Resenha política, por Robson Oliveira

É absolutamente normal que as grandes companhias que exploram nossas riquezas devolvam como contrapartida parte dos lucros amealhados com nossas riquezas naturais

Robson Oliveira
Publicada em 09 de outubro de 2019 às 10:59
Resenha política, por Robson Oliveira

RACHA

Desde o segundo turno das eleições estaduais do ano passado que a relação pessoal entre o coronel e governador Marcos Rocha (PSL) e o empresário Jaime Bagattoli, ex-candidato ao Senado Federal, não são boas. Assim que o resultado do segundo turno foi divulgado, passando para a disputa final Marcos Rocha e o tucano Expedito Junior, os dois divergiram publicamente e trocaram farpas na reunião que organizava a coordenação da campanha. Após o entrevero, Bagattoli chegou a se encontrar com o adversário do coronel, confirmou o racha, desabafou que sua candidatura foi prejudicada pelos companheiros e convocou uma coletiva no dia seguinte em Vilhena, cidade onde possui domicílio.

CHORO

Na coletiva o ex-candidato a senador pelo PSL fez declarações duras contra o coronel, avisou que estaria fora do segundo turno e que não apoiaria mais ninguém. As declarações causaram inicialmente abalo na coordenação política do coronel que o obrigou a voar a Vilhena e suplicar que Bagattoli permanecesse na campanha. Marcos Rocha chegou a publicar numa rede social o reencontro e, aos prantos, declarou irmandade com o ex-colega, afirmando que a desavença seria um ardil dos adversários supostamente para impedi-lo de vencer o pleito.

DESFILIAÇÃO

Dez meses após a posse de Marcos Rocha no cargo de governador de Rondônia, sem uma participação do grupo de Jaime Bagattoli em sua administração, o ex-senador anunciou a desfiliação do PSL e, numa carta pública, expôs mais uma vez as desavenças com o chefe do executivo. Embora rompidos, de forma elegante, Jaime conclui sua missiva desejando sucesso ao ex-aliado.

PERDA

O governo federal acaba de extinguir a possibilidade da implantação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), através do decreto 10.037. O que estranha é o silêncio da bancada federal, do governador e dos setores produtivos com o fim do sonho da ZPE. Exceto o deputado federal Mauro Nazif (PSB), nenhuma outra autoridade criticou a extinção nem tentou a prorrogação do decreto da criação. Nos oito anos de governo, nada foi feito pelo governador emedebista Confúcio Moura não cumprindo com as exigências para a implantação. O atual mandatário sequer utilizou sua relação de amizade com o presidente Bolsonaro para a prorrogação. Na campanha o coronel candidato jactava-se que resolveria os gargalos rondonienses  diretamente com o capitão presidente, haja vista a sua amizade desde a caserna.  

ANOMALIA

Não há aparentemente ilegalidade no convênio entre a Energisa e a Polícia Civil visando a reforma de órgãos públicos e ampliação de espaços. É absolutamente normal que as grandes companhias que exploram nossas riquezas devolvam como contrapartida parte dos lucros amealhados com nossas riquezas naturais. O que não é normal, ao que parece ser a crítica dos membros das Comissão Parlamentar de Inquérito, é a delegacia especializada priorizar suas ações em favor da empresa como retribuição das contrapartidas. Não está claro que tal privilégio esteja ocorrendo e a nota da Polícia Civil é explicativa. No entanto, a hipótese sendo verdadeira, a anomalia ultrapassaria o limite da legalidade.

ARDILOSO

Depois de ajudar a destruir politicamente seu companheiro de partido no MDB, Valdir Raupp, o senador Confúcio Moura assumiu a primeira vice-presidência nacional do partido, por coincidência o mesmo cargo que o ex-senador exerceu. Moura, que é implacável e predador com os desafetos, não medirá esforços para retirar da influência do ex-senador o comando regional do MDB e escalou o deputado federal Lúcio Mosquini para a missão. O deputado, não é segredo para ninguém, odeia o casal Raupp. Uma questão de tempo.

SERPENTÁRIO

As críticas tornadas públicas pelo presidente Jair Bolsonaro ao presidente do PSL, deputado federal Luciano Bivar, revelam que o partido entrou em crise antes do primeiro ano no governo. O PSL é um partido de proveta, ou seja, não tem capilaridade eleitoral nem um contingente expressivo de militantes, cresceu nas eleições passadas em função do personagem denominado “mito”, Bolsonaro. A confirmar a saída do presidente da legenda, o PSL estará fadado a perder espaço político e voltar ao anonimato nas eleições municipais. O PSL existe em função da figura de Bolsonaro, Bivar e companhia não representam nada. Nem nos colégios onde foram eleitos na onda do capitão.

QUEIMADAS

Ninguém falou nada, nem nada foi feito pelas autoridades ambientais, mas o Parque Estadual de Corumbiara queimou por vários dias consecutivos com um prejuízo sem precedentes. Distante das áreas urbanas e compondo o paradisíaco Vale do Guaporé, onde o incêndio destruiu quilômetros de floresta, as labaredas eram vistas de longe. O fogaréu minimizou nos últimos dias em razão das chuvas que caíram na região. É lamentável o descaso das autoridades com o meio ambiente.

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Comentários

  • 1
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    Wilson 09/10/2019

    1 -Convênio com entidade privada com fins lucrativos, impossível, um termo de cooperação técnica sim, uma compensação poderia. 2 - E esse Termo de Cooperação Técnica, teria que ter o aval da PGE e autorizo do mandatário estadual.

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