Em Brasília, povo Karipuna pede socorro a União Europeia contra o genocídio

Delegação indígena de Rondônia pede retirada de grileiros e madeireiros de seu território

Assessoria
Publicada em 22 de setembro de 2022 às 16:58
Em Brasília, povo Karipuna pede socorro a União Europeia contra o genocídio
Indígenas Karipuna reunidos na embaixada da União Européia em Brasília - Foto: Adriano Machado / Greenpeace Brasil

 Nesta semana, até o dia 23 de setembro (sexta-feira), lideranças indígenas da Terra Indígena (TI) Karipuna, em Rondônia, estão em Brasília para fazer um apelo a diversos países estrangeiros e órgãos públicos brasileiros. Os indígenas pedem proteção ao povo e ao território Karipuna, amplamente invadido por grileiros e madeireiros. Participam da delegação presente na capital federal treze indígenas. Além das lideranças Karipuna, também fazem parte da mobilização indígenas dos povos Piripkura e Uru-Eu-Wau-Wau, que vivem com os Karipuna na aldeia Panorama, no interior da TI. O Greenpeace Brasil, ao lado do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (Apib) acompanha a delegação nas agendas em Brasília.

Na capital federal, uma extensa agenda de reuniões das lideranças indígenas com embaixadas de oito países inclui pautas como a proteção dos territórios, a retirada de grileiros e desmatadores de suas terras e que os países europeus não façam contratos comerciais com o Brasil envolvendo produtos relacionados com a destruição das florestas e desrespeito aos direitos dos povos indígenas e tradicionais. Para o povo Karipuna é muito importante, por exemplo, que os outros países se atentem para a origem da madeira e da carne que chega aos mercados do exterior. Além disso, também serão realizadas audiências com a embaixada da União Europeia e com o Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU).

Sobreviventes de invasão em território Karipuna nos anos 1970 presentes em Brasília

Na década de 1970, um contato com invasores em seu território quase dizimou os Karipuna. Quarenta anos depois, com uma população ainda mais reduzida, ameaçada e cercada por grileiros e madeireiros, os sobreviventes do desastroso contato estão presentes hoje em Brasília fazendo apelo pela sobrevivência, como é o caso do ancião Aripã Karipuna: “Estamos cercados por invasores. Eles se sentem donos do nosso território, nós não aceitamos isso. Quando tira os grileiros de um lado, eles vão para o outro, derrubar nossas castanheiras, destruir nossa floresta, deixando só pasto e boi”.

Outra sobrevivente do ataque realizado há 40 anos, a anciã Katika Karipuna, questiona inclusive o papel da Fundação Nacional do Índio (Funai) para evitar o genocídio indígena: “Não estamos gostando do que está acontecendo no território. A Funai, que deveria proteger, não faz seu trabalho. Pelo contrário, está contra nós, com a política deste governo que tem apoiado e incentivado os invasores. E o que será do nosso futuro, do nosso território?”.

Para Danicley de Aguiar, porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil, é um dever do poder público promover políticas de proteção para os povos originários, assim como é necessário o fortalecimento das organizações que atuam na defesa do meio ambiente à essas reivindicações: “Os povos indígenas são um exemplo de convivência com a floresta. E além de protegidos, todos nós devemos ouvi-los, afinal quem tem 12 mil anos de convivência com a floresta tem muito a dizer sobre a necessária transição ecológica do atual modelo econômico que consome rios, florestas e pessoas”, completa.

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