MPRO reforça combate à violência de gênero
A campanha integra o trabalho da instituição na defesa de direitos e na promoção de igualdade de gênero
O Ministério Público de Rondônia (MPRO), por meio do Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit) lançou, na terça-feira (9/6), no auditório-sede institucional, a campanha “Respeito é Regra do Jogo”, ação de combate à violência contra a mulher durante a Copa do Mundo. Integrantes da instituição e a imprensa foram convidados a conhecer as atividades previstas e materiais que darão suporte para ampliar o debate social, além de auxiliar na prevenção de casos de violência no contexto esportivo.
A mesa de autoridades foi presidida pelo Procurador-Geral de Justiça, Alexandre Jésus de Queiróz Santiago, e contou com a participação da coordenadora do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública (Gaesp), Tânia Garcia; da coordenadora do Navit, Eiko Danieli Vieira Araki; do Ouvidor-Geral do MPRO, Carlos Grott; da Ouvidora da Mulher, Emília Oiye; do presidente da Associação do Ministério Público (Ampro), Elias Chaquian Filho; do Vice-Presidente da Federação de Futebol do Estado de Rondônia, Fabrício Medeiros; e da representante da Rede Lilás, Rosimar Francelino.
O Procurador-Geral de Justiça lançou a campanha com foco no enfrentamento à violência de gênero e na promoção da segurança das mulheres, especialmente no contexto da Copa do Mundo. Em sua fala, destacou a necessidade de assegurar que elas possam ocupar livremente todos os espaços, com base nos princípios do respeito e da equidade. Mais do que a responsabilização dos agressores, o PGJ enfatizou a prevenção e a conscientização, por meio de campanhas informativas que incentivem a denúncia e garantam a efetivação dos direitos constitucionais. O Procurador-Geral reforça que, tanto nos ambientes de lazer quanto no próprio lar, a integridade da mulher deve ser tratada como regra inegociável.
A coordenadora do Gaesp, Tânia Garcia, explicou que a campanha busca fortalecer uma cultura de equidade e segurança, reforçando o direito das mulheres ao lazer e ao esporte, inclusive o futebol. Segundo ela, a iniciativa surge diante de um cenário alarmante — com média de 15 casos diários de violência contra mulheres no estado — e do alto índice de assédio ligado ao esporte. “Essa realidade impacta mulheres, crianças, adolescentes, a economia e o próprio esporte. Para mudar esse cenário, é preciso engajamento e comprometimento de todos”, reforça. Nesse contexto, a ação propõe mobilizar imprensa, federação estadual de futebol e sociedade para transformar ambientes de lazer em espaços seguros, promovendo respeito e ampliando a participação feminina.
Em sua fala, a coordenadora do Navit, Eiko Danieli Vieira Araki, alerta para a necessidade urgente de combater o assédio e a violência contra mulheres no ambiente esportivo, especialmente durante a Copa do Mundo, destacando que os estádios ainda são vistos como espaços inseguros para o público feminino. Ela defendeu a ocupação desses locais por todos, com garantia de segurança, e ressaltou o papel do Núcleo de Atendimento às Vítimas na oferta de acolhimento e suporte jurídico em todo o estado. A coordenadora do Navit também incentivou o uso de canais de denúncia, inclusive anônimas, como forma de coibir agressões, reforçando o compromisso institucional de transformar eventos esportivos em ambientes seguros e inclusivos para todos os públicos.
Campanha durante toda a Copa
A campanha será realizada durante todo o período da Copa do Mundo, até 17 de julho de 2026. O trabalho busca incentivar mudanças de comportamento e reduzir situações de violência contra mulheres. O objetivo é usar o grande público do futebol para falar sobre respeito e igualdade.
A campanha propõe reflexões sobre temas comuns na vida das pessoas. Entre eles estão os estereótipos de gênero, que são ideias fixas sobre como homens e mulheres devem agir. Também trata da divisão das tarefas de casa, muitas vezes concentradas nas mulheres.
Outro ponto é a sobrecarga feminina, que ocorre quando a mulher acumula muitas funções ao mesmo tempo, como trabalho e cuidados da casa. A ação também aborda a repetição de papéis antigos, que fazem parecer normal a desigualdade e a violência.
A campanha terá cartazes, cartões, porta-copos e uma série de vídeos curtos nas redes sociais da instituição. Os materiais físicos serão distribuídos em espaços com grande circulação de pessoas, como bares. A ideia é ampliar o alcance da campanha e facilitar o acesso do público às informações.
Estatísticas
Dados do “Mapa da Violência Doméstica” de 2026, disponível no portal do MPRO, revelam um cenário preocupante no estado. Ao todo, foram registradas 2.881 ocorrências pela Polícia Militar, número que representa um aumento de 4,61% em relação ao período anterior.
Na prática, isso significa uma média de 15 vítimas por dia, ou 31 casos para cada grupo de 10 mil mulheres. Além dos registros policiais, o sistema de Justiça contabilizou 4.634 medidas protetivas de urgência (MPU) e 1.167 procedimentos extrajudiciais, demonstrando a elevada demanda por proteção às vítimas.
O levantamento aponta que a maioria das vítimas é do gênero feminino, representando 89,9% dos casos. A faixa etária mais atingida está entre 20 e 40 anos, concentrando 63,5% das ocorrências. Em relação à raça/cor, 51,8% se identificam como pardas ou pretas. Já quanto à escolaridade, 16% possuem ensino médio completo.
As ocorrências acontecem, majoritariamente, no ambiente doméstico. Cerca de 37,5% dos episódios são registrados na residência compartilhada com o agressor, enquanto 23,2% ocorrem na casa da vítima. Os agressores, na maioria das situações, mantêm ou mantiveram relação íntima com as vítimas. Maridos são responsáveis por 40,7% dos casos, enquanto ex-maridos ou ex-companheiros respondem por 30,9%.
Feminicídio em alta
O painel estatístico também aponta crescimento expressivo nos casos de feminicídio. Em 2025, foram registradas 25 vítimas em Rondônia, um aumento de 78,57% em relação a 2024, quando houve 14 registros. O histórico recente indica oscilações nos números: após um pico de 23 casos em 2022, houve queda em 2024, seguida de nova alta em 2025, que iguala o maior patamar da série.
De forma geral, Rondônia apresenta uma média de 6 feminicídios para cada 100 mil mulheres, considerando uma população feminina estimada em 468.120. Dados atualizados até 7 de junho de 2026 indicam que o monitoramento segue em andamento, com dois casos já registrados neste início de ano.
Saiba onde buscar ajuda
O Ministério Público e os órgãos de segurança mantêm canais abertos para orientação e proteção imediata:
- Emergência e Risco: Ligue 190 (Polícia Militar) ou dirija-se à Unidade de Saúde mais próxima.
- Ouvidoria do MPRO: Atendimento via WhatsApp pelo número (69) 999 770 127, pelo telefone (69) 3216-3700 ou ligue 127.
- Navit: Atendimento via WhatsApp pelo número (69) 999 066 411.
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