras históricas, importantes tanto para a pesca como para a memória local, e também os locais inundados pela represagem do rio", explicou Wagner.
Foram analisadas, também, dinâmicas do espaço geográfico da usina como um todo, ou seja, dotadas de movimentos sociais, como a desterritorialização de comunidades afetadas pelas inundações e seus desafios, e as consequências para a dinâmica da pesca no local. "Essas são problemáticas que, nas discussões "macro" do cenário de transição energética e de aquecimento do globo, passam despercebidas. O mais interessante é que, apesar da riqueza de detalhes (também atrelada a referências bibliográficas robustas e pertinentes), foi utilizado um programa ou aplicativo extremamente acessível e fácil de se usar", afirmou o pesquisador.
Prêmio
O pesquisador diz que, como um premiado na categoria Iniciação Científica Júnior, é muito gratificante ter seu trabalho reconhecido sabendo que é do interesse da comunidade acadêmica trazer a visão de alunos do ensino médio brasileiro. "Traz-me a perspectiva de um país que, apesar de suas mazelas, acredita na pesquisa acadêmica como solução e como forma de visibilizar indivíduos e problemas socioambientais", afirmou.
Wagner é integrante do Projeto de Iniciação Científica Júnior (PIBIC-EM) do ciclo de 2024/2025 da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Participante do projeto de pesquisa PVC765-2023, no Grupo de Pesquisa em Geografia e Ordenamento do Território na Amazônia (GOT-Amazônia).
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