Não confundir interdependência com subserviência

Houve até que imaginasse que as forças políticas já se tinham compostas para a disputa. Algumas alianças pareciam ter chegado a uma definição, mesmo se formadas por personagens que, como a água e o azeite, não se podem misturar.

Valdemir Caldas
Publicada em 09 de março de 2018 às 10:04

Os recentes acontecimentos políticos de Rondônia, se não são tudo, podem dar boa ideia de como será a campanha eleitoral para o governo do Estado e demais cargos eletivos que estarão em jogo no próximo mês de outubro.

Houve até que imaginasse que as forças políticas já se tinham compostas para a disputa. Algumas alianças pareciam ter chegado a uma definição, mesmo se formadas por personagens que, como a água e o azeite, não se podem misturar.

Mas, em Rondônia, como de resto Brasil a fora, política se faz com boas doses de pragmatismo, trairagem e chantagem. É bem verdade que nem todos os políticos compactuam com a política do é dando que se recebe; do Mateus, primeiro os meus, e do toma-lá-dá-cá, onde o que menos importa é a coincidência de pontos de vista, desde que o esquecimento de princípios e propósitos concorra para amealhar votos.

Uma vez eleitos, parece irrelevante a interpretação que alguns têm de seu papel, do sistema político e das necessidades da população, comportando-se como meninos de recado do chefe do executivo, em vez de legítimos representantes do povo que os elegeu.

 

Em discurso, proferido na sessão plenária de quarta-feira (7), o deputado estadual Aélcio da TV, destacou a importância da harmonia e interdependência entre os poderes. Falou com autoridade de quem não indicou um zelador para cargo na administração estadual.

Infelizmente, o que se tem observado é o absoluto desprezo por essa regra. A experiência nacional sempre revelou certa preponderância do Executivo sobre os demais poderes, especialmente o Legislativo, como se este fosse uma extensão daquele.

Alguns políticos enchem a boca para falar em cidadania. Outros recheiam os discursos de intenções moralizadoras, mas a realidade está muito distante disso. Os fatos falam por si sós. A cada movimento no xadrez político é notório o afã incansável de apropriar-se do aparelho administrativo, para finalidades que jamais poderão aparecer à luz do sol.

Depois, os políticos ficam fulos da vida quando o eleitor, plenamente justificado, resolve virar-lhes às costas. Não são poucos os que insistem em confundir interdependência entre os poderes com subserviência.

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