Resenha do filme Memórias secretas

O roteiro então se agarra em seu trunfo: seu grande plot twist, que faz boa parte do público relevar o que veio antes, guardando na memória apenas o impacto da surpreendente virada final

Humberto Oliveira
Publicada em 06 de fevereiro de 2021 às 08:18
Resenha do filme Memórias secretas

Memórias que matam

Memórias secretas, filme de Atom Egoyam, trabalha temas como culpa, redenção, vingança e memória, estrelado por Christopher Plummer – que faleceu nesta sexta-feira, 5 de fevereiro, tem como premissa uma vingança pessoal levada a extremos, com o Holocausto como pano de fundo. Mais um assunto caro ao canadense, filho de pais armênios, que abordou o genocídio sofrido pelo seu povo pelo então Império Turco-Otomano, durante a 1ª Guerra Mundial, em “Ararat”.

Plummer, vencedor do Oscar por “Toda forma de amor”, encarna Zev Guttman, um senhor que, já em seus 90 anos, sofre com uma grave demência – provavelmente, Alzheimer – que o faz esquecer detalhes e passagens de sua vida, mas a tatuagem com seu número de prisioneiro de um campo de concentração lhe serve de lembrete sobre seu passado.

Após a morte da mulher, o imigrante alemão, que foi para os Estados Unidos, foge do asilo, com a ajuda de um colega judeu, em busca de vingança contra um algoz em comum. Mais debilitado fisicamente do que o amigo, Max Rosenbaum (Martin Landau), que também passou pelas mãos do mesmo carrasco de Auschwitz, lhe deixa instruções por cartas do plano que elaboraram para encontrar o oficial nazista que fugiu para a América do Norte usando o nome de uma de suas vítimas – existem quatro “Rudy Kurlander” nos EUA e Canadá, e um deles é interpretado por Bruno Ganz, curiosamente o Adolf de “A Queda! As Últimas Horas de Hitler”.

O roteiro então se agarra em seu trunfo: seu grande plot twist, que faz boa parte do público relevar o que veio antes, guardando na memória apenas o impacto da surpreendente virada final. É a performance de Plummer, sempre dando credibilidade e profundidade ao drama de seu protagonista, que confere o equilíbrio necessário e certo brilho à produção germano-canadense.

Os trunfos do filme são seus atores veteranos – Plummer, Martin Landau (Intriga Internacional) Bruno Ganz (Os últimos dias de Hitler). Não é uma obra prima, no entanto, prende a atenção do espectador até a revelação final. Meu pai indicou. Assisti e gostei. 

Conhecido por seu papel no clássico musical A noviça rebelde, de Robert Wise, Plummer é uma daqueles atores que ficaram melhores com o decorrer da carreira. Ele atuou em grandes produções, como O homem que queria ser rei, de John Huston, Um plano perfeito, de Spike Lee, O informante, de Michael Mann, Em algum lugar do passado, até em um longa de Jornnaa estrelas, Plummer participou. A maioria de sua filmografia está disponível em dvd, inclusive Memórias secretas, que deve fazer parte do catálogo da Netflix. 

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