Léo Moraes lança Flori ao governo em estratégia de tudo ou nada

Prefeito de Vilhena, filiado ao Podemos, terá apoio do prefeito de capital, que vai testar sua capacidade de transferir votos para um candidato sem capilaridade; veja este e outros assuntos

Fonte: Painel Político - Publicada em 27 de janeiro de 2026 às 17:15

Léo Moraes lança Flori ao governo em estratégia de tudo ou nada

Teste de popularidade

O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos) anunciou que pretende apoiar (e cacifar) a candidatura do também prefeito de Vilhena, Delegado Flori, ao governo nas eleições deste ano. O apoio será um teste inicial (e definitivo) do poder de transferência de votos e prestígio a um candidato sem capilaridade em nível de Estado. Flori, que foi eleito e reeleito, passou os últimos anos na ‘bolha vilhenense', sem se preocupar em abrir frentes políticas e alianças pelo Estado. É uma candidatura, à princípio, insípida, embalada até o momento apenas pelo prestígio que Moraes tem junto à população da capital.

Embalagem complicada

Como prefeito, Flori envolveu-se em uma série de polêmicas. Comprou briga com a área de saúde, com empresários locais, privatizou a saúde municipal, orientado em parte pelo ex-secretário de Saúde de Rondônia e atual deputado federal Fernando Máximo (UB), que resultou em uma série de queixas por parte da população local. O Podemos, partido que Léo comanda no Estado, tem quadros com capilaridade mais ampla, como o também delegado, e deputado estadual Rodrigo Camargo, da região de Ariquemes e possível nome da legenda ao Senado.

Assembléia

Além de testar sua força com Flori, Moraes também quer construir uma nominata forte em âmbito estadual, e trabalha para eleger seu irmão, Paulo Moraes JR, a deputado estadual, o que provocou rompimento com a vice-prefeita de Léo, Magna dos Anjos, ligada ao ex-deputado estadual (a quem tem como mentor) Valter Araújo. Em relação a seu irmão, Léo tem razão, afinal, no campo político é mais fácil trabalhar com alguém próximo, que dificilmente irá contra os interesses do clã em algum momento, a mesma fidelidade não se pode esperar de Magna. Léo teve um primeiro ano de desafios, enfrentou um cenário de falta de liquidez no caixa, correu atrás e conseguiu emplacar a capital em uma série de programas do governo federal, cujos resultados deverão começar a ser vistos com mais clareza a partir deste ano.

Zebras

Porém, o eleitorado rondonienses é uma incógnita, e Léo sabe bem disso, já que conseguiu derrotar a candidata favorita que tinha amplo apoio nas esferas municipal e estadual, e pretende, ao que tudo indica, repetir o feito com o prefeito de Vilhena encabeçando a chapa majoritária. Os efeitos desta aposta devem começar a reverberar a partir de março, quando as candidaturas começam a ser, de fato, colocadas na mesa. Se Léo obtiver sucesso, conseguindo com que seu candidato atinja mais de dois dígitos nas intenções de votos, ou ao menos apareça entre os três primeiros colocados, já será um grande feito.

Ponto de desequilíbrio

A grande novidade desta eleição foi a manobra feita pelo Partido dos Trabalhadores de Rondônia, que conseguiu levar para a legenda, o ex-deputado federal Expedito Netto, filho do ex-senador Expedito Júnior, líder do PSD no Estado, que tem candidato próprio, o prefeito de Cacoal Adaílton Fúria, cujo nome polarizou com o do senador Marcos Rogério (PL).

Reflexos

A entrada de Netto na disputa atrapalha diretamente o candidato de seu pai, que poderia captar votos no campo da esquerda e do centro moderado. Com candidato próprio, o PT lança uma bomba nos atuais candidatos, que davam a legenda como ‘fora do jogo'. Atualmente o PT no estado conta apenas com a deputada estadual Cláudia de Jesus e apenas seis vereadores em todos os 52 municípios, sendo um em Corumbiara (Hélio do Sindicato); um em Mirante da Serra (Ezequiel Goedert), um em Nova Mamoré (André do Sindicato), três em Teixeirópolis (Dãozinho, Nurizete e Jumar Negrini).

Cada volta é um recomeço

A chegada de Netto, além de trazer ‘novos ares', também é um recomeço em busca do protagonismo perdido há tempos, desde que Roberto Sobrinho comandou a capital por dois mandatos, encerrando a carreira política em uma série de escândalos e secretários (além do próprio) sendo presos em operações deflagradas pelo Ministério Público. Roberto conseguiu se livrar de praticamente todas as acusações, mas o estrago político foi imenso.

