Resenha Política, por Robson Oliveira

MIRAGEM - A verdade é que a tão propagada duplicação da BR-364 continua sendo uma miragem surgida no horizonte quente do cerrado rondoniense

Fonte: Robson Oliveira - Publicada em 09 de junho de 2026 às 08:46

Resenha Política, por Robson Oliveira

CPI

Ninguém que conheça minimamente os bastidores da política acredita que a CPI proposta pelo deputado Jesuíno Boabaid tenha força jurídica ou poder político suficiente para alterar os valores abusivos dos pedágios instalados na BR-364. A iniciativa nasce sob aplausos populares, mas esbarra logo na primeira curva da realidade: trata-se de uma rodovia federal, concedida pela União, fiscalizada por órgãos federais e submetida a contratos sobre os quais a Assembleia Legislativa não possui influência.

MIRAGEM

A verdade é que a tão propagada duplicação da BR-364 continua sendo uma miragem surgida no horizonte quente do cerrado rondoniense. Entre Porto Velho e a entrada de Vilhena não existe um único trecho significativo em duplicação. O que se vê são reparos pontuais, remendos que pouco alteram as condições da estrada e em nada reduzem a sequência de acidentes que, diariamente, transforma a rodovia em palco de tragédias e luto.

COCHILO

Há ainda um detalhe que muitos preferem ignorar: o tempo da indignação. Os pedágios já são uma realidade consumada. A concessionária opera amparada por um contrato aparentemente legal, fruto de uma licitação precedida por audiências públicas “fantasmas”. Era nesse momento que a bancada federal deveria ter exercido vigilância rigorosa. Não exerceu. Dormiu no ponto e permitiu que Rondônia recebesse um dos pedágios mais caros do país por quilômetro rodado.

ESPETÁCULO

Somente quando a população percebeu o tamanho da conta é que deputados e senadores despertaram do sono institucional. Vieram então as audiências públicas atrasadas, os discursos inflamados, as notas de repúdio e a produção frenética de conteúdo para redes sociais. Muito vídeo, muita postagem e pouca efetividade. Um espetáculo tardio montado para parecer reação quando, na verdade, já era remorso.

IMPACTO

Empresários calculam prejuízos, transportadoras reavaliam operações e algumas empresas já cogitam abandonar o estado diante de custos que podem ultrapassar R$ 2.500 em um único percurso entre Vilhena e Porto Velho. O impacto econômico é concreto, enquanto as promessas de investimento permanecem no terreno abstrato das apresentações em PowerPoint e dos cronogramas sem prazo confiável.

INVERSÃO

O pedágio tornou-se realidade antes da duplicação. A população foi chamada a financiar antecipadamente uma obra cuja execução segue envolta em incertezas. Paga-se hoje por um benefício que ninguém sabe exatamente quando chegará. É uma inversão curiosa da lógica: a cobrança é imediata; a contrapartida, eventual.

REAÇÃO

Nesse cenário, a CPI de Jesuíno Boabaid pode até ser inócua sob o aspecto prático. Dificilmente reduzirá tarifas, modificará contratos ou obrigará a concessionária a acelerar obras. Politicamente, porém, possui algum mérito. Ao menos demonstra que a Assembleia Legislativa não pretende assistir passivamente à revolta popular.

PRESSÃO

Ainda que não produza resultados concretos, a comissão pode servir como instrumento de pressão sobre a ANTT e sobre a própria concessionária, que até agora tem se mostrado surda às reclamações dos usuários e muda diante dos pedidos de esclarecimento.

OMISSOS

No fim das contas, a CPI tende a não resolver o problema. Mas evidencia outro ainda maior: o fracasso daqueles que tinham poder para agir quando o contrato estava sendo desenhado e preferiram descobrir o tamanho do desastre apenas depois que a cancela baixou. Isto significa omissão da nossa bancada federal.

ENTREVISTA

Há entrevistas que servem apenas para preencher o vazio das plataformas digitais. E há aquelas que, entre uma resposta e outra, deixam escapar pistas, recados e até confissões involuntárias. A longa conversa do prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, ao podcast Resenha Política pertence à segunda categoria.

ENGRENAGEM

Durante mais de uma hora, o prefeito desfilou números, obras, projetos e promessas de modernização da máquina pública. Falou das ruas, da saúde, da limpeza urbana e da tentativa de devolver eficiência a uma prefeitura que, segundo sua avaliação, foi encontrada com mais ferrugem do que engrenagem.

