Abuso e cinismo

Enquanto isso, os postulantes que têm todo um trabalho realizado e um passado de luta e de absoluta fidelidade aos preceitos da moral e da decência não conseguem fazer chegar sua mensagem à maioria do eleitorado. É muito abuso é muito cinismo dessa gente.

Valdemir Caldas
Publicada em 06 de setembro de 2018 às 09:21
Abuso e cinismo

(*) Valdemir Caldas

Talvez nada seja mais vergonhoso na atual campanha eleitoral que o descaramento de alguns candidatos, insistindo em propostas ridículas, completamente dissociadas da realidade. Acresça a isso o deslavado esbanjamento econômico. Curiosamente, são as mesmas figurinhas que, antes das eleições, condenavam o derrame acintoso de recursos públicos.

Tanta ostentação, no entanto, vem surpreendendo até correligionários, enquanto prospera o nível absoluto vazio da campanha, com as propostas e discussões sérias sendo relegados a um plano secundário. Mas esses integram uma minoria dentro da maioria, ou seja, pertencem a uma elite política que se prostitui e traiu os compromissos assumidos com o povo. Mas há, evidentemente, pessoas éticas, que se não deixaram contaminar, ainda, em condições, portanto, de ajudar a sociedade a reagir e reerguer-se.

Por isso estão na briga por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Rondônia, ou Senado da República, ou, ainda, na Câmara Federal, com a disposição inarredável para tentar provar, especialmente para uma casta de políticos fisiológicos, a compatibilidade, difícil, mas não impossível, entre a ética e a política. Alguns tomaram essa decisão antes mesmo de a palavra ética entrar em moda, como agora.

Por causa desse derrame acintoso de dinheiro, adquirido sabe-se lá de que maneira, mas, na maioria dos casos, de modo estranho, que serve tanto para pagar mercenários eleitorais, quanto para ilaquear à consciência de desavisados, é que Rondônia tem-se destacado entre os estados onde mais a influência do poder econômico se faz presente, nestas eleições.

Assim, vão os políticos camaleônicos ludibriando o povo, fazendo-o julgar de forma extremamente precária e irreal a qualidade de candidatos sérios e comprometidos com as causas sociais. Muitos, tanto quanto se pode perceber, empenham-se, arduamente, na campanha, não porque acreditam em alguma proposta de trabalho ou a tenha formulado. Embala-os o simples desejo de porem-se a salvo da lei penal, tantos são os crimes praticados contra o erário, em benefício de suas próprias e prósperas contas bancárias.

Enquanto isso, os postulantes que têm todo um trabalho realizado e um passado de luta e de absoluta fidelidade aos preceitos da moral e da decência não conseguem fazer chegar sua mensagem à maioria do eleitorado. É muito abuso é muito cinismo dessa gente.

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