Rondônia tem 463 PMs cedidos enquanto só 700 atuam na operação diária

Levantamento obtido com fonte da Casa Civil do Governo de Rondônia, com base em documentos oficiais, mostra que policiais cedidos a outros órgãos seriam suficientes para formar um batalhão inteiro da Polícia Militar

Fonte: RUBENS COUTINHO/EDITOR DO TUDORONDONIA - Publicada em 13 de junho de 2026 às 12:49

Rondônia tem 463 PMs cedidos enquanto só 700 atuam na operação diária

A Polícia Militar de Rondônia deveria ter 8.364 policiais militares no efetivo. No entanto, após 12 anos sem concurso público para recomposição da tropa, a corporação conta atualmente com cerca de 4.710 militares.

Desse total, 463 policiais estão cedidos a outros órgãos públicos, conforme documentos oficiais do Governo de Rondônia. A lista inclui militares lotados na Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, Ministério Público, Casa Militar, SESDEC, prefeituras, secretarias estaduais e outros órgãos.

Além dos cedidos, a PM ainda convive com outros fatores que reduzem o efetivo diário nas ruas. Em média, 400 policiais entram em férias por mês. Também há baixas provocadas por problemas de saúde, inclusive psicológicos, além de afastamentos administrativos e operacionais.

Na prática, segundo informações internas, a Polícia Militar teria hoje cerca de 700 homens em atividade operacional diária para atender os 52 municípios de Rondônia. O número é considerado baixo diante do avanço da criminalidade, da extensão territorial do estado e da demanda crescente por policiamento ostensivo.

Os 463 policiais cedidos representam 66% do efetivo operacional diário estimado. Em termos práticos, esse contingente seria suficiente para formar um batalhão inteiro da Polícia Militar.

Sete coronéis estão fora da atividade-fim

Entre os 463 militares cedidos a outros órgãos, há 7 coronéis da Polícia Militar. Também aparecem na relação 15 tenentes-coronéis, 6 majores, 5 capitães, 11 tenentes, 24 subtenentes, 78 primeiros-sargentos, 77 segundos-sargentos, 151 terceiros-sargentos e 89 cabos.

A maior concentração está na Casa Militar, com 131 policiais militares. Em seguida aparecem a SESDEC, com 108; a Assembleia Legislativa de Rondônia, com 56; o Tribunal de Justiça, com 43; e o Ministério Público, somando MPRO e GAECO, com 37.

Assembleia Legislativa tem 56 policiais militares

A Assembleia Legislativa de Rondônia mantém 56 policiais militares cedidos. A relação inclui 1 tenente-coronel, 2 subtenentes, 10 primeiros-sargentos, 5 segundos-sargentos, 16 terceiros-sargentos e 22 cabos.

O número de militares cedidos ao Legislativo é superior ao efetivo operacional diário de muitos municípios do interior de Rondônia.

Tribunal de Justiça tem 43 militares cedidos

O Tribunal de Justiça de Rondônia aparece na lista com 43 policiais militares cedidos. São 1 coronel, 1 tenente-coronel, 1 primeiro-tenente, 1 subtenente, 12 primeiros-sargentos, 8 segundos-sargentos, 12 terceiros-sargentos e 7 cabos.

Tribunal de Contas tem 12 policiais militares

No Tribunal de Contas de Rondônia, há 12 policiais militares cedidos. A composição é formada por 1 coronel, 1 major, 3 primeiros-sargentos, 2 segundos-sargentos, 2 terceiros-sargentos e 3 cabos.

Ministério Público soma 37 militares com o GAECO

O Ministério Público de Rondônia tem 30 policiais militares cedidos. Quando somado ao GAECO, o total chega a 37.

No MPRO, são 1 tenente-coronel, 1 capitão, 2 subtenentes, 2 primeiros-sargentos, 7 segundos-sargentos, 14 terceiros-sargentos e 3 cabos.

No GAECO, ligado ao MPRO, há mais 7 militares: 1 primeiro-tenente, 1 segundo-tenente, 1 subtenente, 1 primeiro-sargento, 2 segundos-sargentos e 1 terceiro-sargento.

