Crime ambiental em condomínio de Porto Velho

Fizeram com uma furadeira, provavelmente na calada da noite, pequenos furos nas mesmas e colocaram talvez óleo diesel ou mesmo veneno para que as mesmas secassem e morressem

Professor Nazareno*
Publicada em 12 de fevereiro de 2020 às 16:02
Crime ambiental em condomínio de Porto Velho

O condomínio residencial Parque dos Piquiás II, na zona norte de Porto Velho, próximo à avenida rio Madeira, na Rua Particular, 4676, saída para o Parque Ecológico, era um dos condomínios mais arborizados de Porto Velho. Era. Para se ter uma ideia, na entrada do residencial havia pelo menos umas 10 árvores frondosas de jambeiros. As frutas abundavam e quando caíam no chão, literalmente faziam “lama” nos gramados junto aos apartamentos térreos. A sombra dava às residências um confortável clima muito mais ameno. Hoje, nenhuma dessas árvores existe mais. Todas foram arrancadas e nada foi replantado em seu lugar. Há reclamações de alguns moradores de que a temperatura, claro, aumentou consideravelmente dentro dos apartamentos. O calor agora é insuportável. O sol, antes bloqueado pelas árvores, agora incide diretamente sobre as residências diminuindo bastante valor dos imóveis. 

Porém, o pior é que esse processo de eliminação das poucas árvores que ainda restaram continua indiscriminadamente ao arrepio da lei dentro deste condomínio. O atual síndico do Piquiás II, Senhor Leôncio Ferreira da Costa, que assumiu o residencial no dia 21 de outubro de 2019, foi recentemente à SEMA, Secretaria de Meio Ambiente do município, para pedir uma certidão a fim de fazer pequenas podas em algumas dessas árvores. Um funcionário da SEMA ao chegar ao condomínio constatou que várias árvores das que ainda restavam foram simplesmente envenenadas. Fizeram com uma furadeira, provavelmente na calada da noite, pequenos furos nas mesmas e colocaram talvez óleo diesel ou mesmo veneno para que as mesmas secassem e morressem. Há furinhos em várias árvores (veja nas fotos) inclusive em algumas espécies de Ipês, árvore nobre da região. E todas já secaram ou estão em processo adiantado de morte. Galhos caem levando risco às crianças e animais do condomínio.

No final de setembro do ano passado, uma árvore de goiaba do Bloco A, por exemplo, com centenas de frutos foi simplesmente arrancada sem a autorização da SEMA nem de qualquer outro órgão ambiental. Pior: no dia 3 de outubro de 2019, circulou entre os moradores do referido condomínio um documento com assinatura e timbre dando conta de que nenhuma árvore poderia ser plantada nas áreas em comum do residencial sem que houvesse deliberação da assembleia geral para este fim. O referido documento, no entanto, nada falava sobre a possibilidade de eliminar árvores. 

Num momento em que o mundo civilizado clama por mais árvores e contra qualquer ação de desmatamento irregular, no condomínio Parque dos Piquiás II de Porto Velho, árvores são arrancadas sem autorização, outras são envenenadas às escondidas e os órgãos de defesa do meio ambiente pouco ou nada podem fazer: segundo o funcionário da SEMA que esteve no residencial, nada pode ser feito, pois algum tempo já se passou e o pior é que não se sabe quem cometeu o crime de furar com furadeira os Ipês e as outras árvores para envenená-las. Enquanto isso, o calor aumentou consideravelmente dentro da área do que era o condomínio residencial mais arborizado de Porto Velho. Desolado, um morador afirmou: “neste condomínio é como na própria cidade de Porto Velho: nada de flores, nada de árvores. Só muito calor mesmo”.

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Comentários

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    Kleiton Ayala 13/02/2020

    As autoridades ambientais deveriam fazer meia dúzia de perguntas aos moradores do bairro, para descobrirem quem são os depredadores de árvores da região. Na Semana do Meio Ambiente do ano passado, a comunidade e entidades organizadas plantaram dezenas de mudas de árvores num parque da região. No dia seguinte, grande parte das mudas plantadas haviam sumido. Foram arrancadas, criminosamente, na calada da noite. Se houvesse um mínimo de interesse dos moradores do bairro, os culpados destas ações criminosas já teriam sido devidamente responsabilizados.

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