Tratamento do governo a Alckmin gera críticas

Alckmin simboliza moderação e ponte ao centro; retirá-lo da chapa expõe erro estratégico e risco numa eleição apertada em 2026

Fonte: Mario Vitor Santos - Publicada em 12 de fevereiro de 2026 às 16:12

Tratamento do governo a Alckmin gera críticas

Nem o mais desleal dos vices merece o tratamento do governo a Alckmin (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Nunca houve um vice-presidente tão celebrado da boca para fora pela fidelidade e ao mesmo tempo tão descartável como Geraldo Alckmin.

Alguém poderia dizer que o exemplo de lealdade ao longo de Lula 3 não é suficiente para lhe garantir uma vaga na chapa presidencial para a eleição deste ano. Ocorre que a exclusão de Alckmin, além de retribuir respeito com rasteira moral, o que em si é condenável, é evidente miopia eleitoral.

Alckmin sinaliza para todo o espectro político a disposição petista de negociar e compartilhar para governar. Sua presença foi e continua a ser estratégica para atrair apoios e votos preciosos do contingente de 10% do eleitorado indefinido, "independente", de centro-direita e não petista. Um apoio que pode ser definidor numa eleição que se anuncia apertada em 2026 como foi há quatro anos.

Errou o presidente Lula ao dar impulso à disputa pelo posto de vice com a declaração de que Alckmin tem um papel a cumprir em São Paulo.

Nunca se viu um casamento, como Lula faz questão de dizer, tão perfeito, mas cuja primeira cláusula é o divórcio.

O resultado é que está aberta a temporada de escolha de um vice. De cara, já se vê que a inapetência de Haddad de concorrer ao governo ou ao Senado em São Paulo, a ponto de ameaçar abandonar na prática a carreira política, além da pressa de sair antes de todos os colegas do Ministério era, na verdade, uma forma de pressão extrema para obter a vaga de vice de Lula. Para tal, seria fundamental desalojar Alckmin, a quem o próprio Haddad se orgulha de ter trazido para a aliança com Lula em 2022. Para ganhar a vaga, o fastio de Haddad parece desaparecer. Em resposta, agora é Alckmin que ameaça encerrar a carreira e retirar-se para Pindamonhangaba. Desânimo não é bom ingrediente em qualquer campanha.

Vendo a chance ou sendo estimulado, até parcela do MDB também se apresenta ou é cogitada para a vice de Lula.

Sucede que a questão traz à tona o tema da idade de Lula. Permite especulações sobre a antecipação da sucessão do presidente ocorrer preventivamente já agora. Nessa lógica, o tempo se encurta, 2030 ocorre já em 2026.

Só que para haver um pós-Lula precisa antes haver um Lula vitorioso neste ano. E para isso, Alckmin será fundamental. Haddad, mesmo com sua imensa folha de serviços, não soma numa chapa com Lula novos contingentes de votantes. Nem sinaliza a amplitude política necessária na disputa pelo eleitor mais ao centro que será também buscado pelo bolsonarismo, em seu afã de derrotar Lula e retornar ao Palácio do Planalto.

Mario Vitor Santos

Mario Vitor Santos é jornalista. É colunista do 247 e apresentador da TV 247. Foi ombudsman da Folha e do portal iG, secretário de Redação e diretor da Sucursal de Brasilia da Folha.

Tratamento do governo a Alckmin gera críticas

Alckmin simboliza moderação e ponte ao centro; retirá-lo da chapa expõe erro estratégico e risco numa eleição apertada em 2026

Mario Vitor Santos
Publicada em 12 de fevereiro de 2026 às 16:12
Tratamento do governo a Alckmin gera críticas

Nem o mais desleal dos vices merece o tratamento do governo a Alckmin (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Nunca houve um vice-presidente tão celebrado da boca para fora pela fidelidade e ao mesmo tempo tão descartável como Geraldo Alckmin.

Alguém poderia dizer que o exemplo de lealdade ao longo de Lula 3 não é suficiente para lhe garantir uma vaga na chapa presidencial para a eleição deste ano. Ocorre que a exclusão de Alckmin, além de retribuir respeito com rasteira moral, o que em si é condenável, é evidente miopia eleitoral.

Alckmin sinaliza para todo o espectro político a disposição petista de negociar e compartilhar para governar. Sua presença foi e continua a ser estratégica para atrair apoios e votos preciosos do contingente de 10% do eleitorado indefinido, "independente", de centro-direita e não petista. Um apoio que pode ser definidor numa eleição que se anuncia apertada em 2026 como foi há quatro anos.

Errou o presidente Lula ao dar impulso à disputa pelo posto de vice com a declaração de que Alckmin tem um papel a cumprir em São Paulo.

Nunca se viu um casamento, como Lula faz questão de dizer, tão perfeito, mas cuja primeira cláusula é o divórcio.

O resultado é que está aberta a temporada de escolha de um vice. De cara, já se vê que a inapetência de Haddad de concorrer ao governo ou ao Senado em São Paulo, a ponto de ameaçar abandonar na prática a carreira política, além da pressa de sair antes de todos os colegas do Ministério era, na verdade, uma forma de pressão extrema para obter a vaga de vice de Lula. Para tal, seria fundamental desalojar Alckmin, a quem o próprio Haddad se orgulha de ter trazido para a aliança com Lula em 2022. Para ganhar a vaga, o fastio de Haddad parece desaparecer. Em resposta, agora é Alckmin que ameaça encerrar a carreira e retirar-se para Pindamonhangaba. Desânimo não é bom ingrediente em qualquer campanha.

Vendo a chance ou sendo estimulado, até parcela do MDB também se apresenta ou é cogitada para a vice de Lula.

Sucede que a questão traz à tona o tema da idade de Lula. Permite especulações sobre a antecipação da sucessão do presidente ocorrer preventivamente já agora. Nessa lógica, o tempo se encurta, 2030 ocorre já em 2026.

Só que para haver um pós-Lula precisa antes haver um Lula vitorioso neste ano. E para isso, Alckmin será fundamental. Haddad, mesmo com sua imensa folha de serviços, não soma numa chapa com Lula novos contingentes de votantes. Nem sinaliza a amplitude política necessária na disputa pelo eleitor mais ao centro que será também buscado pelo bolsonarismo, em seu afã de derrotar Lula e retornar ao Palácio do Planalto.

Mario Vitor Santos

Mario Vitor Santos é jornalista. É colunista do 247 e apresentador da TV 247. Foi ombudsman da Folha e do portal iG, secretário de Redação e diretor da Sucursal de Brasilia da Folha.

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