Novos voos em Rondônia estreiam com tarifas elevadas

Levantamento do Escudo Coletivo identificou passagens de até R$ 4,9 mil entre Cuiabá, Cacoal e Ji-Paraná, em contexto de advertência judicial sobre preços excessivos no estado

Fonte: Escudo Coletivo - Publicada em 16 de março de 2026 às 10:44

Novos voos em Rondônia estreiam com tarifas elevadas

Os novos voos anunciados pela Azul para o interior de Rondônia começaram a aparecer no sistema da companhia, mas com preços que mantêm a crise aérea sob outro ângulo. Em consultas para abril e junho de 2026, foram localizadas tarifas entre R$ 3.743,37 e R$ 4.916,73 em trechos diretos entre Cuiabá, Cacoal e Ji-Paraná.

No trecho Cacoal–Cuiabá, pesquisado para 14 de abril de 2026, a passagem apareceu por R$ 4.748,65. No sentido contrário, Cuiabá–Cacoal, em 25 de abril de 2026, a tarifa foi localizada por R$ 4.657,83. A ida e volta soma R$ 9.406,48.

Em Ji-Paraná, os valores também chamam atenção. O trecho Cuiabá–Ji-Paraná, consultado para 24 de abril de 2026, apareceu por R$ 4.916,73. Já o voo Ji-Paraná–Cuiabá, em 8 de junho de 2026, estava disponível por R$ 3.743,37. A ida e volta, nesse caso, chega a R$ 8.660,10.

Acesso real aos serviços

Para o Instituto Escudo Coletivo, o problema está na baixa quantidade de voos e no acesso real ao serviço. A avaliação é de que anunciar voos sem preço compatível com a realidade regional apenas mascara o problema de conectividade que Rondônia enfrenta desde 2023, quando a malha aérea do estado sofreu forte retração.

Aeroportos reformados e demanda reprimida

Cacoal, Ji-Paraná e Vilhena têm peso econômico e logístico relevante em Rondônia, com alta demanda reprimida. Cacoal, importante polo da cafeicultura, teve o aeroporto reformado e ampliado. Ji-Paraná sedia a Rondônia Rural Show, maior feira do agronegócio da Região Norte. Já Vilhena, que também recebeu obras recentes em seu aeroporto, é porta de entrada para deslocamentos turísticos e de pesca esportiva na região do rio Guaporé.

Comparação com outras rotas

Em consultas realizadas para o dia 14 de abril, foram identificados valores bem inferiores em rotas que ligam cidades do interior a capitais ou grandes centros de outros estados. O trecho Presidente Prudente–Rio de Janeiro apareceu por R$ 650,30, e São José do Rio Preto–Belo Horizonte, por R$ 1.071,07. A discrepância também se repete na comparação entre capitais da Região Norte com o mesmo destino. No dia 15 de abril, enquanto Rio Branco–Cuiabá apareceu por R$ 1.985,47 e Manaus–Cuiabá, por R$ 1.484,42, o trecho Porto Velho–Cuiabá foi disponibilizado por R$ 4.727,92.

Advertência judicial sobre possível “desacato”

A discussão já apareceu em ação civil pública que trata da crise aérea em Rondônia. Em decisão de dezembro de 2024, após pedido do Escudo Coletivo, a 2ª Vara de Fazenda Pública de Porto Velho determinou que Azul e Gol mantenham, na capital, índices de atrasos e cancelamentos compatíveis com a média nacional.

No mesmo ato, o magistrado advertiu que poderá agir de ofício caso identifique prática que possa caracterizar “desacato ao Tribunal”, a exemplo da “adoção de tarifas excessivas no estado em comparação a outras regiões próximas”.

Próximos passos

Os novos valores tendem a reforçar o debate sobre acesso real e tratamento justo no transporte aéreo regional. Resta saber se os novos voos representarão, de fato, alguma melhora concreta para Rondônia ou apenas uma resposta insuficiente diante da dimensão da crise.

