Documentário da Locomotiva 18 emociona portovelhense na estreia
Produção será utilizada como ferramenta educativa e de valorização da história local
Núbia Sussuarana carrega no olhar a memória de quem cresceu entre trilhos e histórias
O apito de um trem que silenciou por décadas voltou a ecoar na tarde da última quarta-feira (01), no Teatro Municipal Banzeiros. O passado e o presente se encontraram durante a estreia do documentário “Locomotiva 18: a condutora de sonhos”. Uma obra que não apenas registra fatos, mas revela afetos, pertencimento e identidade regional.
A produção, apresentada pela Prefeitura de Porto Velho em primeira mão aos estudantes da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Major Guapindaia, acompanha os bastidores da revitalização da histórica Locomotiva 18, símbolo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. E registra os 30 dias que antecederam o retorno do trem ao pátio ferroviário, após mais de duas décadas sem funcionar.
O grande momento
Segundo o prefeito, Léo Moraes, a obra audiovisual nasce do desejo de eternizar e reforçar a identidade da cidade
O ponto alto da narrativa é a reinauguração da locomotiva, realizada em 2 de outubro de 2025, durante as comemorações do aniversário da capital. Após 26 anos sem circular, o retorno reuniu milhares de pessoas em um momento considerado histórico e profundamente emocional para a população. Segundo o prefeito, Léo Moraes, a obra audiovisual nasce do desejo de eternizar e reforçar a identidade da cidade.
O documentário também cumpre um papel estratégico na valorização do patrimônio histórico e na educação das novas gerações, destacou Aleks Palitot
“Esse filme é um sonho que se torna realidade. Ele mostra a origem de Porto Velho, a sua gente, essa mistura rica de culturas, sotaques e histórias. É uma oportunidade de valorizar quem somos e de fortalecer esse sentimento de pertencimento. A locomotiva faz parte da construção da nossa cidade, e esse resgate também aponta para o futuro, com um turismo de história que reconhece o esforço de todos que vieram antes de nós”.
O prefeito é personagem do documentário, contribuindo com as lembranças que ainda guarda da infância.
Os personagens
Mais do que uma restauração mecânica, o filme mostra a reconstrução de uma memória coletiva, como a de Antônio Moisés Cavalcante, ferroviário há mais de quatro décadas. Para ele, ver a locomotiva voltar a funcionar é mais do que um feito técnico: é um sonho realizado. “É muita felicidade. A gente queria demais isso. Porto Velho existe por causa dessas locomotivas. Se não fizermos homenagem a isso, não estamos fazendo nada”.
Produzido pela Casa do Rio Filmes, o filme tem direção de Juraci Júnior, com produção executiva de Géssica Castro e Júnior, além da colaboração de uma equipe técnica formada por profissionais locais. A trilha conta com a participação do artista Bado, reforçando a conexão da obra com a cultura amazônica.
“A gente acompanhou os últimos 30 dias de trabalho e percebeu que cada pessoa ali carregava uma história. O filme é essa soma de memórias, que culmina no momento em que a locomotiva volta a apitar e se reconecta com a cidade”, explicou o também roteirista da obra.
A narrativa ganha força justamente nesses personagens. Entre eles, está Núbia Sussuarana, que carrega no olhar a memória de quem cresceu entre trilhos e histórias. Filha de um dos últimos maquinistas, ela vê na produção um reencontro com o passado.
Mais do que uma restauração mecânica, o filme mostra a reconstrução de uma memória coletiva
“É a nossa história no palco principal. Meu pai viveu por isso, construiu toda a vida dele na estrada de ferro. Tenho certeza de que ele estaria muito feliz”, afirmou, emocionada.
De acordo com o secretário executivo de Turismo, Aleks Palitot, o documentário também cumpre um papel estratégico na valorização do patrimônio histórico e na educação das novas gerações.
“Esse material mostra, passo a passo, todo o processo de restauração e traz relatos de quem viveu essa história. Mais do que isso, ele reforça o sentimento de pertencimento e a importância de preservar a nossa memória. O material será disponibilizado na plataforma da prefeitura, levado às escolas e utilizado em programas como o Turista Aprendiz, permitindo que crianças e jovens tenham contato direto com a história de Porto Velho. Além disso, ele será inscrito em festivais de cinema e difundido como parte das ações de promoção turística da cidade”, explicou.
Durante o evento, que contou ainda com a presença de autoridades locais, foram anunciadas novas etapas do projeto de revitalização do complexo ferroviário, incluindo a retomada gradual do passeio de trem, a recuperação de outras locomotivas e a reestruturação de trechos da ferrovia até Santo Antônio.
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