Inversão de prioridades

Por incrível que pareça, investe-se mais em propaganda oficial do que mesmo na melhoria de serviços públicos, essenciais à vida da população.

Valdemir Caldas
Publicada em 05 de dezembro de 2018 às 08:54
Inversão de prioridades

(*) Valdemir Caldas

Um problema extremamente grave, mas que parece não incomodar políticos e administradores da coisa pública. Trata-se da ausência de saneamento básico. Do bairro JK I, passando pelo Jardim Eldorado, até o Nacional, a situação é de calamidade pública. Entra prefeito, sai prefeito, e muito pouco ou quase nada tem sido feito nesse setor.

Os percentuais reservados nos orçamentos para as obras de saneamento são ínfimos, tornando o quadro cada vez mais dramático. Por incrível que pareça, investe-se mais em propaganda oficial do que mesmo na melhoria de serviços públicos, essenciais à vida da população. É só observar o orçamento do gabinete do prefeito Hildon Chaves, para o exercício de 2018, por exemplo, é ver quanto o poder executivo gastou com publicidade.

É difícil acreditar, mas é a dura realidade, especialmente quando se sabe que a falta de saneamento é responsável por mais de setenta por cento das internações hospitalares e pelo já elevado índice de mortalidade infantil, no Brasil, sobretudo, em algumas regiões do Norte e Nordeste. Enquanto o prefeito está preocupado com a montagem de uma árvore de Natal, alunos da rede municipal de ensino da área rural vão perder o ano letivo por falta de ônibus. Graças à burocracia oficial, moradores do Ramal do Jacu, distante 52 quilômetros de Porto Velho, sentido São Carlos, estão bebendo água barrenta, porque não tem acesso à distribuição de água mineral feita pela prefeitura, através da Defesa Civil, a comunidades da região do rio Madeira, apesar de já terem feito um maldito cadastro. E ainda tem gente que acha esse governo melhor do que o do Nazif.  

A população, cujo município foi cantado em prosa e verso durante a campanha eleitoral, continua vivendo no charco e na lama, em bairros miseráveis, sem drenagem e esgotos a céu aberto, sem água tratada e rodeada de lixo por todos os lados, enfim, sem as mínimas condições de habitabilidade e dignidade humana, expostas e vulneráveis a todo tipo de doenças e endemias. É uma total inversão de prioridades.

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