IA DIZER (E QUASE DISSE)

Ia dizer e quase disse que o bom de ser nada é o sonho, porque quando a gente não tem nada o sonho é tudo

Fonte: José Danilo Rangel/Foto: Renan Lima, pexels.com - Publicada em 03 de julho de 2026 às 14:41

IA DIZER (E QUASE DISSE)

Ia dizer que é bom ser nada, 
por causa do sonho, da forma 
como a gente sonha,

Nada alimenta mais o fogo do 
sonho que a lenha da miséria, 
da necessidade.

Passar fome intensifica a capacidade 
de sonhar, não sei se é a tontura 
que dá, mas sei que é efeito direto 
da privação de alimentos;

Ia dizer e quase disse que o bom 
de ser nada é o sonho, porque 
quando a gente não tem nada 
o sonho é tudo,

Mas deitei um pouco ali na rede 
pra pensar e pensei; e lembrei daquele 
tempo e que não foi nada bom,

Nem o sonho era bom, porque era 
fruto do desespero.

“O escuro acende os vagalumes”,
acho tão bonita essa fala
do poeta, mas pensei na escuridão,
nos vagalumes e seus motivos.

A gente sofre desses automatismos,
não gosta de admitir as derrotas,
então, cria histórias, perverte
os fatos…

A gente tenta se convencer
de que foi bom, de que teve algo
bom e compensou, porque o escuro
de ter vivido isso acende na gente
essa revolta.

Eu ia dizer que foi bom (e quase disse),
mas não vou, dormir e acordar com 
fomes e incertezas não é nada bom.

IA DIZER (E QUASE DISSE)

Ia dizer e quase disse que o bom de ser nada é o sonho, porque quando a gente não tem nada o sonho é tudo

José Danilo Rangel/Foto: Renan Lima, pexels.com
Publicada em 03 de julho de 2026 às 14:41
IA DIZER (E QUASE DISSE)

Ia dizer que é bom ser nada, 
por causa do sonho, da forma 
como a gente sonha,

Nada alimenta mais o fogo do 
sonho que a lenha da miséria, 
da necessidade.

Passar fome intensifica a capacidade 
de sonhar, não sei se é a tontura 
que dá, mas sei que é efeito direto 
da privação de alimentos;

Ia dizer e quase disse que o bom 
de ser nada é o sonho, porque 
quando a gente não tem nada 
o sonho é tudo,

Mas deitei um pouco ali na rede 
pra pensar e pensei; e lembrei daquele 
tempo e que não foi nada bom,

Nem o sonho era bom, porque era 
fruto do desespero.

“O escuro acende os vagalumes”,
acho tão bonita essa fala
do poeta, mas pensei na escuridão,
nos vagalumes e seus motivos.

A gente sofre desses automatismos,
não gosta de admitir as derrotas,
então, cria histórias, perverte
os fatos…

A gente tenta se convencer
de que foi bom, de que teve algo
bom e compensou, porque o escuro
de ter vivido isso acende na gente
essa revolta.

Eu ia dizer que foi bom (e quase disse),
mas não vou, dormir e acordar com 
fomes e incertezas não é nada bom.

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