ESTOCADA

Ao revisitar os primeiros dias de governo, Léo desenhou um cenário de repartições cansadas, processos emperrados e uma estrutura administrativa que parecia ter perdido o hábito de funcionar. Não precisou elevar o tom para que as críticas ao antecessor fossem compreendidas. Em política, muitas vezes a elegância da estocada produz mais efeito que o golpe bruto.

MERGULHO

Mas o trecho mais relevante da entrevista não está relacionado à administração municipal. Ele surge quando a conversa abandona os problemas da capital e mergulha no terreno da sucessão estadual.

PALANQUE

Se havia alguma dúvida sobre o rumo político de Léo Moraes, ela ficou consideravelmente menor após suas declarações. Sem recorrer ao anúncio formal que os marqueteiros tanto apreciam, o prefeito deixou transparecer que seu apoio na disputa pelo governo estadual deverá desembarcar no palanque de Marcos Rogério - embora não tenha confirmado peremptoriamente.

SINAL

Mais do que isso. A entrevista praticamente antecipa um movimento político que deverá ser oficializado nos próximos meses. Léo sinaliza que não apenas caminhará ao lado do pré-candidato do PL, mas também participará diretamente da construção da chapa majoritária.

PONTES

O nome apontado para a vice-governador é o do deputado estadual Delegado Camargo. Se a composição for confirmada, Rondônia assistirá à formação de uma chapa ideológica puro-sangue, sem concessões ao centro e sem pontes para outros campos políticos.

BOLHA

Marcos Rogério e Delegado Camargo pertencem à mesma trincheira política. Ambos dialogam com as bolhas bolsonaristas, construíram suas trajetórias em oposição ao governo do presidente Lula e representam um eleitorado conservador que continua altamente mobilizado no estado.

IDENTIDADE

O desafio dessa equação está menos na identidade ideológica e mais na matemática eleitoral. Delegado Camargo fortalece a coerência do projeto, mas permanece a dúvida sobre sua capacidade de ampliar o alcance eleitoral da chapa. Em tese, não é um nome que acrescente grandes contingentes de novos eleitores para além do público já identificado com a direita.

ATIVO

Por outro lado, sua eventual indicação carregaria consigo um ativo muito mais valioso: o apoio do prefeito da capital. E este é um detalhe que os adversários observam com atenção.

TIK TOK

Léo Moraes é hoje o político mais bem avaliado de Rondônia e construiu uma presença digital que poucos conseguem rivalizar. Transformou as redes sociais em ferramenta permanente de comunicação e consolidou uma relação direta com parcela significativa do eleitorado de Porto Velho. Ouvi de vários desafetos que esta relação com o tik tok teria data vencimento; um ano e meio após assumir a prefeitura e a forma que divulga as ações seu capital político só aumenta.

REFRATÁRIOS

Não existem, contudo, pesquisas ou números confiáveis capazes de medir sua efetiva capacidade de transferência de votos. O eleitor da capital possui comportamento próprio, costuma definir eleições nos minutos finais da campanha e historicamente demonstra resistência a qualquer tentativa de condução política excessivamente explícita.

INCÓGNITA

Mas ignorar a influência do prefeito seria um erro estratégico. Ainda que a transferência automática de votos seja uma incógnita, sua capacidade de moldar narrativas, ocupar espaço digital e pautar debates públicos é uma realidade observável.

PERFIL

Marcos Rogério, por sua vez, enfrenta dificuldades justamente no ambiente onde Léo navega com desenvoltura. O senador é respeitado pela firmeza dos posicionamentos e pela atuação parlamentar, mas sua comunicação pública frequentemente esbarra em uma imagem mais séria, menos espontânea e menos adaptada à dinâmica das plataformas digitais. Seu jeito autossuficiente atrapalha porque passa a imagem de arrogante.

ALGORITMOS

Se conseguir incorporar à campanha a expertise comunicacional do prefeito da capital, o pré-candidato do PL dará um passo importante na corrida ao Palácio Rio Madeira. Em uma disputa que será travada tanto nas ruas quanto nos algoritmos, a influência digital poderá valer tanto quanto os votos que ela eventualmente conseguir transferir.

