O cerco midiático a Alexandre de Moraes

"Nos últimos dias de 2025, o país passou a viver sob um ataque incessante de denúncias feitas em 'off'"

Fonte: Florestan Fernandes Jr - Publicada em 26 de dezembro de 2025 às 17:45

O cerco midiático a Alexandre de Moraes

Nos últimos dias de 2025, o país passou a viver sob um ataque incessante de denúncias feitas em “off”, (quando a fonte exige sigilo) contra o ministro Alexandre de Moraes.

O primeiro disparo ocorreu na segunda-feira passada (22/12), em coluna assinada por Malu Gaspar no jornal O Globo. A jornalista, amparada, segundo afirma, em seis fontes anônimas, lançou uma acusação gravíssima: a de que Moraes teria feito uma espécie de “lobby” junto ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da venda do Banco Master.

Em poucos dias, reportagens sobre o tema, baseadas única e exclusivamente em fontes sigilosas, multiplicaram-se de forma preocupante no Uol, na Folha de São Paulo e Estadão.

Tanto o ministro Alexandre de Moraes, quanto os órgãos públicos citados nas reportagens, todas desprovidas de provas materiais, divulgaram notas oficiais negando as acusações. O Banco Central e o próprio ministro do STF afirmaram que as reuniões entre Galípolo e Moraes tiveram como pauta a aplicação da Lei Magnitsky, e não qualquer tratativa relacionada ao Banco Master.

Quem trabalha ou já trabalhou nas grandes empresas da mídia corporativa sabe que temas explosivos, como o detonado pela coluna de Malu Gaspar, só chegam a ser publicados quando atendem aos interesses da direção do veículo e de seus patrocinadores. Do contrário, sequer avançam para a fase de apuração.

No caso das Organizações Globo, a denúncia em “off” ganhou destaque em praticamente todas as mídias do grupo. Ao comentar o assunto na rádio CBN, por exemplo, Merval Pereira e Carlos Alberto Sardenberg chegaram a mencionar a possibilidade de Alexandre de Moraes sofrer um pedido de impeachment no Congresso Nacional.

Em plena quinta-feira de Natal, Malu Gaspar, a meu ver, ultrapassou a linha tênue que deve nortear a relação entre jornalista e fonte, ao desafiar publicamente o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a negar “em alto e bom som” que teria sido pressionado pelo ministro Alexandre de Moraes. Quando na realidade, ela que deveria cobrar de suas fontes a liberação para a quebra do sigilo.

Em entrevista à TV 247, o jurista Pedro Serrano cobrou a apresentação das provas: “Não questiono o direito da jornalista ao sigilo da fonte, e sim a ética de promover uma acusação tão grave somente com base em fontes sigilosas”.

O que se vê neste episódio é a naturalização de acusações gravíssimas sustentadas exclusivamente por fontes anônimas, amplificadas de forma coordenada por grandes veículos, sem a devida apresentação de evidências concretas. Ao deslocar o ônus da prova para os acusados e transformar o “off” em instrumento de pressão política, corre-se o risco de corroer não apenas reputações individuais, mas a própria credibilidade do jornalismo e das instituições democráticas que ele deveria fortalecer.

Florestan Fernandes Jr

Florestan Fernandes Júnior é jornalista, escritor e Diretor de Redação do Brasil 247

O cerco midiático a Alexandre de Moraes

"Nos últimos dias de 2025, o país passou a viver sob um ataque incessante de denúncias feitas em 'off'"

Florestan Fernandes Jr
Publicada em 26 de dezembro de 2025 às 17:45
O cerco midiático a Alexandre de Moraes

Nos últimos dias de 2025, o país passou a viver sob um ataque incessante de denúncias feitas em “off”, (quando a fonte exige sigilo) contra o ministro Alexandre de Moraes.

O primeiro disparo ocorreu na segunda-feira passada (22/12), em coluna assinada por Malu Gaspar no jornal O Globo. A jornalista, amparada, segundo afirma, em seis fontes anônimas, lançou uma acusação gravíssima: a de que Moraes teria feito uma espécie de “lobby” junto ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da venda do Banco Master.

Em poucos dias, reportagens sobre o tema, baseadas única e exclusivamente em fontes sigilosas, multiplicaram-se de forma preocupante no Uol, na Folha de São Paulo e Estadão.

Tanto o ministro Alexandre de Moraes, quanto os órgãos públicos citados nas reportagens, todas desprovidas de provas materiais, divulgaram notas oficiais negando as acusações. O Banco Central e o próprio ministro do STF afirmaram que as reuniões entre Galípolo e Moraes tiveram como pauta a aplicação da Lei Magnitsky, e não qualquer tratativa relacionada ao Banco Master.

Quem trabalha ou já trabalhou nas grandes empresas da mídia corporativa sabe que temas explosivos, como o detonado pela coluna de Malu Gaspar, só chegam a ser publicados quando atendem aos interesses da direção do veículo e de seus patrocinadores. Do contrário, sequer avançam para a fase de apuração.

No caso das Organizações Globo, a denúncia em “off” ganhou destaque em praticamente todas as mídias do grupo. Ao comentar o assunto na rádio CBN, por exemplo, Merval Pereira e Carlos Alberto Sardenberg chegaram a mencionar a possibilidade de Alexandre de Moraes sofrer um pedido de impeachment no Congresso Nacional.

Em plena quinta-feira de Natal, Malu Gaspar, a meu ver, ultrapassou a linha tênue que deve nortear a relação entre jornalista e fonte, ao desafiar publicamente o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a negar “em alto e bom som” que teria sido pressionado pelo ministro Alexandre de Moraes. Quando na realidade, ela que deveria cobrar de suas fontes a liberação para a quebra do sigilo.

Em entrevista à TV 247, o jurista Pedro Serrano cobrou a apresentação das provas: “Não questiono o direito da jornalista ao sigilo da fonte, e sim a ética de promover uma acusação tão grave somente com base em fontes sigilosas”.

O que se vê neste episódio é a naturalização de acusações gravíssimas sustentadas exclusivamente por fontes anônimas, amplificadas de forma coordenada por grandes veículos, sem a devida apresentação de evidências concretas. Ao deslocar o ônus da prova para os acusados e transformar o “off” em instrumento de pressão política, corre-se o risco de corroer não apenas reputações individuais, mas a própria credibilidade do jornalismo e das instituições democráticas que ele deveria fortalecer.

Florestan Fernandes Jr

Florestan Fernandes Júnior é jornalista, escritor e Diretor de Redação do Brasil 247

Comentários

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    Alan Rezende 28/12/2025

    Jornalistas Pedro Serrano e Florestan Fernandes o sigilo das fontes e parte da liberdade de expressão, vocês são muitos ingênuos em desconfiar das fontes que a Malu Gaspar da Rede Globo teve para fazer está série de reportagens sobre o ministro Moraes e sua esposa que tem um contrato advocatício com o banco Master que foi liquidado no valor de 129 milhões de reais, banco este que deixou um rombo bilionário no setor financeiro de mais de 40 bilhões de reais, inclusive aos aposentados dos governos do RJ e AP. Vocês acham que se ela não tivesse prova o Alexandre de Moraes já não teria entrado com um processo contra ela de imediato com fez contra os turistas brasileiros na Itália por ter desacato ele e sua família no aeroporto.

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