Sistema sobre estados reacionais da Hanseníase em Rondônia é apresentado em Congresso nas Filipinas

Participação com técnicos da Agevisa aconteceu em setembro. Sistema garante a vigilância dos casos de pacientes, monitoramento do manejo adequado, avaliação das estatísticas

Gaia Bentes Fotos: Frank Néry e Arquivo Agevisa
Publicada em 09 de outubro de 2019 às 12:34
Sistema sobre estados reacionais da Hanseníase em Rondônia é apresentado em Congresso nas Filipinas

Com destaque nacional e internacional, o desenvolvimento das ações voltadas ao tratamento da Hanseníase em Rondônia chegaram em Manila, capital das Filipinas, na Ásia. A coordenação estadual de Programa de Controle da Hanseníase, da Agência de Vigilância em Saúde (Agevisa), participou do 20° Congresso Internacional de Lepra com a apresentação do Sistema de Informação de Estados Reacionais (SisReação), no mês de setembro.

Com a criação da portaria de notificações compulsórias dos estados reacionais, em 2014, a Agevisa identificou a necessidade de validar a informação dentro do sistema com as notificações dos municípios. O sistema partiu de uma pesquisa levantada em Rondônia, de 2001 a 2004, sobre reações com pacientes em alguns municípios do Estado, dessa pesquisa realizada com pesquisadores da Universidade Federal do Ceará e Agevisa, viu-se a necessidade de criar uma ferramenta de monitoramento e acompanhamento.

Em 2006, foi criado um sistema mais simplificado offline, para notificações de estados reacionais. “As unidades faziam as notificações, encaminhavam à coordenação, que alimentava o sistema. Em 2017 viu-se a necessidade de ampliar a informação, não só para a coordenação estadual, como também aos municípios que devem fazer as notificações, então iniciou o desenvolvimento do sistema online, implementado neste ano (2019) com um projeto piloto”, explicou o coordenador do SisReação, Sebastião Sena.

O Sistema foi implantado apenas em Rondônia, com apoio da Diretoria Executiva de Tecnologia da Informação e Comunicação (Detic), e é utilizado pelos profissionais cadastrados, para proteção dos dados e informações dos pacientes. A informação online agiliza as medidas de ações da Agevisa, como o tratamento adequado e célere, para que o paciente não tenha o quadro agravado, com danos neurais. Bem como, a notificação e inclusão, quantitativo, boletim de acompanhamento, encerramento dos casos de episódios reacionais, como um banco de dados que permite o monitoramento dos estados reacionais.

Todos os dados do sistema antigo, 2,010 mil casos, serão migrados até 2020 para o novo sistema. Desse quantitativo, 540 são casos de pacientes com reações pós-alta, em tratamento. Esses números foram apresentados no Congresso em Filipinas, com as peculiaridades dos casos.

A hanseníase tem em sua maior complicação os episódios reacionais, que podem acontecer antes, durante e após o tratamento com a poliquimioterapia. Segundo a coordenadora de Hanseníase, Albanete Mendonça, a literatura afirma que 30% dos pacientes que iniciam tratamento já apresentam reações, ou adquirem durante o tratamento ou após. “O sistema de vigilância permite quantificar melhor esse potencial, com dados fidedignos e trabalhar o manejo da reação. Importante também para receber o medicamento do Ministério da Saúde, comprovando a necessidade”, diz.

O olhar do SisReação ao manejo clínico adequado dedica-se sobre o conhecimento dos tipos de reações, que podem ser classificadas em leve, moderada e grave.

Como há dificuldade no tratamento dos episódios reacionais, é necessário tratar o paciente não só com medicamentos, pois há alteração na autoestima, fragilidade emocional, então o sistema permite estudar os casos de forma específica, com ações alternativas desenvolvidas para o bem estar e qualidade de vida, mediante plano de cuidados e rede de atenção à pessoa acometida pela doença. Garantindo a sequência no monitoramento dos pacientes pós-alta, pois as reações podem acontecer até um ano depois do tratamento da doença.

HANSENÍASE 

A Hanseníase é uma doença dermato-neurológica, infecciosa, crônica, acometendo principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo comprometer também os olhos, rins e outros órgãos, transmitida por vias aéreas, pela proximidade e convivência.

“O estado de Rondônia conta um serviço de reabilitação e cirurgia referência no Hospital Santa Marcelina. Mas ainda assim, podem acontecer processos irreversíveis, por isso a importância de identificar e tratar, para evitar um estado mais agravado”, orienta Ana Flora Gerhardt, diretora geral da Agevisa.

Rondônia é o terceiro estado da Região Norte em números de casos, sexto no Brasil. O país ocupa o segundo lugar em quadros de pacientes com a doença. Por ser uma doença estigmatizada, muitos sentem medo de se expor, mas essa realidade tem mudado em todo o mundo, a exemplo das ações sociais desenvolvidas em Rondônia, que foram destaques em uma palestra realizada pela FioCruz no mesmo Congresso.

A equipe da Agevisa, na ministração do coordenador do SisReação, Sebastião Sena, apresentou, de 10 a 13 de setembro, no Congresso Internacional da Lepra, os dados sobre a vigilância da reações, mostrando que o monitoramento auxilia com o suporte aos atendimentos. Para contemplação na participação do Congresso, a proposta de Rondônia submeteu dois arquivos no início deste ano, um sobre os resultados dos pacientes pós-alta e outro sobre a implementação do sistema.

OLHAR DIFERENCIADO

Técnicos da Agevisa/RO e Ministério da saúde, com integrantes da mesa de apresentação oral

Segundo Sebastião, a organização do Congresso reconheceu o olhar diferenciado de Rondônia, com o uso das tecnologias para atenção aos pacientes, que também torna os dados confiáveis para estudos. “Quem faz toda a nossa articulação é o Ministério da Saúde, e o Estado do Piauí está começando a implantar o SisReação, com projeto piloto em quatro municípios, a partir de 2020, com as oficinas da vigilância da reação. Estou envolvido no apoio logístico a eles e o Ministério está orientando com técnicos para mostrar como é o manejo clínico dos casos”, acrescentou.

Considerando a vigilância da Hanseníase como um todo, Rondônia tem um centro formador de cirurgias de reabilitação no Hospital Santa Marcelina e por meio da Policlínica Oswaldo Cruz, o serviço social que intermedia oportunidades de cursos e melhoria na renda familiar com a parceria do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), para que pacientes do pós-alta participem ao receberem alta por cura. Outra inovação é a inserção de renda ao paciente, como a fabricação de biojóias e a parceria com a ONG NHR Brasil, que desde 1990 viabiliza recursos que permitem o desenvolvimento das ações com maior celeridade, voltadas ao tratamento da hanseníase.

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