Justiça Rápida supera 100 atendimentos na Aldeia Serrinha
A ação facilita o acesso a serviços essenciais e contribui para o reconhecimento de direitos e da identidade dos povos indígenas
O acesso à Justiça ganhou um significado especial para os moradores da Aldeia Serrinha, onde vivem pessoas de mais de dez etnias indígenas. A aldeia está localizada na Terra Indígena Rio Branco, no município de Alta Floresta D'Oeste, interior de Rondônia. No primeiro dia de atendimento da Justiça Rápida Itinerante na comunidade, na terça-feira (13), foram realizados mais de 100 atendimentos, entre retificações de certidões de nascimento, inclusão de nomes indígenas e oficialização de casamentos. A ação facilita o acesso a serviços essenciais e contribui para o reconhecimento de direitos e da identidade dos povos indígenas.
Para o cacique Raul Pat’Ware Tupari, que oficializou a união com Cleuza Kampé durante a ação, a presença da equipe na aldeia representa uma oportunidade importante para a comunidade, que enfrenta dificuldades para se deslocar até a cidade.
“Foi muito maravilhoso ter a ação da Justiça Rápida aqui na aldeia, porque a gente nunca teve e temos muita dificuldade de levar as pessoas para a cidade por falta de logística”, destacou.

Documentos que respeitam a identidade indígena
Entre as principais demandas apresentadas pelos moradores estão a retificação de certidões de nascimento e a correção de informações registradas nos documentos. Segundo o cacique Raul, parte dessas inconsistências tem origem na forma como os nomes indígenas eram registrados antigamente, quando a pronúncia das línguas originárias nem sempre era compreendida por quem emitia os documentos.
“Temos várias pessoas com problemas na documentação com nome errado, porque na época em que começaram a fazer nossos documentos não sabiam pronunciar o nosso nome indígena e fazia do jeito que ouvia, usava a língua portuguesa. Hoje temos o nosso idioma estudado, a nossa gramática definida, daí queremos consertar do jeito que a gente pronuncia”, explicou.
A possibilidade de corrigir esses registros representa a atualização documental, buscar o reconhecimento de seus nomes de acordo com a forma como são pronunciados e com a identidade que carregam. Como nas histórias de Manoel e Joana.
Aos 88 anos, Manoel Francisco Tupari passou a se chamar Manoel Francisco Amonai Tupari, incorporando ao nome registrado oficialmente uma identificação indígena que descobriu fazer parte de sua história.

“Morei muito tempo em Guajará-Mirim e andei por muitos municípios de Rondônia, até que voltei pra cá, estava com muita saudade da minha família. Depois que eu voltei que soube que tinha esse nome, meu irmão mais velho me contou que eu tinha nome indígena sim!”, relatou.
E aos 90 anos, Joana Tupari também teve seu nome indígena incluído no registro civil e passou a se chamar Joana Säirísa Tupari. As duas histórias são exemplos de como a regularização documental pode contribuir para registrar aspectos importantes da trajetória e da identidade de cada pessoa.
Depois de 50 anos juntos, o casamento oficializado
A ação também foi marcada por histórias de amor e companheirismo. Severino Tigui Tupari e Tereza Tupari oficializaram a união após 50 anos juntos. Pais de oito filhos, eles aproveitaram a oportunidade oferecida pela Justiça Rápida para formalizar uma relação construída ao longo de cinco décadas.

“A gente nunca se separou, desde quando decidimos ficar juntos. Fazia tempo que pensava em casar, até que veio essa oportunidade”, contou Severino.
As histórias de pessoas que corrigem seus documentos, incluindo seus nomes indígenas ou oficializaram uniões de décadas mostram como a presença da Justiça pode fazer diferença na vida das comunidades, promovendo cidadania, reconhecimento e acesso a direitos.

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