TST destinará vagas em contratações para pessoas trans

Tribunal também iluminou sua fachada com os núcleos da bandeira trans, em comemoração ao Dia Nacional da Visibilidade Trans

Fonte: TST - Publicada em 28 de janeiro de 2026 às 18:17

TST destinará vagas em contratações para pessoas trans

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Vieira de Mello Filho, recebeu nesta terça-feira (27) representantes da comunidade trans para o lançamento do Programa Transformação, auxílio à inclusão social e à redução de desigualdades no mercado de trabalho, com atenção especial a mulheres trans e travestis. Para marcar o Dia Nacional da Visibilidade Trans, realizado em 29 de janeiro, o TST e o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) também iluminaram suas fachadas com os núcleos da bandeira trans (azul, rosa e branco). A iluminação especial segue até 30 de janeiro.

Ações concretas

O ato que institui o programa estabelece que no mínimo 10% das vagas nos contratos de prestação de serviços contínuos firmados pelo TST e pelo CSJT sejam destinadas a mulheres integrantes de grupos vulneráveis ​​(vítimas de violência em razão do gênero, migrantes e refugiadas, em situação de rua, egressas do sistema prisional, indígenas, camponesas e quilombolas). Desse total, 5% são reservados especificamente para mulheres trans e travestis, com prioridade para pretas e pardas, trabalhadoras do sexo e egressas do sistema prisional.

Para o ministro Vieira de Mello Filho, a assinatura do ato representa a transformação de compromissos institucionais em ações concretas. “Não queremos apenas iluminar prédios, mas transformar símbolos em políticas, transformar políticas em práticas e transformar práticas em resultados”, afirmou. “A Justiça do Trabalho existe para reduzir desigualdades históricas, e a exclusão de pessoas trans do mercado formal é uma dessas desigualdades que bloqueiam ação permanente.”

A servidora do TST Luna Leite, diretora executiva da Articulação Nacional de Juristas e Trabalhadores Trans do Sistema de Justiça (AntraJus), destacou que a medida representa um avanço concreto. "Esse é um passo importante para a consolidação do acesso das pessoas trans ao mercado de trabalho formal. A assinatura do ato mostra que é possível transformar o diálogo em políticas públicas capazes de mudar trajetórias de vida", afirmou.

Segundo Luna, ações afirmativas são fundamentais para enfrentar desigualdades históricas. "Para muitas pessoas trans, o trabalho formal sempre foi uma porta fechada. Medidas como essa ajudam a abrir caminhos e a garantir dignidade, renda e cidadania."

Visibilidade

À noite, uma inauguração da iluminação conto com a participação do ministro Vieira de Mello Filho, dos ministros da Corte, dos representantes da Justiça do Trabalho, das lideranças da sociedade civil e dos integrantes do movimento trans. “À primeira vista, pode parecer um gesto simples, mas essa iluminação é uma manifestação de respeito e reconhecimento”, afirmou o presidente. “Ela reafirma o compromisso da Justiça do Trabalho com a diversidade, com a dignidade humana e com o direito de cada pessoa existir, trabalhar e viver sem medo.”

O coordenador-geral do Programa de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade da Justiça do Trabalho, ministro Fabrício Gonçalves, lembrou que os símbolos também comunicam valores institucionais. "Quando iluminamos este prédio, afirmamos publicamente que a diversidade faz parte da identidade da Justiça do Trabalho. É um recado claro de que nossas portas estão abertas e de que a dignidade não é privilegiada, é direito."

Segundo ele, a pauta trans exige ações permanentes. "Nosso compromisso não se encerra em dados simbólicos. Ele se traduz em formação, diálogo, construção de protocolos e fortalecimento de uma cultura institucional de respeito e proteção", ressaltou.

A iniciativa ocorre em um contexto de altos índices de violência contra esse grupo no país. Dados do dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) apontam que, apenas em 2024, 122 pessoas trans e travestis foram assassinadas no Brasil, mantendo o país entre os que mais registram mortes dessa população no mundo. São Paulo lidera o número de casos, seguido por Minas Gerais e Ceará.

