AMIGO DO TRABALHO

Colegas vêm e vão, bom dia, boa tarde, bom almoço, até amanhã. Amigos não

Fonte: José Danilo Rangel/Foto: Pexels.com - Publicada em 22 de maio de 2026 às 09:12

AMIGO DO TRABALHO

Mau hábito talvez, força de expressão, resquícios da infância no interior, algo por aí? Não sei… mas costumava chamar todo mundo de amigo. Falou comigo uma vez, amigo. Trabalhamos no mesmo orgão: amigo. É meu chefe: amigo. Era tanta e tão evidente a flexibilização do termo que a Vanessa, reparando na presepada, já chegou a me dizer: amor, tu chama todo mundo de amigo. E sim, eu chamava mesmo. E não via problema. 

Como uma criança chegando da escolinha, depois de horas de atividades lúdicas com os coleguinhas, chegava em casa e contava as histórias do dia com os meus amigos. Sabe aquele meu amigo que trabalha no RH? E aquele outro, da borracharia? Meu amigo pra cá, meu amigo pra lá…

Pra mim, o estranho era chamar alguém de colega. Parecia um nível abaixo. O colega de trabalho. Dizer que alguém é um cara lá no trabalho. De vez em quando, eu acertava, chamava o amigo de amigo. Porém, ao chamar todo mundo de amigo, não dava pra saber quem é quem, porque colocava todo mundo no mesmo patamar e se elevava o colega, rebaixava o amigo.

O trabalho lembra um pouco a escola, ninguém escolhe as pessoas ao redor. Se a gente dá azar, passa os dias preso em um lugar incômodo. Isso até adoece a gente. Se a gente tem sorte, o convívio é bom.

Agora, se o Universo está mesmo de bom humor, acaba nos agraciando com um amigo, até dois! Em tempos de competitividade intensa, é um pequeno milagre. E é um grande erro chamar de colega, botar a pessoa amiga na mesma categoria.

Aí, o amigo do trabalho vai embora, por motivos de crescimento profissional. Isso quer dizer que as coisas vão mudar, principalmente na hora do “recreio”.

Colegas vêm e vão, bom dia, boa tarde, bom almoço, até amanhã. Amigos não. Eles vêm, batem ponto no nosso coração, e quando vão, a gente sente. Esse meu amigo nem foi assim tão longe, está a uma mensagem de distância, e está muito melhor, eu sei e fico feliz por ele, ainda assim, impossível não sentir falta.

AMIGO DO TRABALHO

Colegas vêm e vão, bom dia, boa tarde, bom almoço, até amanhã. Amigos não

José Danilo Rangel/Foto: Pexels.com
Publicada em 22 de maio de 2026 às 09:12
AMIGO DO TRABALHO

Mau hábito talvez, força de expressão, resquícios da infância no interior, algo por aí? Não sei… mas costumava chamar todo mundo de amigo. Falou comigo uma vez, amigo. Trabalhamos no mesmo orgão: amigo. É meu chefe: amigo. Era tanta e tão evidente a flexibilização do termo que a Vanessa, reparando na presepada, já chegou a me dizer: amor, tu chama todo mundo de amigo. E sim, eu chamava mesmo. E não via problema. 

Como uma criança chegando da escolinha, depois de horas de atividades lúdicas com os coleguinhas, chegava em casa e contava as histórias do dia com os meus amigos. Sabe aquele meu amigo que trabalha no RH? E aquele outro, da borracharia? Meu amigo pra cá, meu amigo pra lá…

Pra mim, o estranho era chamar alguém de colega. Parecia um nível abaixo. O colega de trabalho. Dizer que alguém é um cara lá no trabalho. De vez em quando, eu acertava, chamava o amigo de amigo. Porém, ao chamar todo mundo de amigo, não dava pra saber quem é quem, porque colocava todo mundo no mesmo patamar e se elevava o colega, rebaixava o amigo.

O trabalho lembra um pouco a escola, ninguém escolhe as pessoas ao redor. Se a gente dá azar, passa os dias preso em um lugar incômodo. Isso até adoece a gente. Se a gente tem sorte, o convívio é bom.

Agora, se o Universo está mesmo de bom humor, acaba nos agraciando com um amigo, até dois! Em tempos de competitividade intensa, é um pequeno milagre. E é um grande erro chamar de colega, botar a pessoa amiga na mesma categoria.

Aí, o amigo do trabalho vai embora, por motivos de crescimento profissional. Isso quer dizer que as coisas vão mudar, principalmente na hora do “recreio”.

Colegas vêm e vão, bom dia, boa tarde, bom almoço, até amanhã. Amigos não. Eles vêm, batem ponto no nosso coração, e quando vão, a gente sente. Esse meu amigo nem foi assim tão longe, está a uma mensagem de distância, e está muito melhor, eu sei e fico feliz por ele, ainda assim, impossível não sentir falta.

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