FIADOR

A entrevista que vai ao ar nesta quinta-feira deixa essa impressão. Léo Moraes ainda não fez o anúncio oficial. Mas, para quem sabe ouvir política nas entrelinhas, o roteiro parece cada vez mais escrito: Marcos Rogério para governador, Delegado Camargo para vice e o prefeito da capital como principal fiador da empreitada.

ESPERTEZAS

A pré-campanha virou uma espécie de terra de ninguém do calendário eleitoral brasileiro. Um período nebuloso, onde muitos políticos transitam entre o permitido e o proibido com a mesma desenvoltura de quem atravessa uma cerca de arame acreditando que ninguém está olhando. O resultado é um espetáculo de improvisos, espertezas e, sobretudo, muitas bobagens.

EXTENSÃO

Basta recordar o que ocorreu durante a Rondônia Rural Show e o que continua acontecendo nas feiras agropecuárias espalhadas pelo Estado. Outdoors e estruturas publicitárias supostamente destinados à divulgação de mandatos brotam como capim após a chuva.

DEBATE

Mas nem só de outdoors vive o folclore da pré-campanha. A escassez de fatos relevantes também produz fenômenos curiosos. Na semana passada, por exemplo, um dos assuntos mais comentados foi a suposta indicação da primeira-dama para coordenar uma campanha que sequer existe oficialmente. Uma discussão tão relevante quanto escolher o comandante de um navio que ainda nem saiu do estaleiro.

FINANCEIRO

Quem conhece campanhas por dentro, longe dos holofotes e das redes sociais, sabe que não existe um coordenador absoluto em disputas estaduais. Existem responsáveis por áreas específicas, equipes distintas e núcleos independentes. A figura verdadeiramente central costuma ser outra: o responsável pelas finanças. Este, sim, influencia decisões, define prioridades, determina o ritmo da operação e manda muito. Sua importância frequentemente supera a do estrategista, pela simples razão de que é ele quem viabiliza o trabalho do estrategista.

ESPECULAÇÃO

A exploração do tema pela mídia também é natural porque joga luz em relações internas  do PSD que andam em desencontros. É neste campo que a especulação importa porque a disputa interna em campanha por espaço costuma causar ruídos.  

Resenha Política, por Robson Oliveira

MIRAGEM - A verdade é que a tão propagada duplicação da BR-364 continua sendo uma miragem surgida no horizonte quente do cerrado rondoniense

Robson Oliveira
Publicada em 09 de junho de 2026 às 08:46
Resenha Política, por Robson Oliveira

CPI

Ninguém que conheça minimamente os bastidores da política acredita que a CPI proposta pelo deputado Jesuíno Boabaid tenha força jurídica ou poder político suficiente para alterar os valores abusivos dos pedágios instalados na BR-364. A iniciativa nasce sob aplausos populares, mas esbarra logo na primeira curva da realidade: trata-se de uma rodovia federal, concedida pela União, fiscalizada por órgãos federais e submetida a contratos sobre os quais a Assembleia Legislativa não possui influência.

MIRAGEM

A verdade é que a tão propagada duplicação da BR-364 continua sendo uma miragem surgida no horizonte quente do cerrado rondoniense. Entre Porto Velho e a entrada de Vilhena não existe um único trecho significativo em duplicação. O que se vê são reparos pontuais, remendos que pouco alteram as condições da estrada e em nada reduzem a sequência de acidentes que, diariamente, transforma a rodovia em palco de tragédias e luto.

COCHILO

Há ainda um detalhe que muitos preferem ignorar: o tempo da indignação. Os pedágios já são uma realidade consumada. A concessionária opera amparada por um contrato aparentemente legal, fruto de uma licitação precedida por audiências públicas “fantasmas”. Era nesse momento que a bancada federal deveria ter exercido vigilância rigorosa. Não exerceu. Dormiu no ponto e permitiu que Rondônia recebesse um dos pedágios mais caros do país por quilômetro rodado.

ESPETÁCULO

Somente quando a população percebeu o tamanho da conta é que deputados e senadores despertaram do sono institucional. Vieram então as audiências públicas atrasadas, os discursos inflamados, as notas de repúdio e a produção frenética de conteúdo para redes sociais. Muito vídeo, muita postagem e pouca efetividade. Um espetáculo tardio montado para parecer reação quando, na verdade, já era remorso.

