Confúcio – alvo da artilharia aliada

Para Tancredo Neves, ingenuidade, em política, é pecado capital, sobretudo quando ela vem mascarada com elevada dose de esperteza.

Valdemir Caldas
Publicada em 14 de abril de 2018 às 09:18
Confúcio – alvo da artilharia aliada

Para Tancredo Neves, ingenuidade, em política, é pecado capital, sobretudo quando ela vem mascarada com elevada dose de esperteza. Esta, quando é muita, acaba devorando o próprio dono. Por outro lado, ao contrário do que muitos pensam, vacilação não é virtude política, mas, sim, asnice.

Antes mesmo de anunciar sua intenção de disputar as eleições de outubro, o ex-governador Confúcio Moura já vinha sendo alvo da artilharia aliada, entrincheirada dentro de seu próprio partido, o MDB. A ideia sempre foi mantê-lo fora da disputa para o Senado da República, por motivos sobejamente conhecidos da opinião pública. Às vezes, o inimigo está dentro da própria casa e a vítima não percebe. Quando ela se dá conta, a desgraça já aconteceu. Não há mais como remediar.  

Se Confúcio entrar na briga, será o fim das pretensões continuístas de um dos caciques da legenda, em cujos ombros pesam graves acusações, que tornariam difícil sua eleição para qualquer cargo eletivo, até para síndico de prédio. Ele pode até tentar uma cadeira na Câmara, que, ainda assim, corre o sério risco de ser escalpelado nas urnas.

O pior de tudo é que, sem imunidade, os processos que hoje correm contra sua excelência no STF, desceriam imediatamente para a justiça comum, deixando-a cada vez mais próxima da cadeia, motivo pelo qual a onda de desespero que se abateu sobre muita gente - principalmente sobre os que dependem das migalhas que caem da mesa do rei -, com a possibilidade de o ex-governador concorrer ao Senado. Afinal, serão duas vagas. Confúcio tem tudo para ficar com uma e, a outra, será ocupada por Jesualdo. Alguém vai ficar abandonado no meio do caminho.

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