Vice acusa governo Marcos Rocha de segurar viaturas da PM para só liberá-las nas proximidades das eleições
A peça, publicada nas redes sociais, utiliza humor e ironia para atacar a área de segurança pública, considerada uma das principais vitrines políticas de Rocha
O vice-governador de Rondônia, Sérgio Gonçalves, divulgou um vídeo de animação em que acusa o Governo do Estado, comandado pelo governador Coronel Marcos Rocha (PSD), de manter viaturas novas da Polícia Militar fora de circulação para que sejam usadas apenas próximo ao período eleitoral. A peça, publicada nas redes sociais, utiliza humor e ironia para atacar a área de segurança pública, considerada uma das principais vitrines políticas de Rocha.
No vídeo, a animação simula uma ligação ao 190. Uma mulher pede socorro após ter a bicicleta roubada. “Policial? Pelo amor de Deus, eu tô sendo assaltada. Tem um bandido levando a minha bicicleta e eu nem terminei de pagar. Me ajuda, por favor”, diz a personagem.
Na sequência, o policial responde que a situação está difícil. “Senhora, senhora, bem que gostaríamos de ajudar, mas tá difícil trabalhar”, afirma. A personagem reage cobrando retorno dos impostos pagos pela população. “A gente paga imposto todo mês e o mínimo que a gente espera é que esse imposto retorne em segurança pública, saúde, educação...”, diz a mulher.
A animação passa então a ironizar a estrutura da segurança pública no Estado. “Desculpe, minha senhora, a gente tem três viaturas por localidade, quartéis abandonados, falta gente e há anos não tem concurso público pra suprir isso, tá?”, responde o policial no vídeo divulgado pelo vice-governador.
Em outro trecho, a personagem afirma que uma vizinha havia sido assaltada na frente de casa e que o Estado estaria sendo dominado por facções. O policial, então, pede para falar com o assaltante. “Passa o telefone pra esse meliante aí”, diz.
A crítica mais direta aparece quando o policial conversa com o criminoso e pede que ele deixe para agir apenas próximo da campanha. “Senhor, o senhor pode cooperar e voltar a fazer seu trabalho, seus assaltos, próximo da campanha política? É que chegaram umas viaturas novas, só que elas só vão rodar bem próximo da campanha política deste ano. Imagina só, o senhor desfilando de viatura nova”, afirma o personagem.
O assaltante responde em tom de deboche: “Tá certo, chefia. Da última vez deu ruim. E sobrou pra mim empurrar a viatura até a delegacia”. A animação encerra com a mensagem: “A gente aqui se vira como pode. O problema é o sistema. E foi feito para não dar certo. Por isso eu digo, tá na hora de enfrentar esse sistema e transformar a nossa querida Rondônia”.
Com o vídeo, Sérgio Gonçalves amplia os ataques ao governo de Marcos Rocha. Antes, o vice já havia usado as redes sociais para criticar a situação da saúde pública no Estado. Agora, mira diretamente a segurança pública e levanta uma acusação de natureza eleitoral: a suposta retenção de viaturas novas para uso político nas proximidades das eleições.
A ofensiva ocorre em meio ao rompimento político entre o governador e o vice. Rocha já declarou publicamente que se sentiu traído por Sérgio Gonçalves e decidiu permanecer no cargo, deixando de disputar uma das duas vagas ao Senado. A decisão impediu o vice de assumir o comando do Executivo estadual e disputar o Governo. Agora, busca uma das oito vagas na Câmara Federal.
A crise também atingiu a estrutura da Vice-Governadoria. O governo exonerou servidores e assessores ligados ao grupo político de Sérgio Gonçalves, em meio ao agravamento da disputa interna no Palácio Rio Madeira. A demissão de comissionados ligados ao vice acirrou o rompimento entre os dois ex-amigos.
A permanência de Rocha no governo também teve efeitos sobre seus parentes . Luana Rocha, mulher do governador, permaneceu à frente da Secretaria de Estado da Assistência e do Desenvolvimento Social. A continuidade de Rocha no cargo inviabilizou o projeto eleitoral dela para a Câmara Federal. Situação semelhante atingiu Sandro Rocha, irmão do governador e diretor-geral do Detran, interessado em disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.
O episódio ocorre no mesmo momento em que o PSD tenta organizar a sucessão estadual. O nome apoiado por Marcos Rocha para dar continuidade ao seu grupo político é o ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, também do PSD. Fúria renunciou à Prefeitura de Cacoal para disputar o Governo de Rondônia, e Tony Pablo assumiu o comando do município.
A sucessão em Cacoal, no entanto, também se transformou em foco de desgaste político. Tony Pablo, ex-vice de Adailton Fúria, passou a fazer críticas públicas à gestão anterior, ampliando o ambiente de tensão em torno do pré-candidato apoiado pelo governador.
Com a nova animação, Sérgio Gonçalves desloca o embate para um tema sensível ao governador, que construiu parte de sua trajetória política associado à segurança pública. A acusação de que viaturas novas estariam sendo seguradas para circular apenas nas proximidades da eleição eleva o tom da crise e coloca o governo sob pressão para explicar se há veículos adquiridos pela Polícia Militar ainda fora das ruas e quais são os critérios para sua entrega à população. E deve chamar a atenção do Ministério Público, do Ministério Público Eleitoral e do Tribunal de Contas do Estado para a possibilidade de estar sendo cometido grave crime eleitoral.
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