IMPACTO

Empresários calculam prejuízos, transportadoras reavaliam operações e algumas empresas já cogitam abandonar o estado diante de custos que podem ultrapassar R$ 2.500 em um único percurso entre Vilhena e Porto Velho. O impacto econômico é concreto, enquanto as promessas de investimento permanecem no terreno abstrato das apresentações em PowerPoint e dos cronogramas sem prazo confiável.

INVERSÃO

O pedágio tornou-se realidade antes da duplicação. A população foi chamada a financiar antecipadamente uma obra cuja execução segue envolta em incertezas. Paga-se hoje por um benefício que ninguém sabe exatamente quando chegará. É uma inversão curiosa da lógica: a cobrança é imediata; a contrapartida, eventual.

REAÇÃO

Nesse cenário, a CPI de Jesuíno Boabaid pode até ser inócua sob o aspecto prático. Dificilmente reduzirá tarifas, modificará contratos ou obrigará a concessionária a acelerar obras. Politicamente, porém, possui algum mérito. Ao menos demonstra que a Assembleia Legislativa não pretende assistir passivamente à revolta popular.

PRESSÃO

Ainda que não produza resultados concretos, a comissão pode servir como instrumento de pressão sobre a ANTT e sobre a própria concessionária, que até agora tem se mostrado surda às reclamações dos usuários e muda diante dos pedidos de esclarecimento.

OMISSOS

No fim das contas, a CPI tende a não resolver o problema. Mas evidencia outro ainda maior: o fracasso daqueles que tinham poder para agir quando o contrato estava sendo desenhado e preferiram descobrir o tamanho do desastre apenas depois que a cancela baixou. Isto significa omissão da nossa bancada federal.

ENTREVISTA

Há entrevistas que servem apenas para preencher o vazio das plataformas digitais. E há aquelas que, entre uma resposta e outra, deixam escapar pistas, recados e até confissões involuntárias. A longa conversa do prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, ao podcast Resenha Política pertence à segunda categoria.

ENGRENAGEM

Durante mais de uma hora, o prefeito desfilou números, obras, projetos e promessas de modernização da máquina pública. Falou das ruas, da saúde, da limpeza urbana e da tentativa de devolver eficiência a uma prefeitura que, segundo sua avaliação, foi encontrada com mais ferrugem do que engrenagem.

ESTOCADA

Ao revisitar os primeiros dias de governo, Léo desenhou um cenário de repartições cansadas, processos emperrados e uma estrutura administrativa que parecia ter perdido o hábito de funcionar. Não precisou elevar o tom para que as críticas ao antecessor fossem compreendidas. Em política, muitas vezes a elegância da estocada produz mais efeito que o golpe bruto.

MERGULHO

Mas o trecho mais relevante da entrevista não está relacionado à administração municipal. Ele surge quando a conversa abandona os problemas da capital e mergulha no terreno da sucessão estadual.

PALANQUE

Se havia alguma dúvida sobre o rumo político de Léo Moraes, ela ficou consideravelmente menor após suas declarações. Sem recorrer ao anúncio formal que os marqueteiros tanto apreciam, o prefeito deixou transparecer que seu apoio na disputa pelo governo estadual deverá desembarcar no palanque de Marcos Rogério - embora não tenha confirmado peremptoriamente.

SINAL

Mais do que isso. A entrevista praticamente antecipa um movimento político que deverá ser oficializado nos próximos meses. Léo sinaliza que não apenas caminhará ao lado do pré-candidato do PL, mas também participará diretamente da construção da chapa majoritária.

PONTES

O nome apontado para a vice-governador é o do deputado estadual Delegado Camargo. Se a composição for confirmada, Rondônia assistirá à formação de uma chapa ideológica puro-sangue, sem concessões ao centro e sem pontes para outros campos políticos.

BOLHA

Marcos Rogério e Delegado Camargo pertencem à mesma trincheira política. Ambos dialogam com as bolhas bolsonaristas, construíram suas trajetórias em oposição ao governo do presidente Lula e representam um eleitorado conservador que continua altamente mobilizado no estado.

IDENTIDADE

O desafio dessa equação está menos na identidade ideológica e mais na matemática eleitoral. Delegado Camargo fortalece a coerência do projeto, mas permanece a dúvida sobre sua capacidade de ampliar o alcance eleitoral da chapa. Em tese, não é um nome que acrescente grandes contingentes de novos eleitores para além do público já identificado com a direita.

