Cidades inteligentes são a saída para vencer o desafio do trânsito nas grandes metrópoles

Engarrafamentos e acidentes de trânsito geram mais de R$ 50 bilhões de prejuízo ao Brasil por ano. Uso de big data e inteligência artificial podem ser o caminho para um tráfego eficiente e melhorias no transporte público das grandes metrópoles

Fonte: Falconi, Vinicius Brum - Publicada em 07 de dezembro de 2024 às 13:06

Vice-Presidente para Saúde e Farma, Saneamento, Educação e Serviços Públicos da Falconi, Vinicius Brum

O trânsito no Brasil é considerado um dos piores do mundo. Um dos fatores é o crescimento do número de veículos em vias públicas – atualmente são mais de 100 milhões de carros, o equivalente a quase metade da população estimada em 212,5 milhões de pessoas pelo IBGE em 2024. A frota, além de causar engarrafamentos e transporte público ineficientes, reflete no aumento de acidentes em todo o país. Um prejuízo anual de R$ 50 bilhões aos cofres públicos, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP).

Os mais recentes números do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), corroboram a eficácia destas soluções para o desenrolar do trânsito nacional. É que, segundo a instituição, entre os anos 2020 e 2024 houve aumento da fiscalização em vias federais, através do uso de tecnologia, resultando no decréscimo de indenizações e, consequentemente, no registro de acidentes.

Contudo, esse ciclo de ocorrências ainda gera um alerta, já que impõe uma carga significativa ao sistema de saúde pública e à gestão das cidades. De acordo com o Ipea, o custo médio de um acidente fatal em rodovias brasileiras pode ultrapassar R$ 800 mil, considerando despesas com socorro, hospitalização, reabilitação. Além disso, as incapacitações permanentes também geram impactos econômicos e sociais duradouros.

Um dos caminhos para superar desafios em mobilidade estão nas inovações que transformam metrópoles em cidades inteligentes. Elas integram sistemas de big data, inteligência artificial e redes de comunicação que não só ajudam a melhorar o fluxo, como garantem segurança aos pedestres, além de transporte público mais rápido.

As cidades inteligentes também trazem bem-estar social à população. Elas permitem a criação de sistemas que integram ciclovias com o transporte urbano e intermunicipal, o uso de aplicativos de estacionamento e, principalmente, a implementação de uma rede de semáforos inteligentes. Essas são algumas das melhores soluções para deixar a rotina da população menos estressante e rápida no trânsito das grandes cidades.

Conheça, a seguir, outras soluções que transformam as cidades e trazem benefícios para a sociedade:

Transporte público inteligente: a integração de tecnologias como sensores, GPS e sistemas de monitoramento em tempo real permite uma gestão mais eficiente de frotas de ônibus, metrôs e trens. Isso melhora a pontualidade, otimiza rotas e permite que os usuários acessem informações precisas sobre horários e trajetos. A adoção de plataformas digitais também facilita o pagamento eletrônico de bilhetes integrados.

Sistemas de mobilidade como serviço (MaaS): o conceito envolve a integração de diversos meios de transporte em um único serviço, permitindo que os usuários planejem e paguem por suas viagens de maneira contínua, combinando ônibus, metrô, bicicletas compartilhadas, caronas e até serviços de transporte por aplicativos.

Vias inteligentes e semáforos conectados: uso de semáforos equipados com sensores e conectados a sistemas de gestão de tráfego, permite uma resposta ágil às condições das vias, como acidentes ou congestionamentos, melhorando o fluxo de automóveis. As vias se adaptam em tempo real, reorganizando o trânsito conforme demanda, além de facilitar a priorização de veículos de emergência e transporte público.

Integração de bicicletas e scooters compartilhadas: sistemas de micromobilidade, como bicicletas e scooters elétricas compartilhadas, complementam o transporte e oferecem uma solução sustentável para deslocamentos curtos. Esses modais são integrados aos aplicativos de transporte, criando opções acessíveis e convenientes.

Para desenvolver o conceito de cidades inteligentes, o poder público precisa investir em ações. Em resumo, porque o Estado não consegue fazer tudo sozinho — e nem precisa. É aí que entra a colaboração com toda a sociedade, como empresas privadas e a própria população. As ações são:

Parcerias público-privadas: o envolvimento do setor privado, por meio de parcerias com governos, permite acessar tecnologias de ponta e investimento necessário para a infraestrutura inteligente. Essas colaborações podem acelerar a implementação e a inovação nas soluções de mobilidade.

Foco na sustentabilidade: as soluções devem estar alinhadas com os princípios de sustentabilidade, como a redução de emissões de carbono e o incentivo ao uso de transporte público e modais ativos (como bicicletas). Planejar redes de transporte que favoreçam a eficiência energética e a redução do impacto ambiental é fundamental.

Participação cidadã: é preciso envolver os cidadãos no planejamento das soluções de transporte e mobilidade, ouvindo suas necessidades e sugestões, melhorando a adesão às novas tecnologias e garantindo que as soluções respondam às reais demandas da população.

Investimento em inclusão digital: a universalização do acesso às tecnologias e à internet é essencial para que todos possam se beneficiar das soluções de mobilidade inteligente. Iniciativas que visem a inclusão digital devem ser promovidas paralelamente ao desenvolvimento das infraestruturas.

