Presidente do TJRO destaca transformação digital na ExpoJud
Trazendo uma reflexão de suas raízes amazônicas, o magistrado concluiu com um convite à união de esforços entre as cortes
O presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), desembargador Alexandre Miguel, participou da cerimônia de abertura do ExpoJud Orlando, evento internacional voltado exclusivamente à transformação digital no setor da Justiça, realizado na Flórida, Estados Unidos. Representando o Poder Judiciário rondoniense na mesa de abertura, o magistrado fez o pronunciamento inaugural do encontro, que reúne autoridades, magistrados, gestores e especialistas para discutir os desafios e as oportunidades da inovação tecnológica aplicada ao sistema de Justiça.
Em seu discurso, o magistrado defendeu que a verdadeira modernização do Judiciário não depende apenas da compra de tecnologias, mas sim da coordenação efetiva entre as instituições. Para contextualizar o desafio, o desembargador citou dados do relatório Justiça em Números 2026, lembrando que, apesar do volume recorde de novos processos no Brasil, houve uma queda significativa no acervo pendente, impulsionada por políticas públicas coordenadas, como a eficiência nas execuções fiscais. "A modernização da Justiça não é, primariamente, um problema de tecnologia. É um problema de coordenação entre instituições", enfatizou.
Como vitrine de boas práticas, foram apresentadas ações do TJRO para superar a fragmentação do sistema de Justiça. Ao encerrar sua fala, o desembargador Alexandre Miguel fez um importante alerta ético sobre o uso da Inteligência Artificial: o uso de sistemas automatizados não pode apagar a autoria e a responsabilidade humana nas decisões judiciais.
Trazendo uma reflexão de suas raízes amazônicas, o magistrado concluiu com um convite à união de esforços entre as cortes. "Aprendi ali que ninguém atravessa o rio sozinho, e que quem atravessa junto chega inteiro", finalizou.
Programação
O ExpoJud Orlando promove uma programação dedicada ao intercâmbio de conhecimentos, ao fortalecimento de redes de cooperação e à imersão em experiências internacionais voltadas à modernização das instituições públicas. Ao longo do evento, os participantes acompanham painéis e debates sobre tecnologias emergentes capazes de transformar a prestação jurisdicional e preparar os sistemas de Justiça para os desafios do futuro.
Entre os temas centrais da programação está a segurança cibernética, com discussões sobre estratégias para proteção de dados sensíveis e fortalecimento da infraestrutura tecnológica das instituições de Justiça diante do crescimento das ameaças digitais. Também estão em pauta iniciativas voltadas ao fortalecimento da cultura de segurança da informação e à adoção de mecanismos avançados para garantir a integridade dos processos judiciais.
Outro eixo de destaque é o papel das escolas judiciais na formação de magistrados e servidores para uma realidade cada vez mais digital. Os debates abordam a necessidade de incorporar conteúdos relacionados ao direito digital, análise de dados, inteligência artificial e novas tecnologias à formação continuada dos profissionais do sistema de Justiça.
A programação também dedica espaço aos impactos da Inteligência Artificial Generativa na atividade jurisdicional. Especialistas apresentam experiências sobre o uso da tecnologia na automatização de tarefas, no apoio à análise de processos, na otimização da gestão e na ampliação do acesso da população aos serviços judiciais, sempre observando princípios éticos e de segurança.
As discussões contemplam ainda soluções tecnológicas voltadas à simplificação da transformação digital, com foco na modernização dos serviços, na transparência institucional e na melhoria da experiência dos cidadãos que utilizam o sistema de Justiça. Tecnologias como blockchain, análise de grandes volumes de dados (Big Data) e outras ferramentas emergentes também integram a programação, demonstrando seus impactos na gestão da informação e na evolução da atividade jurisdicional.
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