Casa Militar concentra 131 policiais

A Casa Militar é o órgão com maior número de policiais militares cedidos: 131. A lista inclui 1 coronel, 1 tenente-coronel, 3 majores, 2 capitães, 12 subtenentes, 26 primeiros-sargentos, 28 segundos-sargentos, 38 terceiros-sargentos e 20 cabos.

Além disso, a Casa Militar em Ji-Paraná aparece com mais 4 militares: 1 primeiro-sargento, 1 terceiro-sargento e 2 cabos.

SESDEC tem 108 policiais militares

A Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania tem 108 policiais militares cedidos. São 7 tenentes-coronéis, 2 majores, 1 capitão, 2 primeiros-tenentes, 5 subtenentes, 14 primeiros-sargentos, 17 segundos-sargentos, 42 terceiros-sargentos e 18 cabos.

O CIOP de Ji-Paraná, vinculado à SESDEC, aparece separadamente com mais 11 policiais militares: 1 segundo-tenente, 3 segundos-sargentos e 7 terceiros-sargentos.

Outros órgãos também têm militares cedidos

A Prefeitura de Porto Velho tem 16 policiais militares cedidos. A Defensoria Pública tem 5. A SEAS tem 6. A SEDAM tem 4. O Gabinete do Governador tem 3. A Politec tem 3. Também há militares em prefeituras do interior, na PGE, Casa Civil, SEPOG, SEPAT, SEJUS, SETIC, SUPEL, TRE, SESAU, DER, Detran, ABIN e outros órgãos.

No Detran, há 2 militares, sendo 1 coronel e 1 capitão. Na Casa Civil, há 1 coronel. Na SEPOG, há 2 militares, sendo 1 coronel e 1 cabo. No DER, há 1 coronel.

População sente insegurança nos bairros

A redução do efetivo nas ruas ocorre em um momento de aumento da sensação de insegurança em Rondônia, especialmente em Porto Velho.

Moradores de bairros periféricos relatam a presença de facções criminosas, ameaças, execuções, “tribunais do crime”, invasões de áreas urbanas e rurais, além de ataques a provedores de internet. Empresas do setor já relataram ameaças, extorsões e destruição de estruturas.

A situação expõe a contradição entre o déficit de policiais nas ruas e o número de militares fora da atividade-fim. Enquanto a população cobra policiamento ostensivo, centenas de policiais permanecem cedidos a órgãos públicos.

Governador é coronel da PM

O governador Marcos Rocha é coronel da Polícia Militar. Mesmo assim, durante sua gestão, a corporação chegou a uma situação de déficit de efetivo, sem concurso público há 12 anos e com centenas de militares cedidos a outros órgãos.

A permanência desse quadro ocorre em meio ao avanço das facções criminosas e à cobrança da população por mais segurança nos bairros, distritos e municípios do interior.

Ao deixar o cargo, a legislação estadual assegura a ex-governadores o direito a 6 policiais militares e 2 veículos oficiais pelo prazo de 48 meses, desde que cumpridos os requisitos previstos em lei.

Até o momento, os documentos analisados não apontam ameaça formal contra o governador que justifique reforço extraordinário de segurança pessoal. Também não indicam redução imediata das cessões para reforçar o policiamento ostensivo.

Dados mostram distorção no uso do efetivo

A tabela oficial de policiais cedidos mostra uma distorção no uso do efetivo da Polícia Militar de Rondônia. Com apenas 700 homens operacionais por dia, segundo estimativa interna, os 463 policiais cedidos poderiam reforçar de forma significativa o policiamento ostensivo.

O dado central é objetivo: Rondônia tem 463 policiais militares cedidos a outros órgãos, enquanto a população enfrenta medo, domínio territorial de facções em áreas periféricas e cobrança por presença policial nas ruas.

A recomposição do efetivo, a realização de concurso público e a revisão das cessões passaram a ser temas centrais no debate sobre segurança pública no estado.