Cidades inteligentes são a saída para vencer o desafio do trânsito nas grandes metrópoles

Engarrafamentos e acidentes de trânsito geram mais de R$ 50 bilhões de prejuízo ao Brasil por ano. Uso de big data e inteligência artificial podem ser o caminho para um tráfego eficiente e melhorias no transporte público das grandes metrópoles

Falconi, Vinicius Brum
Publicada em 07 de dezembro de 2024 às 13:06

Vice-Presidente para Saúde e Farma, Saneamento, Educação e Serviços Públicos da Falconi, Vinicius Brum

O trânsito no Brasil é considerado um dos piores do mundo. Um dos fatores é o crescimento do número de veículos em vias públicas – atualmente são mais de 100 milhões de carros, o equivalente a quase metade da população estimada em 212,5 milhões de pessoas pelo IBGE em 2024. A frota, além de causar engarrafamentos e transporte público ineficientes, reflete no aumento de acidentes em todo o país. Um prejuízo anual de R$ 50 bilhões aos cofres públicos, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP).

Os mais recentes números do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), corroboram a eficácia destas soluções para o desenrolar do trânsito nacional. É que, segundo a instituição, entre os anos 2020 e 2024 houve aumento da fiscalização em vias federais, através do uso de tecnologia, resultando no decréscimo de indenizações e, consequentemente, no registro de acidentes.

Contudo, esse ciclo de ocorrências ainda gera um alerta, já que impõe uma carga significativa ao sistema de saúde pública e à gestão das cidades. De acordo com o Ipea, o custo médio de um acidente fatal em rodovias brasileiras pode ultrapassar R$ 800 mil, considerando despesas com socorro, hospitalização, reabilitação. Além disso, as incapacitações permanentes também geram impactos econômicos e sociais duradouros.

Um dos caminhos para superar desafios em mobilidade estão nas inovações que transformam metrópoles em cidades inteligentes. Elas integram sistemas de big data, inteligência artificial e redes de comunicação que não só ajudam a melhorar o fluxo, como garantem segurança aos pedestres, além de transporte público mais rápido.

As cidades inteligentes também trazem bem-estar social à população. Elas permitem a criação de sistemas que integram ciclovias com o transporte urbano e intermunicipal, o uso de aplicativos de estacionamento e, principalmente, a implementação de uma rede de semáforos inteligentes. Essas são algumas das melhores soluções para deixar a rotina da população menos estressante e rápida no trânsito das grandes cidades.

Conheça, a seguir, outras soluções que transformam as cidades e trazem benefícios para a sociedade:

Transporte público inteligente: a integração de tecnologias como sensores, GPS e sistemas de monitoramento em tempo real permite uma gestão mais eficiente de frotas de ônibus, metrôs e trens. Isso melhora a pontualidade, otimiza rotas e permite que os usuários acessem informações precisas sobre horários e trajetos. A adoção de plataformas digitais também facilita o pagamento eletrônico de bilhetes integrados.

Sistemas de mobilidade como serviço (MaaS): o conceito envolve a integração de diversos meios de transporte em um único serviço, permitindo que os usuários planejem e paguem por suas viagens de maneira contínua, combinando ônibus, metrô, bicicletas compartilhadas, caronas e até serviços de transporte por aplicativos.

Vias inteligentes e semáforos conectados: uso de semáforos equipados com sensores e conectados a sistemas de gestão de tráfego, permite uma resposta ágil às condições das vias, como acidentes ou congestionamentos, melhorando o fluxo de automóveis. As vias se adaptam em tempo real, reorganizando o trânsito conforme demanda, além de facilitar a priorização de veículos de emergência e transporte público.

Integração de bicicletas e scooters compartilhadas: sistemas de micromobilidade, como bicicletas e scooters elétricas compartilhadas, complementam o transporte e oferecem uma solução sustentável para deslocamentos curtos. Esses modais são integrados aos aplicativos de transporte, criando opções acessíveis e convenientes.

Para desenvolver o conceito de cidades inteligentes, o poder público precisa investir em ações. Em resumo, porque o Estado não consegue fazer tudo sozinho — e nem precisa. É aí que entra a colaboração com toda a sociedade, como empresas privadas e a própria população. As ações são:

Parcerias público-privadas: o envolvimento do setor privado, por meio de parcerias com governos, permite acessar tecnologias de ponta e investimento necessário para a infraestrutura inteligente. Essas colaborações podem acelerar a implementação e a inovação nas soluções de mobilidade.

Foco na sustentabilidade: as soluções devem estar alinhadas com os princípios de sustentabilidade, como a redução de emissões de carbono e o incentivo ao uso de transporte público e modais ativos (como bicicletas). Planejar redes de transporte que favoreçam a eficiência energética e a redução do impacto ambiental é fundamental.

Participação cidadã: é preciso envolver os cidadãos no planejamento das soluções de transporte e mobilidade, ouvindo suas necessidades e sugestões, melhorando a adesão às novas tecnologias e garantindo que as soluções respondam às reais demandas da população.

Investimento em inclusão digital: a universalização do acesso às tecnologias e à internet é essencial para que todos possam se beneficiar das soluções de mobilidade inteligente. Iniciativas que visem a inclusão digital devem ser promovidas paralelamente ao desenvolvimento das infraestruturas.

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