(Processo n. 7051335-44.2023.8.22.0001 – 2ª Vara de Fazenda Pública de Porto Velho/RO)

 

 

Novos voos em Rondônia estreiam com tarifas elevadas

Levantamento do Escudo Coletivo identificou passagens de até R$ 4,9 mil entre Cuiabá, Cacoal e Ji-Paraná, em contexto de advertência judicial sobre preços excessivos no estado

Escudo Coletivo
Publicada em 16 de março de 2026 às 10:44
Novos voos em Rondônia estreiam com tarifas elevadas

Os novos voos anunciados pela Azul para o interior de Rondônia começaram a aparecer no sistema da companhia, mas com preços que mantêm a crise aérea sob outro ângulo. Em consultas para abril e junho de 2026, foram localizadas tarifas entre R$ 3.743,37 e R$ 4.916,73 em trechos diretos entre Cuiabá, Cacoal e Ji-Paraná.

No trecho Cacoal–Cuiabá, pesquisado para 14 de abril de 2026, a passagem apareceu por R$ 4.748,65. No sentido contrário, Cuiabá–Cacoal, em 25 de abril de 2026, a tarifa foi localizada por R$ 4.657,83. A ida e volta soma R$ 9.406,48.

Em Ji-Paraná, os valores também chamam atenção. O trecho Cuiabá–Ji-Paraná, consultado para 24 de abril de 2026, apareceu por R$ 4.916,73. Já o voo Ji-Paraná–Cuiabá, em 8 de junho de 2026, estava disponível por R$ 3.743,37. A ida e volta, nesse caso, chega a R$ 8.660,10.

Acesso real aos serviços

Para o Instituto Escudo Coletivo, o problema está na baixa quantidade de voos e no acesso real ao serviço. A avaliação é de que anunciar voos sem preço compatível com a realidade regional apenas mascara o problema de conectividade que Rondônia enfrenta desde 2023, quando a malha aérea do estado sofreu forte retração.

Aeroportos reformados e demanda reprimida

Cacoal, Ji-Paraná e Vilhena têm peso econômico e logístico relevante em Rondônia, com alta demanda reprimida. Cacoal, importante polo da cafeicultura, teve o aeroporto reformado e ampliado. Ji-Paraná sedia a Rondônia Rural Show, maior feira do agronegócio da Região Norte. Já Vilhena, que também recebeu obras recentes em seu aeroporto, é porta de entrada para deslocamentos turísticos e de pesca esportiva na região do rio Guaporé.

Comparação com outras rotas

Em consultas realizadas para o dia 14 de abril, foram identificados valores bem inferiores em rotas que ligam cidades do interior a capitais ou grandes centros de outros estados. O trecho Presidente Prudente–Rio de Janeiro apareceu por R$ 650,30, e São José do Rio Preto–Belo Horizonte, por R$ 1.071,07. A discrepância também se repete na comparação entre capitais da Região Norte com o mesmo destino. No dia 15 de abril, enquanto Rio Branco–Cuiabá apareceu por R$ 1.985,47 e Manaus–Cuiabá, por R$ 1.484,42, o trecho Porto Velho–Cuiabá foi disponibilizado por R$ 4.727,92.

Advertência judicial sobre possível “desacato”

A discussão já apareceu em ação civil pública que trata da crise aérea em Rondônia. Em decisão de dezembro de 2024, após pedido do Escudo Coletivo, a 2ª Vara de Fazenda Pública de Porto Velho determinou que Azul e Gol mantenham, na capital, índices de atrasos e cancelamentos compatíveis com a média nacional.

No mesmo ato, o magistrado advertiu que poderá agir de ofício caso identifique prática que possa caracterizar “desacato ao Tribunal”, a exemplo da “adoção de tarifas excessivas no estado em comparação a outras regiões próximas”.

Próximos passos

Os novos valores tendem a reforçar o debate sobre acesso real e tratamento justo no transporte aéreo regional. Resta saber se os novos voos representarão, de fato, alguma melhora concreta para Rondônia ou apenas uma resposta insuficiente diante da dimensão da crise.

(Processo n. 7051335-44.2023.8.22.0001 – 2ª Vara de Fazenda Pública de Porto Velho/RO)

 

 

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