Subiu no telhado

Ao que tudo indica, Marcos Rocha deve mesmo permanecer no cargo até o fim do mandato, abrindo mão de disputar o Senado. Apesar do governador já ter anunciado em entrevistas que pretende ficar no cargo, uma ala do governo ainda acredita em uma mudança de opinião. Alguns mais eufóricos chegam a afirmar que se trata de uma ‘estratégia’ para não ‘queimar o nome', mas a situação não está assim tão confortável.

Sinuca

Até os bagres do madeira sabem que a briga entre Marcos Rocha e o vice-governador, Sérgio Gonçalves foi um fator determinante para a indecisão sobre deixar ou não o cargo. Caso Gonçalves venha a assumir, a probabilidade dele sabotar o futuro político da família Rocha é altíssima. Daí a principal motivação para Rocha ficar onde está. Até porque pesadas nuvens se aproximam de Rondônia e prometem deixar as ‘águas de março’ mais revoltas. Se manter no cargo, é a forma mais segura de manter a blindagem. Ao menos até 2027.

Na briga

A deputada federal Sílvia Cristina (PL) está animadíssima com sua candidatura ao Senado, e não é para menos. Com trabalho diferenciado à frente da bancada federal, a deputada voltou todos seus esforços (e recursos) para os trabalhos sociais, entre eles o Hospital do Amor, que atende milhares de pacientes no Estado. No campo ideológico, a deputada vem seguindo a cartilha do Progressistas, sua legenda que é oposição ao governo Lula. Porém, sem se deixar contaminar pelas forças mais alopradas.

Curiosidade

A prefeitura de Porto Velho projetou no orçamento de 2026, R$ 1.543.329.347,00 para pagar despesas com pessoal e encargos sociais, incluindo a Câmara Municipal. É a maior rubrica da municipalidade.

Jogo de cena

O governador de Santa Catarina suspendeu o ingresso de alunos cotistas nas instituições de ensino superior estaduais sabendo que o ato era inconstitucional. A jogada teve dois objetivos claros, agradar parte do eleitorado catarinense que é mais à direita e desgastar o judiciário, que sai como o ‘grande vilão’ da história. Nesta terça-feira, o TJSC suspendeu o ato governista.

De volta em fevereiro

A coluna PAINEL POLÍTICO vai retornar em fevereiro, com modelo inovador, além de textos, também teremos vídeos curtos e entrevistas. No primeiro momento elas serão sem paywall, e posteriormente estarão disponíveis aos assinantes do blog. Também estaremos dando mais ênfase ao noticiário econômico, que está diretamente ligado ao fator político.

Léo Moraes lança Flori ao governo em estratégia de tudo ou nada

Prefeito de Vilhena, filiado ao Podemos, terá apoio do prefeito de capital, que vai testar sua capacidade de transferir votos para um candidato sem capilaridade; veja este e outros assuntos

Painel Político
Publicada em 27 de janeiro de 2026 às 17:15
Léo Moraes lança Flori ao governo em estratégia de tudo ou nada

Teste de popularidade

O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos) anunciou que pretende apoiar (e cacifar) a candidatura do também prefeito de Vilhena, Delegado Flori, ao governo nas eleições deste ano. O apoio será um teste inicial (e definitivo) do poder de transferência de votos e prestígio a um candidato sem capilaridade em nível de Estado. Flori, que foi eleito e reeleito, passou os últimos anos na ‘bolha vilhenense', sem se preocupar em abrir frentes políticas e alianças pelo Estado. É uma candidatura, à princípio, insípida, embalada até o momento apenas pelo prestígio que Moraes tem junto à população da capital.

Embalagem complicada

Como prefeito, Flori envolveu-se em uma série de polêmicas. Comprou briga com a área de saúde, com empresários locais, privatizou a saúde municipal, orientado em parte pelo ex-secretário de Saúde de Rondônia e atual deputado federal Fernando Máximo (UB), que resultou em uma série de queixas por parte da população local. O Podemos, partido que Léo comanda no Estado, tem quadros com capilaridade mais ampla, como o também delegado, e deputado estadual Rodrigo Camargo, da região de Ariquemes e possível nome da legenda ao Senado.

Assembléia

Além de testar sua força com Flori, Moraes também quer construir uma nominata forte em âmbito estadual, e trabalha para eleger seu irmão, Paulo Moraes JR, a deputado estadual, o que provocou rompimento com a vice-prefeita de Léo, Magna dos Anjos, ligada ao ex-deputado estadual (a quem tem como mentor) Valter Araújo. Em relação a seu irmão, Léo tem razão, afinal, no campo político é mais fácil trabalhar com alguém próximo, que dificilmente irá contra os interesses do clã em algum momento, a mesma fidelidade não se pode esperar de Magna. Léo teve um primeiro ano de desafios, enfrentou um cenário de falta de liquidez no caixa, correu atrás e conseguiu emplacar a capital em uma série de programas do governo federal, cujos resultados deverão começar a ser vistos com mais clareza a partir deste ano.