ATIVO

Por outro lado, sua eventual indicação carregaria consigo um ativo muito mais valioso: o apoio do prefeito da capital. E este é um detalhe que os adversários observam com atenção.

TIK TOK

Léo Moraes é hoje o político mais bem avaliado de Rondônia e construiu uma presença digital que poucos conseguem rivalizar. Transformou as redes sociais em ferramenta permanente de comunicação e consolidou uma relação direta com parcela significativa do eleitorado de Porto Velho. Ouvi de vários desafetos que esta relação com o tik tok teria data vencimento; um ano e meio após assumir a prefeitura e a forma que divulga as ações seu capital político só aumenta.

REFRATÁRIOS

Não existem, contudo, pesquisas ou números confiáveis capazes de medir sua efetiva capacidade de transferência de votos. O eleitor da capital possui comportamento próprio, costuma definir eleições nos minutos finais da campanha e historicamente demonstra resistência a qualquer tentativa de condução política excessivamente explícita.

INCÓGNITA

Mas ignorar a influência do prefeito seria um erro estratégico. Ainda que a transferência automática de votos seja uma incógnita, sua capacidade de moldar narrativas, ocupar espaço digital e pautar debates públicos é uma realidade observável.

PERFIL

Marcos Rogério, por sua vez, enfrenta dificuldades justamente no ambiente onde Léo navega com desenvoltura. O senador é respeitado pela firmeza dos posicionamentos e pela atuação parlamentar, mas sua comunicação pública frequentemente esbarra em uma imagem mais séria, menos espontânea e menos adaptada à dinâmica das plataformas digitais. Seu jeito autossuficiente atrapalha porque passa a imagem de arrogante.

ALGORITMOS

Se conseguir incorporar à campanha a expertise comunicacional do prefeito da capital, o pré-candidato do PL dará um passo importante na corrida ao Palácio Rio Madeira. Em uma disputa que será travada tanto nas ruas quanto nos algoritmos, a influência digital poderá valer tanto quanto os votos que ela eventualmente conseguir transferir.

FIADOR

A entrevista que vai ao ar nesta quinta-feira deixa essa impressão. Léo Moraes ainda não fez o anúncio oficial. Mas, para quem sabe ouvir política nas entrelinhas, o roteiro parece cada vez mais escrito: Marcos Rogério para governador, Delegado Camargo para vice e o prefeito da capital como principal fiador da empreitada.

ESPERTEZAS

A pré-campanha virou uma espécie de terra de ninguém do calendário eleitoral brasileiro. Um período nebuloso, onde muitos políticos transitam entre o permitido e o proibido com a mesma desenvoltura de quem atravessa uma cerca de arame acreditando que ninguém está olhando. O resultado é um espetáculo de improvisos, espertezas e, sobretudo, muitas bobagens.

EXTENSÃO

Basta recordar o que ocorreu durante a Rondônia Rural Show e o que continua acontecendo nas feiras agropecuárias espalhadas pelo Estado. Outdoors e estruturas publicitárias supostamente destinados à divulgação de mandatos brotam como capim após a chuva.

DEBATE

Mas nem só de outdoors vive o folclore da pré-campanha. A escassez de fatos relevantes também produz fenômenos curiosos. Na semana passada, por exemplo, um dos assuntos mais comentados foi a suposta indicação da primeira-dama para coordenar uma campanha que sequer existe oficialmente. Uma discussão tão relevante quanto escolher o comandante de um navio que ainda nem saiu do estaleiro.

FINANCEIRO

Quem conhece campanhas por dentro, longe dos holofotes e das redes sociais, sabe que não existe um coordenador absoluto em disputas estaduais. Existem responsáveis por áreas específicas, equipes distintas e núcleos independentes. A figura verdadeiramente central costuma ser outra: o responsável pelas finanças. Este, sim, influencia decisões, define prioridades, determina o ritmo da operação e manda muito. Sua importância frequentemente supera a do estrategista, pela simples razão de que é ele quem viabiliza o trabalho do estrategista.

ESPECULAÇÃO

A exploração do tema pela mídia também é natural porque joga luz em relações internas  do PSD que andam em desencontros. É neste campo que a especulação importa porque a disputa interna em campanha por espaço costuma causar ruídos.  

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