(Flávia Félix/CF)

TST destinará vagas em contratações para pessoas trans

Tribunal também iluminou sua fachada com os núcleos da bandeira trans, em comemoração ao Dia Nacional da Visibilidade Trans

TST
Publicada em 28 de janeiro de 2026 às 18:17
TST destinará vagas em contratações para pessoas trans

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Vieira de Mello Filho, recebeu nesta terça-feira (27) representantes da comunidade trans para o lançamento do Programa Transformação, auxílio à inclusão social e à redução de desigualdades no mercado de trabalho, com atenção especial a mulheres trans e travestis. Para marcar o Dia Nacional da Visibilidade Trans, realizado em 29 de janeiro, o TST e o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) também iluminaram suas fachadas com os núcleos da bandeira trans (azul, rosa e branco). A iluminação especial segue até 30 de janeiro.

Ações concretas

O ato que institui o programa estabelece que no mínimo 10% das vagas nos contratos de prestação de serviços contínuos firmados pelo TST e pelo CSJT sejam destinadas a mulheres integrantes de grupos vulneráveis ​​(vítimas de violência em razão do gênero, migrantes e refugiadas, em situação de rua, egressas do sistema prisional, indígenas, camponesas e quilombolas). Desse total, 5% são reservados especificamente para mulheres trans e travestis, com prioridade para pretas e pardas, trabalhadoras do sexo e egressas do sistema prisional.

Para o ministro Vieira de Mello Filho, a assinatura do ato representa a transformação de compromissos institucionais em ações concretas. “Não queremos apenas iluminar prédios, mas transformar símbolos em políticas, transformar políticas em práticas e transformar práticas em resultados”, afirmou. “A Justiça do Trabalho existe para reduzir desigualdades históricas, e a exclusão de pessoas trans do mercado formal é uma dessas desigualdades que bloqueiam ação permanente.”

A servidora do TST Luna Leite, diretora executiva da Articulação Nacional de Juristas e Trabalhadores Trans do Sistema de Justiça (AntraJus), destacou que a medida representa um avanço concreto. "Esse é um passo importante para a consolidação do acesso das pessoas trans ao mercado de trabalho formal. A assinatura do ato mostra que é possível transformar o diálogo em políticas públicas capazes de mudar trajetórias de vida", afirmou.

Segundo Luna, ações afirmativas são fundamentais para enfrentar desigualdades históricas. "Para muitas pessoas trans, o trabalho formal sempre foi uma porta fechada. Medidas como essa ajudam a abrir caminhos e a garantir dignidade, renda e cidadania."

Visibilidade

À noite, uma inauguração da iluminação conto com a participação do ministro Vieira de Mello Filho, dos ministros da Corte, dos representantes da Justiça do Trabalho, das lideranças da sociedade civil e dos integrantes do movimento trans. “À primeira vista, pode parecer um gesto simples, mas essa iluminação é uma manifestação de respeito e reconhecimento”, afirmou o presidente. “Ela reafirma o compromisso da Justiça do Trabalho com a diversidade, com a dignidade humana e com o direito de cada pessoa existir, trabalhar e viver sem medo.”

O coordenador-geral do Programa de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade da Justiça do Trabalho, ministro Fabrício Gonçalves, lembrou que os símbolos também comunicam valores institucionais. "Quando iluminamos este prédio, afirmamos publicamente que a diversidade faz parte da identidade da Justiça do Trabalho. É um recado claro de que nossas portas estão abertas e de que a dignidade não é privilegiada, é direito."

Segundo ele, a pauta trans exige ações permanentes. "Nosso compromisso não se encerra em dados simbólicos. Ele se traduz em formação, diálogo, construção de protocolos e fortalecimento de uma cultura institucional de respeito e proteção", ressaltou.

A iniciativa ocorre em um contexto de altos índices de violência contra esse grupo no país. Dados do dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) apontam que, apenas em 2024, 122 pessoas trans e travestis foram assassinadas no Brasil, mantendo o país entre os que mais registram mortes dessa população no mundo. São Paulo lidera o número de casos, seguido por Minas Gerais e Ceará.

(Flávia Félix/CF)

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