Zebras

Porém, o eleitorado rondonienses é uma incógnita, e Léo sabe bem disso, já que conseguiu derrotar a candidata favorita que tinha amplo apoio nas esferas municipal e estadual, e pretende, ao que tudo indica, repetir o feito com o prefeito de Vilhena encabeçando a chapa majoritária. Os efeitos desta aposta devem começar a reverberar a partir de março, quando as candidaturas começam a ser, de fato, colocadas na mesa. Se Léo obtiver sucesso, conseguindo com que seu candidato atinja mais de dois dígitos nas intenções de votos, ou ao menos apareça entre os três primeiros colocados, já será um grande feito.

Ponto de desequilíbrio

A grande novidade desta eleição foi a manobra feita pelo Partido dos Trabalhadores de Rondônia, que conseguiu levar para a legenda, o ex-deputado federal Expedito Netto, filho do ex-senador Expedito Júnior, líder do PSD no Estado, que tem candidato próprio, o prefeito de Cacoal Adaílton Fúria, cujo nome polarizou com o do senador Marcos Rogério (PL).

Reflexos

A entrada de Netto na disputa atrapalha diretamente o candidato de seu pai, que poderia captar votos no campo da esquerda e do centro moderado. Com candidato próprio, o PT lança uma bomba nos atuais candidatos, que davam a legenda como ‘fora do jogo'. Atualmente o PT no estado conta apenas com a deputada estadual Cláudia de Jesus e apenas seis vereadores em todos os 52 municípios, sendo um em Corumbiara (Hélio do Sindicato); um em Mirante da Serra (Ezequiel Goedert), um em Nova Mamoré (André do Sindicato), três em Teixeirópolis (Dãozinho, Nurizete e Jumar Negrini).

Cada volta é um recomeço

A chegada de Netto, além de trazer ‘novos ares', também é um recomeço em busca do protagonismo perdido há tempos, desde que Roberto Sobrinho comandou a capital por dois mandatos, encerrando a carreira política em uma série de escândalos e secretários (além do próprio) sendo presos em operações deflagradas pelo Ministério Público. Roberto conseguiu se livrar de praticamente todas as acusações, mas o estrago político foi imenso.

Subiu no telhado

Ao que tudo indica, Marcos Rocha deve mesmo permanecer no cargo até o fim do mandato, abrindo mão de disputar o Senado. Apesar do governador já ter anunciado em entrevistas que pretende ficar no cargo, uma ala do governo ainda acredita em uma mudança de opinião. Alguns mais eufóricos chegam a afirmar que se trata de uma ‘estratégia’ para não ‘queimar o nome', mas a situação não está assim tão confortável.

Sinuca

Até os bagres do madeira sabem que a briga entre Marcos Rocha e o vice-governador, Sérgio Gonçalves foi um fator determinante para a indecisão sobre deixar ou não o cargo. Caso Gonçalves venha a assumir, a probabilidade dele sabotar o futuro político da família Rocha é altíssima. Daí a principal motivação para Rocha ficar onde está. Até porque pesadas nuvens se aproximam de Rondônia e prometem deixar as ‘águas de março’ mais revoltas. Se manter no cargo, é a forma mais segura de manter a blindagem. Ao menos até 2027.

Na briga

A deputada federal Sílvia Cristina (PL) está animadíssima com sua candidatura ao Senado, e não é para menos. Com trabalho diferenciado à frente da bancada federal, a deputada voltou todos seus esforços (e recursos) para os trabalhos sociais, entre eles o Hospital do Amor, que atende milhares de pacientes no Estado. No campo ideológico, a deputada vem seguindo a cartilha do Progressistas, sua legenda que é oposição ao governo Lula. Porém, sem se deixar contaminar pelas forças mais alopradas.

Curiosidade

A prefeitura de Porto Velho projetou no orçamento de 2026, R$ 1.543.329.347,00 para pagar despesas com pessoal e encargos sociais, incluindo a Câmara Municipal. É a maior rubrica da municipalidade.

Jogo de cena

O governador de Santa Catarina suspendeu o ingresso de alunos cotistas nas instituições de ensino superior estaduais sabendo que o ato era inconstitucional. A jogada teve dois objetivos claros, agradar parte do eleitorado catarinense que é mais à direita e desgastar o judiciário, que sai como o ‘grande vilão’ da história. Nesta terça-feira, o TJSC suspendeu o ato governista.

De volta em fevereiro

A coluna PAINEL POLÍTICO vai retornar em fevereiro, com modelo inovador, além de textos, também teremos vídeos curtos e entrevistas. No primeiro momento elas serão sem paywall, e posteriormente estarão disponíveis aos assinantes do blog. Também estaremos dando mais ênfase ao noticiário econômico, que está diretamente ligado ao fator político.

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