Acabou o filme sobre o filho ungido
“Flávio, que sempre conseguiu escapar da Justiça por seus vínculos com milicianos, tomba por receber dinheiro de um banqueiro mafioso”, escreve Moisés Mendes
Flávio Bolsonaro é o cara que se mete a faquir, mas não treinou direito para andar e deitar sobre pregos. Entende-se agora por que o filho ungido vinha se fazendo de morto, sem nenhum movimento mais brusco como candidato a presidente, na maior empreitada da sua vida. Ele sabia que poderia ser espetado.
Há pregos, quase todos antigos, por toda parte por onde Flávio pisa nessa pré-campanha. Para ele, a vida de empreendedor na área imobiliária da família sempre foi perigosa.
Mas esse obstáculo envolvendo Vorcaro é o novo, a surpresa que talvez nem o mais otimista dos seus inimigos esperasse, por ser da área cultural. Por isso Flávio andava quieto. Porque até respirar poderia ser arriscado.
O grampo em que ele pede mais dinheiro a Vorcaro, para que o filme sobre o pai seja concluído, é algo que nunca apareceu, por semelhança, em todos os casos anteriores em que é citado por envolvimento com rolos financeiros.
Flávio dá uma mordida no banqueiro, meio sem graça, como quem pede uns trocados a um amigo para fechar o mês, porque não pode vacilar na hora de honrar compromissos. E se despede, como bom cristão, desejando que o banqueiro fique com Deus.
Flávio diz, enquanto morde o mafioso, que está sob a ameaça de passar constrangimentos. Há muita conta a pagar e a família pode ter que dar calote. O risco no final do ano passado era esse, depois de já ter recebido R$ 61 milhões: perder o contrato, perder ator e perder o diretor e a equipe do filme.
O filho abençoado está agora sob a ameaça de perder a janelinha no jato da extrema direita, onde foi colocado pelo pai. Flávio será finalmente confrontado com a realidade que muitas vezes ficou encoberta ou inconclusa, por suas ligações com milicianos.
Acabou sendo derrotado por negócios cinematográficos com um banqueiro bandido, e não por suas conexões com os amigos de rachadinhas de Rio das Pedras. Caiu quando todos achavam que Vorcaro se relacionava apenas com o pessoal de Ciro Nogueira no centrão.
Não foram os milicianos cariocas, foi um gângster do submundo da Faria Lima, com seu dinheiro sujo, que acabou com Flávio. É o que está agora no roteiro como final do filme sobre O Filho Ungido. Flávio terá forças para conseguir mudá-lo?
Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.
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