Denúncias de assédio eleitoral no trabalho quase dobram no Paraná
MPT no Paraná destaca que casos continuam aumentando
Curitiba - Entre os dias 4 e 25 de outubro, datas em que ocorreram o primeiro e o segundo turno das eleições no Brasil, o número de denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho quase dobrou no Paraná. Até a noite do dia 4 de outubro, 75 tinham sido registradas no Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR). Já o número de denúncias protocoladas até a noite de 25 de outubro subiu para 142, quase o dobro do que tinha sido recebido até o término do primeiro turno.
O MPT-PR, entretanto, continua recebendo denúncias de assédio eleitoral mesmo após o encerramento das eleições. Até às 14h do dia 27 de outubro, o número de denúncias registradas já tinha subido para 198, demonstrando que os casos de assédio eleitoral continuam acontecendo, mesmo após o término do pleito, com registros de ameaças de demissões vinculadas a posicionamento político, assim como outros tipos de conduta de empresário e cidadãos como forma de intimidação e coação a trabalhadoras e trabalhadores.
“O aumento exponencial das denúncias nas eleições em 2026 possui múltiplos fatores, podendo se destacar a maior conscientização da população sobre a ilicitude do assédio eleitoral, bem como o clima de polarização nessas eleições, em especial em relação às eleições presidenciais. O MPT está atento aos casos denunciados e tem atuado prontamente para inibir essa prática nefasta e garantir a liberdade de voto e manifestação política dos trabalhadores”, afirma o procurador do Trabalho Daniel Carvalho Oliveira, coordenador regional da Coordenadoria Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade).
Como denunciar
Trabalhadoras e trabalhadores que sofreram ou presenciaram ameaças, intimidações, constrangimentos ou outras formas de pressão relacionadas ao voto ou à preferência política podem denunciar as condutas à instituição, inclusive aquelas praticadas após a divulgação dos resultados eleitorais. As denúncias podem envolver tanto situações ocorridas durante o período de campanha quanto represálias posteriores ao resultado das urnas, como ameaças de demissão, recusa de contratação e outras medidas motivadas pela escolha política do trabalhador. As práticas também podem ocorrer em ambientes digitais, por meio de mensagens, nas redes sociais e outras formas de comunicação.
Quem sofreu ou presenciou situações de assédio eleitoral pode registrar uma denúncia de forma sigilosa pelo canal online do MPT-PR, disponível 24 horas por dia: www.prt9.mpt.mp.br. Também é possível comparecer presencialmente em qualquer uma das sete unidades do MPT no Estado (os endereços também estão disponíveis no site). O horário de funcionamento é das 10h às 17h, de segunda à sexta-feira.
Vereador de Curitiba deve se retratar por assédio eleitoral a trabalhadores
Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, vereador e deputado federal eleito Guilherme Kilter aparece incitando empresários a demitirem trabalhadoras e trabalhadores que tenham votado em determinado candidato
MPT recebe 530 denúncias de assédio eleitoral após resultado das eleições
Em dois dias, instituição registrou 21,4% do total de denúncias recebidas em 2026 em razão de retaliações contra trabalhadores que votaram em determinado candidato
MPT obriga vereador de Ijuí a se retratar por discriminação política
Vídeos devem ser retirados das redes sociais do réu, e substituídos por retratação; em caso de descumprimento, ele deve pagar multas




Comentários
Seja o primeiro a comentar
Envie Comentários utilizando sua conta do Facebook