Soja perde liderança para carne bovina em Rondônia

Embora o resultado confirme a capacidade local de manter um saldo favorável, o forte ritmo das compras externas segue influenciando a velocidade de expansão do saldo comercial

Fonte: Fiero Rondônia - Publicada em 11 de junho de 2026 às 10:01

Soja perde liderança para carne bovina em Rondônia

O Observatório da Indústria de Rondônia, um instrumento de inteligência da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), divulga dados da balança comercial do mês de maio de 2026. O Relatório mostra que o estado registrou um superávit de US$ 133,2 milhões. Durante o mês, as exportações rondonienses somaram US$ 358,7 milhões, enquanto as importações atingiram US$ 225,5 milhões. Embora o resultado confirme a capacidade local de manter um saldo favorável, o forte ritmo das compras externas segue influenciando a velocidade de expansão do saldo comercial.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, Rondônia apresenta um desempenho sólido, com US$ 1,7 bilhão em exportações e US$ 1,3 bilhão em importações, resultando em um superávit acumulado de US$ 484,8 milhões. O avanço das importações no período acentua a dependência do setor produtivo local por insumos, equipamentos e bens manufaturados estrangeiros, puxados principalmente pela forte demanda da atividade agrícola.

A China segue ainda com sua posição como o principal parceiro comercial do estado. No acumulado de janeiro a maio, o país asiático respondeu por 46,4% de todas as importações feitas por Rondônia, totalizando US$ 581,5 milhões. Outro parceiro de destaque nas importações é a Argentina, que representa 12,4% das compras acumuladas do estado, com forte presença na entrada de produtos como leite e laticínios. Somente no mês de maio, as compras de leite e laticínios somaram US$ 26,2 milhões, posicionando-se logo atrás dos adubos e fertilizantes, que lideraram a pauta de importação mensal com US$ 29,2 milhões.  

A importação de produtos lácteos da Argentina é classificada como “importação escritural”, mecanismo previsto na Lei Estadual nº 1.473/2005. Nesse modelo, empresas com sede ou filial em Rondônia realizam a compra de produtos no exterior, mas a mercadoria não ingressa fisicamente no estado. O desembaraço aduaneiro ocorre em portos de outras regiões, como Santos, Paranaguá ou Rio Grande, enquanto o ICMS é recolhido em Rondônia.

Pelo lado das exportações, a pauta mensal de maio seguiu altamente concentrada na carne bovina, que somou US$ 181,8 milhões, e na soja, com US$ 147 milhões. Juntas, as duas commodities representaram cerca de 91% de tudo o que o estado vendeu para o exterior no mês. No acumulado do ano, a China lidera o recebimento dos produtos rondonienses com 28,5% de participação, seguida por Turquia, México, EUA e Argélia.

O diagnóstico do analista do Observatório da Indústria de Rondônia indica que, embora a alta competitividade internacional do agronegócio garanta a Rondônia a posição de 13º maior exportador do país, o modelo atual apresenta gargalos estruturais. “A extrema dependência de commodities e a necessidade crítica de fertilizantes e insumos importados expõem a economia estadual à volatilidade dos preços internacionais, barreiras sanitárias e oscilações cambiais, evidenciando o desafio de ampliar a diversificação e a agregação de valor industrial na pauta local”, disse Igo Ribeiro, gerente do Observatório.

Soja perde liderança para carne bovina em Rondônia

Embora o resultado confirme a capacidade local de manter um saldo favorável, o forte ritmo das compras externas segue influenciando a velocidade de expansão do saldo comercial

Fiero Rondônia
Publicada em 11 de junho de 2026 às 10:01
Soja perde liderança para carne bovina em Rondônia

O Observatório da Indústria de Rondônia, um instrumento de inteligência da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), divulga dados da balança comercial do mês de maio de 2026. O Relatório mostra que o estado registrou um superávit de US$ 133,2 milhões. Durante o mês, as exportações rondonienses somaram US$ 358,7 milhões, enquanto as importações atingiram US$ 225,5 milhões. Embora o resultado confirme a capacidade local de manter um saldo favorável, o forte ritmo das compras externas segue influenciando a velocidade de expansão do saldo comercial.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, Rondônia apresenta um desempenho sólido, com US$ 1,7 bilhão em exportações e US$ 1,3 bilhão em importações, resultando em um superávit acumulado de US$ 484,8 milhões. O avanço das importações no período acentua a dependência do setor produtivo local por insumos, equipamentos e bens manufaturados estrangeiros, puxados principalmente pela forte demanda da atividade agrícola.

A China segue ainda com sua posição como o principal parceiro comercial do estado. No acumulado de janeiro a maio, o país asiático respondeu por 46,4% de todas as importações feitas por Rondônia, totalizando US$ 581,5 milhões. Outro parceiro de destaque nas importações é a Argentina, que representa 12,4% das compras acumuladas do estado, com forte presença na entrada de produtos como leite e laticínios. Somente no mês de maio, as compras de leite e laticínios somaram US$ 26,2 milhões, posicionando-se logo atrás dos adubos e fertilizantes, que lideraram a pauta de importação mensal com US$ 29,2 milhões.  

A importação de produtos lácteos da Argentina é classificada como “importação escritural”, mecanismo previsto na Lei Estadual nº 1.473/2005. Nesse modelo, empresas com sede ou filial em Rondônia realizam a compra de produtos no exterior, mas a mercadoria não ingressa fisicamente no estado. O desembaraço aduaneiro ocorre em portos de outras regiões, como Santos, Paranaguá ou Rio Grande, enquanto o ICMS é recolhido em Rondônia.

Pelo lado das exportações, a pauta mensal de maio seguiu altamente concentrada na carne bovina, que somou US$ 181,8 milhões, e na soja, com US$ 147 milhões. Juntas, as duas commodities representaram cerca de 91% de tudo o que o estado vendeu para o exterior no mês. No acumulado do ano, a China lidera o recebimento dos produtos rondonienses com 28,5% de participação, seguida por Turquia, México, EUA e Argélia.

O diagnóstico do analista do Observatório da Indústria de Rondônia indica que, embora a alta competitividade internacional do agronegócio garanta a Rondônia a posição de 13º maior exportador do país, o modelo atual apresenta gargalos estruturais. “A extrema dependência de commodities e a necessidade crítica de fertilizantes e insumos importados expõem a economia estadual à volatilidade dos preços internacionais, barreiras sanitárias e oscilações cambiais, evidenciando o desafio de ampliar a diversificação e a agregação de valor industrial na pauta local”, disse Igo Ribeiro, gerente do Observatório.

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