Delegado Camargo fiscaliza Casa do Ancião e denuncia abandono
Segundo o deputado, a fiscalização registrou superlotação, banheiros sem acessibilidade, estruturas improvisadas, entre outros problemas
Durante a visita, o deputado estadual Delegado Camargo percorreu quartos, banheiros, área de alimentação e espaços destinados aos profissionais.
A fiscalização realizada no dia 28 de janeiro na Casa do Ancião, em Porto Velho, expôs um cenário de precariedade estrutural, improvisos e risco direto à saúde de idosos acolhidos. A unidade é gerida pela Secretaria de Estado da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas). Durante a visita, o deputado estadual Delegado Camargo (Republicanos) percorreu quartos, banheiros, área de alimentação e espaços destinados aos profissionais, registrando problemas que, segundo ele, evidenciam descaso do governo com a dignidade de quem depende do acolhimento público.
Em vídeo divulgado em suas redes sociais, Camargo classificou a situação como “campo de concentração de idosos” e “falta de humanidade”, apontando que o que viu não é falha pontual, mas um conjunto de problemas repetidos e visíveis, que se acumulam há tempo sem solução.
Quartos com mofo, pouca luz e camas sem condições mínimas
Nos dormitórios, Camargo relatou camas inadequadas para idosos, muitas delas velhas e enferrujadas. Profissionais informaram que precisam levantar idosos manualmente, já que a estrutura não atende às limitações físicas de quem está acolhido. O deputado também apontou lençóis deteriorados e um padrão de acomodação precário.
Outro ponto destacado foi a presença de mofo excessivo, com potencial de agravar problemas respiratórios em idosos vulneráveis. A falta de iluminação também foi registrada, com diversas lâmpadas queimadas, deixando ambientes escuros e inseguros.
Calor extremo e ausência de ventilação
A fiscalização também apontou falta de climatização e ausência de ventilação natural. Camargo relatou insuficiência de ar-condicionado e a inexistência de janelas capazes de garantir circulação de ar. Um idoso relatou a situação diretamente. “Ficamos no calor aqui.”
Para o deputado, esse fator agrava o risco, já que idosos são mais suscetíveis a desidratação, mal-estar e agravamento de doenças quando submetidos a ambientes fechados e quentes por longos períodos.
Superlotação e equipe no limite
Camargo relatou superlotação em ambientes internos e afirmou que a concentração de idosos compromete a dignidade do acolhimento e aumenta a probabilidade de falhas no atendimento. Profissionais ouvidos falaram em sobrecarga, escalas exaustivas e falta de servidores suficientes.
O deputado lembrou que existe concurso realizado pela SEAS e que falta o Governo convocar os aprovados, o que poderia reforçar a equipe e reduzir a pressão sobre os profissionais que já atuam na unidade.
Banheiros improvisados, sem acessibilidade e banho em água fria
Nos banheiros, Camargo relatou falta de acessibilidade e estruturas improvisadas. Segundo o deputado, os banhos são feitos em água gelada, sem aquecimento, sendo encontradas “gambiarras” para suprir ausência de equipamentos adequados. Um dos exemplos relatados foi o uso de cadeira de banho amarrada com luva utilizada por enfermeiros.
O parlamentar classificou o cenário como indigno e perigoso, considerando principalmente a mobilidade reduzida e a fragilidade do público atendido.
Alimentos misturados a produtos de limpeza e equipamentos
Na área de alimentação, Camargo denunciou falta de estrutura e organização, relatando que alimentos estariam armazenados no mesmo ambiente em que havia materiais de limpeza e cadeiras de rodas. O deputado questionou se a Vigilância Sanitária está ciente da situação e cobrou providências.
Profissionais relatam perseguição, direitos trabalhistas e ambiente degradante
Durante a visita, Camargo conversou com profissionais que relataram sobrecarga, denúncias de perseguição e problemas relacionados ao pagamento de direitos trabalhistas, incluindo pisos salariais. Segundo os relatos, o ambiente de pressão e precariedade estaria levando a pedidos de demissão e impactos psicológicos em servidores.
A área de descanso dos profissionais também foi alvo de críticas. Camargo disse que ouviu a definição de “cativeiro”, em referência à falta de espaço e de condições mínimas, inclusive para guardar pertences.
Cobrança ao Governo e anúncio de emenda
Camargo afirmou que não ficaria apenas na denúncia. Anunciou que irá destinar emenda parlamentar de autoria própria para melhorias na unidade, defendendo que o Estado falhou na manutenção e no cuidado básico.
Ao final, o deputado cobrou diretamente o governador Marcos Rocha e a secretária Luana Rocha, questionando se já visitaram a Casa do Ancião e solicitando reação imediata. “Governador Marcos Rocha, secretária Luana Rocha, da Seas, vocês já visitaram isso aqui. Deem uma olhada na falta de humanidade com as pessoas.”
O que a fiscalização expôs
Segundo o deputado, a fiscalização registrou superlotação, banheiros sem acessibilidade, estruturas improvisadas, banho em água gelada, camas inadequadas e enferrujadas, lençóis deteriorados, calor extremo por falta de climatização e ventilação, mofo excessivo, iluminação deficiente, fiação elétrica exposta, desorganização na área de alimentação e profissionais atuando no limite por falta de servidores e desvalorização.
A Casa do Ancião deveria ser acolhimento e cuidado. O que a fiscalização de Delegado Camargo expôs foi um cenário de abandono, com impacto direto sobre idosos e trabalhadores. Agora, a resposta do Governo e da Seas precisa ser concreta, urgente e dentro da unidade, onde o problema está acontecendo.
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