Rondônia tem 463 PMs cedidos enquanto só 700 atuam na operação diária

Levantamento obtido com fonte da Casa Civil do Governo de Rondônia, com base em documentos oficiais, mostra que policiais cedidos a outros órgãos seriam suficientes para formar um batalhão inteiro da Polícia Militar

RUBENS COUTINHO/EDITOR DO TUDORONDONIA
Publicada em 13 de junho de 2026 às 12:49
Rondônia tem 463 PMs cedidos enquanto só 700 atuam na operação diária

A Polícia Militar de Rondônia deveria ter 8.364 policiais militares no efetivo. No entanto, após 12 anos sem concurso público para recomposição da tropa, a corporação conta atualmente com cerca de 4.710 militares.

Desse total, 463 policiais estão cedidos a outros órgãos públicos, conforme documentos oficiais do Governo de Rondônia. A lista inclui militares lotados na Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, Ministério Público, Casa Militar, SESDEC, prefeituras, secretarias estaduais e outros órgãos.

Além dos cedidos, a PM ainda convive com outros fatores que reduzem o efetivo diário nas ruas. Em média, 400 policiais entram em férias por mês. Também há baixas provocadas por problemas de saúde, inclusive psicológicos, além de afastamentos administrativos e operacionais.

Na prática, segundo informações internas, a Polícia Militar teria hoje cerca de 700 homens em atividade operacional diária para atender os 52 municípios de Rondônia. O número é considerado baixo diante do avanço da criminalidade, da extensão territorial do estado e da demanda crescente por policiamento ostensivo.

Os 463 policiais cedidos representam 66% do efetivo operacional diário estimado. Em termos práticos, esse contingente seria suficiente para formar um batalhão inteiro da Polícia Militar.

Sete coronéis estão fora da atividade-fim

Entre os 463 militares cedidos a outros órgãos, há 7 coronéis da Polícia Militar. Também aparecem na relação 15 tenentes-coronéis, 6 majores, 5 capitães, 11 tenentes, 24 subtenentes, 78 primeiros-sargentos, 77 segundos-sargentos, 151 terceiros-sargentos e 89 cabos.

A maior concentração está na Casa Militar, com 131 policiais militares. Em seguida aparecem a SESDEC, com 108; a Assembleia Legislativa de Rondônia, com 56; o Tribunal de Justiça, com 43; e o Ministério Público, somando MPRO e GAECO, com 37.

Assembleia Legislativa tem 56 policiais militares

A Assembleia Legislativa de Rondônia mantém 56 policiais militares cedidos. A relação inclui 1 tenente-coronel, 2 subtenentes, 10 primeiros-sargentos, 5 segundos-sargentos, 16 terceiros-sargentos e 22 cabos.

O número de militares cedidos ao Legislativo é superior ao efetivo operacional diário de muitos municípios do interior de Rondônia.

Tribunal de Justiça tem 43 militares cedidos

O Tribunal de Justiça de Rondônia aparece na lista com 43 policiais militares cedidos. São 1 coronel, 1 tenente-coronel, 1 primeiro-tenente, 1 subtenente, 12 primeiros-sargentos, 8 segundos-sargentos, 12 terceiros-sargentos e 7 cabos.

Tribunal de Contas tem 12 policiais militares

No Tribunal de Contas de Rondônia, há 12 policiais militares cedidos. A composição é formada por 1 coronel, 1 major, 3 primeiros-sargentos, 2 segundos-sargentos, 2 terceiros-sargentos e 3 cabos.

Ministério Público soma 37 militares com o GAECO

O Ministério Público de Rondônia tem 30 policiais militares cedidos. Quando somado ao GAECO, o total chega a 37.

No MPRO, são 1 tenente-coronel, 1 capitão, 2 subtenentes, 2 primeiros-sargentos, 7 segundos-sargentos, 14 terceiros-sargentos e 3 cabos.

No GAECO, ligado ao MPRO, há mais 7 militares: 1 primeiro-tenente, 1 segundo-tenente, 1 subtenente, 1 primeiro-sargento, 2 segundos-sargentos e 1 terceiro-sargento.

