UNIR inaugura espaço expositivo de gravuras rupestres
São 16 artefatos arqueológicos de até 1.000 anos expostos em área projetada e construída em parceria com a Jirau Energia
A Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e Jirau Energia inauguraram, no dia 23 de abril, o Espaço Expositivo Gravuras Rupestres, uma iniciativa voltada à musealização dos artefatos arqueológicos provenientes do sítio Ilha do Padre 2, localizado no médio rio Madeira. A exposição reúne 16 blocos com gravuras rupestres produzidas por povos indígenas em período pré-colonial, possivelmente por volta do ano 1.000. A região apresenta vestígios de ocupação humana que remontam a até 10 mil anos.
“A Universidade é este espaço de preservação de memória, uma responsabilidade que é das UNIR e diz respeito a toda a sociedade. E a atuação de Jirau neste processo reforça a importância de mantermos as portas abertas para cada vez mais atuação conjunta”, destacou a reitora Marília Pimentel.
Os grafismos incluem representações de sol, peixes, animais e formas abstratas. Eles foram produzidos por meio de fricção sobre a rocha, técnica que consistia no desgaste da superfície com outra pedra até formar os desenhos. Esses artefatos foram retirados em 2009, em razão da construção da usina hidrelétrica, e passaram a ser guardados pela universidade após a entrega realizada pela Jirau Energia, com acompanhamento técnico e em conformidade com as diretrizes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A criação do espaço expositivo, localizado em área de grande circulação dentro da universidade, amplia o acesso da comunidade acadêmica e do público em geral ao patrimônio arqueológico. A iniciativa reforça o papel da UNIR como instituição de guarda, pesquisa e formação, sendo um dos únicos cursos de Arqueologia da região Norte e o único em uma capital.
A reitora Marília Pimentel ainda frisou que “Além de promover a valorização de um patrimônio que pertence à União, a ação contribui para a difusão do conhecimento científico. A identidade de um povo é construída pela sua memória, e compreender que estes territórios são ancestrais é de importância fundamental para a compreensão de quem somos como povo e sociedade”.
Exposição virtual – Paralelamente à inauguração do espaço físico, foi lançado o repositório digital da Reserva Técnica do Curso de Arqueologia da UNIR, desenvolvido na plataforma Tainacan. A ferramenta reúne e organiza as informações sobre o acervo arqueológico e amplia o acesso público aos dados e às pesquisas desenvolvidas. Por meio de QR Codes disponíveis na própria exposição, os visitantes podem acessar diretamente os conteúdos digitais, integrando a experiência presencial ao ambiente virtual. O repositório pode ser acessado neste link.
A iniciativa é resultado de uma parceria com a Usina Hidrelétrica de Jirau, que viabilizou a execução do projeto com base em critérios técnicos da Arqueologia, garantindo a preservação e a comunicação desses bens à sociedade. “Todo este trabalho é realizado em conjunto, e parte dos esforços dos pesquisadores e dezenas de pessoas diretamente envolvidas em um esforço fundamental para resgatar e preservar memórias ancestrais. Agora, sob guarda da UNIR, estes artefatos estão disponíveis para acesso por toda a população”, afirmou a professora Daiane Ferreira, do curso de Arqueologia da UNIR.
O diretor-presidente da Jirau Energia, Edson Silva, destacou a importância da iniciativa para a integração entre conhecimento e desenvolvimento regional: “Projetos como este transformam o saber em impacto positivo, fortalecendo o ensino e a pesquisa. Há mais de 13 anos, atuamos de forma integrada ao desenvolvimento regional, investindo em parcerias e na formação de talentos locais. Esperamos que este espaço contribua para ampliar o conhecimento e valorizar o potencial de Rondônia”.
Tanto os espaço expositivo como a Plataforma Tainacan fortalecem a memória dos povos indígenas que habitaram a região do Madeira. Ainda que não seja possível associar diretamente essas gravuras aos povos indígenas atuais, as investigações que são conduzidas especialmente por pesquisadores da UNIR, há avanços no conhecimento sobre o período pré-colonial na região.
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