A esperança dos que ainda acreditam nas instituições

A sociedade brasileira já percebeu que muita coisa mudou depois da operação Lava Jato.

Valdemir Caldas
Publicada em 23 de março de 2017 às 11:11

A sociedade brasileira já percebeu que muita coisa mudou depois da operação Lava Jato. Não é preciso ir muito longe para verificar que denúncias contra autoridades públicas são apuradas, políticos e empresários antes intocáveis estão atrás das grandes e outros tantos a um passo de passar uma longa temporada vendo o sol nascer quadrado, acusados de investirem contra o patrimônio coletivo.

Poucos, porém, se dão conta de que essas mudanças estão intimamente relacionadas com o papel que a Constituição Federal reservou ao Ministério Público, proporcionando aos seus membros os instrumentos e as condições de que eles precisam para desempenharem a missão de defesa dos interesses da sociedade.

Digno de relevo é a maneira irrepreensível com que a Procuradoria Geral da República (órgão central do sistema) vem desempenhando o seu papel, apesar das restrições e ameaças infrutíferas de setores e pessoas que se sentem incomodados pelas investigações e a iniciativa de ações que põem a nu a verdade de atos em que se tenham envolvidos.

Vale salientar que, em nível estadual, também existem órgão e instituições vocacionados à defesa dos cidadãos, como é o caso do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia, que mantêm vigília a respeito dos direitos do cidadão comum e do Estado, respectivamente, motivo pelo qual poderem ser contabilizados resultados que apontam na direção do maior respeito à cidadania, ainda que muitos passos careçam ser dados para que se exerçam em sua plenitude os direitos dos cidadãos.

Hoje, qualquer ameaça à independência do Ministério Público, Tribunal de Contas e da própria Polícia Federal (cujo trabalho também é digno dos melhores encômios), é capaz de mobilizar a opinião pública e fazê-la sair às ruas. Isso, evidentemente, sem eliminar tantos outros aspectos, igualmente essenciais, como os episódios estão comprovando. Por isso, apesar dos percalços, aqui e acolá, a sociedade não pode perder a esperança nas instituições. Pelo contrário, precisa lutar para fortalecê-las ainda mais.

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