Casa Militar concentra 131 policiais

A Casa Militar é o órgão com maior número de policiais militares cedidos: 131. A lista inclui 1 coronel, 1 tenente-coronel, 3 majores, 2 capitães, 12 subtenentes, 26 primeiros-sargentos, 28 segundos-sargentos, 38 terceiros-sargentos e 20 cabos.

Além disso, a Casa Militar em Ji-Paraná aparece com mais 4 militares: 1 primeiro-sargento, 1 terceiro-sargento e 2 cabos.

SESDEC tem 108 policiais militares

A Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania tem 108 policiais militares cedidos. São 7 tenentes-coronéis, 2 majores, 1 capitão, 2 primeiros-tenentes, 5 subtenentes, 14 primeiros-sargentos, 17 segundos-sargentos, 42 terceiros-sargentos e 18 cabos.

O CIOP de Ji-Paraná, vinculado à SESDEC, aparece separadamente com mais 11 policiais militares: 1 segundo-tenente, 3 segundos-sargentos e 7 terceiros-sargentos.

Outros órgãos também têm militares cedidos

A Prefeitura de Porto Velho tem 16 policiais militares cedidos. A Defensoria Pública tem 5. A SEAS tem 6. A SEDAM tem 4. O Gabinete do Governador tem 3. A Politec tem 3. Também há militares em prefeituras do interior, na PGE, Casa Civil, SEPOG, SEPAT, SEJUS, SETIC, SUPEL, TRE, SESAU, DER, Detran, ABIN e outros órgãos.

No Detran, há 2 militares, sendo 1 coronel e 1 capitão. Na Casa Civil, há 1 coronel. Na SEPOG, há 2 militares, sendo 1 coronel e 1 cabo. No DER, há 1 coronel.

População sente insegurança nos bairros

A redução do efetivo nas ruas ocorre em um momento de aumento da sensação de insegurança em Rondônia, especialmente em Porto Velho.

Moradores de bairros periféricos relatam a presença de facções criminosas, ameaças, execuções, “tribunais do crime”, invasões de áreas urbanas e rurais, além de ataques a provedores de internet. Empresas do setor já relataram ameaças, extorsões e destruição de estruturas.

A situação expõe a contradição entre o déficit de policiais nas ruas e o número de militares fora da atividade-fim. Enquanto a população cobra policiamento ostensivo, centenas de policiais permanecem cedidos a órgãos públicos.

Governador é coronel da PM

O governador Marcos Rocha é coronel da Polícia Militar. Mesmo assim, durante sua gestão, a corporação chegou a uma situação de déficit de efetivo, sem concurso público há 12 anos e com centenas de militares cedidos a outros órgãos.

A permanência desse quadro ocorre em meio ao avanço das facções criminosas e à cobrança da população por mais segurança nos bairros, distritos e municípios do interior.

Ao deixar o cargo, a legislação estadual assegura a ex-governadores o direito a 6 policiais militares e 2 veículos oficiais pelo prazo de 48 meses, desde que cumpridos os requisitos previstos em lei.

Até o momento, os documentos analisados não apontam ameaça formal contra o governador que justifique reforço extraordinário de segurança pessoal. Também não indicam redução imediata das cessões para reforçar o policiamento ostensivo.

Dados mostram distorção no uso do efetivo

A tabela oficial de policiais cedidos mostra uma distorção no uso do efetivo da Polícia Militar de Rondônia. Com apenas 700 homens operacionais por dia, segundo estimativa interna, os 463 policiais cedidos poderiam reforçar de forma significativa o policiamento ostensivo.

O dado central é objetivo: Rondônia tem 463 policiais militares cedidos a outros órgãos, enquanto a população enfrenta medo, domínio territorial de facções em áreas periféricas e cobrança por presença policial nas ruas.

A recomposição do efetivo, a realização de concurso público e a revisão das cessões passaram a ser temas centrais no debate sobre segurança pública no estado.

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