Rubens Coutinho celebra 40 anos de jornalismo em Rondônia
Viúvo e pai de três filhas, Rubens atualmente está à frente do portal Tudo Rondônia e também produz conteúdo em suas redes sociais, onde ganhou destaque como comentarista e analista político
Antes de consolidar sua carreira na imprensa, aos seus 19 anos, Rubens recebeu um convite para ingressar na Polícia Civil. Ele acredita que teria desempenhado um bom trabalho na segurança pública, mas decidiu permanecer no jornalismo, profissão que considera sua verdadeira vocação
PORTO VELHO, RO - Com mais de 40 anos dedicados ao jornalismo em Rondônia, Rubens Coutinho construiu uma trajetória marcada pela defesa da informação, pela cobertura política e pela capacidade de se reinventar diante das transformações da comunicação. Do jornal impresso ao universo digital, ele continua fazendo o que sempre fez: analisar os fatos e estimular o debate público.
Ao longo da carreira, Rubens passou por importantes veículos de comunicação do estado, entre eles os jornais Alto Madeira, Tribuna, O Guaporé e Estadão do Norte, consolidando seu nome como um dos principais jornalistas políticos de Rondônia. Também atuou na comunicação institucional do Governo do Estado, no Departamento de Comunicação (Decom), experiência que lhe permitiu conhecer de perto a realidade dos municípios rondonienses e acompanhar momentos importantes da história política estadual.
Seus vídeos são gravados de forma simples, sem grandes produções, priorizando o conteúdo e a análise dos acontecimentos políticos do momento
Viúvo e pai de três filhas, Rubens atualmente está à frente do portal Tudo Rondônia e também produz conteúdo em suas redes sociais, onde ganhou destaque como comentarista e analista político. Em poucos meses de atuação mais intensa nas plataformas digitais, conquistou milhares de seguidores, mostrando que conteúdo consistente e credibilidade continuam sendo diferenciais, mesmo sem grandes estruturas de produção.
Para ele, o sucesso nas redes está diretamente ligado à autenticidade. Seus vídeos são gravados de forma simples, sem grandes produções, priorizando o conteúdo e a análise dos acontecimentos políticos do momento.
Rubens afirma que muitas vezes é mal interpretado por quem acompanha suas análises. Segundo ele, seu trabalho não é defender ou atacar grupos políticos, mas apresentar os fatos, apontar inconsistências e levantar reflexões sobre a atuação de agentes públicos.
“Quando faço uma análise sobre determinado político, alguns imaginam que estou favorecendo outro. Na verdade, analiso os fatos de todos os lados. Não recebo recursos de ninguém para isso e mantenho minha independência profissional”, resume.
A greve que marcou sua carreira
Entre as inúmeras histórias acumuladas em mais de quatro décadas de profissão, uma permanece viva na memória de Rubens Coutinho: a primeira greve da redação do jornal Estadão do Norte.
Segundo ele, a mobilização foi articulada em uma reunião realizada no tradicional Bar Bangalô, um dos pontos de encontro dos politicos e da imprensa porto-velhense da época. O movimento contava com o apoio de diversos colegas de redação.
No entanto, quando chegou o momento da paralisação, veio a decepção. Muitos dos profissionais que haviam incentivado a greve acabaram entrando discretamente pelos fundos da empresa e não aderiram ao movimento.
O resultado foi a demissão de Rubens e de outros cinco jornalistas que permaneceram na manifestação.
Para ele, aquele episódio revelou uma das maiores lições da profissão: compreender como interesses pessoais podem prevalecer em momentos decisivos.
Do impresso ao digital
A migração do jornalismo impresso para o ambiente digital também faz parte da história de Rubens Coutinho. Sua trajetória, inclusive, foi objeto de estudo do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Jornalismo, que abordou justamente essa transformação vivida por profissionais da imprensa tradicional. Eu, Marcelo Gladson, autor desta matéria, também fiz parte dessa transição, migrando do jornal impresso para o webjornalismo.
Embora nunca tenha concluído uma graduação em Jornalismo, Rubens acredita que sua única motivação para obter o diploma seria atuar como professor e contribuir para a formação de novas gerações de jornalistas. “Se eu fosse formado, provavelmente hoje estaria aposentado e servindo de pauta para os colegas de profissão narrarem fatos da história do nosso estado. Já imaginou eu, bem velhinho, falando assim: ‘Aqui eu vi Rondon conversando com fulano de tal’?”, brincou Coutinho, caindo na gargalhada.
Apaixonado pela leitura e pela literatura, ele considera que a prática diária, aliada ao estudo constante, foi responsável pela construção de seu estilo de escrever e interpretar os acontecimentos.
Referências do jornalismo
Rubens faz questão de reconhecer os profissionais que ajudaram a formar sua visão de jornalismo. Entre suas maiores referências estão nomes históricos da imprensa rondoniense, como Euro Tourinho e Ivan Marrocos, profissionais que marcaram gerações e contribuíram para o fortalecimento da comunicação no estado.
Inspirado por esses mestres, Rubens mantém uma linha editorial baseada na apuração, na análise crítica e na independência.
A profissão que quase mudou seu destino
Antes de consolidar sua carreira na imprensa, aos seus 19 anos, Rubens recebeu um convite para ingressar na Polícia Civil. Ele acredita que teria desempenhado um bom trabalho na segurança pública, mas decidiu permanecer no jornalismo, profissão que considera sua verdadeira vocação.
Décadas depois, continua acompanhando diariamente os bastidores da política rondoniense, utilizando sua experiência para interpretar os fatos e oferecer ao público análises fundamentadas, sempre preservando sua independência editorial.
Mais do que acompanhar a história de Rondônia, Rubens Coutinho tornou-se parte dela, sendo uma das vozes mais respeitadas do jornalismo político estadual e um exemplo de adaptação às constantes mudanças da comunicação.
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