Turismo na fumaça

Para fazer turismo na “capital da fedentina” é necessário usar máscara no verão e botas sete léguas no inverno. As campanhas do governo do Estado, em outdoor e cartazes, para acabar com as queimadas não são lidas porque há muita fumaça. Turismo em Rondônia: estágio para o inferno.

Professor Nazareno*
Publicada em 10 de setembro de 2018 às 11:38

Porto Velho, a capital de Roraima, é o cu do mundo. Disso quase todo mundo que tem o azar de morar por aqui sabe. Claro que essa comparação não é para ofender ninguém, pois se deve respeitar essa parte do corpo humano. Sabe-se também que é a última dobra do esfíncter anal e que tem talvez a pior qualidade de vida dentre as capitais do país. E nesta época do ano, a fumaça tóxica das criminosas queimadas dão o
toque urbano característico da cidade. Estamos no início de setembro, em pleno verão nesta parte do Brasil, com temperaturas beirando os 40 graus, umidade relativa do ar muito baixa e fumaça sufocante. Visitar a cidade só se for a negócios. Turismo neste buraco quente e asfixiante nem pensar. O apelido de antessala do inferno é fácil deentender se alguém passar pelo menos uma hora andando por suas ruas quentes e sujas.

Por isso, o desfile de sete de setembro em Porto Velho é algo patético no meio de todo este ambiente infernal. Pelotões se perdem em meio à densa camada de fuligem. Pior: o Corpo de Bombeiros, ironizando a todos os presentes ali, desfila seus modernos carros de combate a incêndios florestais. Autoridades se cumprimentam e o povão aplaude a todos no meio daquele verdadeiro inferno na terra. Entra ano e sai ano e a fumaça densa atormenta os moradores. Crianças e velhos doentes lotam os poucos e despreparados hospitais públicos. Rinite alérgica, asma, bronquite, sinusite e outras doenças da estação é o que mais se observa nesta época. Uma vergonha se levarmos em consideração que aqui temos Bombeiros, SIPAM, Sivam, Sema, IBAMA dentre muitos outros órgãos responsáveis pela defesa do meio ambiente e das florestas equatoriais.

Ninguém sabe qual a época do ano é a pior por aqui. Quando terminar este suplício sufocante, vêm as chuvas torrenciais com rajadas de ventos que derrubam árvores, torres de comunicação, sinais de trânsito e provocam as já famosas alagações com lama podre entrando nas residências feitas de palafitas. As ruas sem esgotos ou saneamento básico se enchem rapidamente de água contaminada e pútrida. Os poucos bueiros são tomados por lixo, papel, plástico e garrafas pet provocando um caos urbano só visto nas piores cidades do mundo subdesenvolvido. O martírio na “capital do lixo” passa a ser movido a água. Só escapa da hecatombe quem tem a sorte de morar nos dois ou três únicos edifícios da urbe.  Para completar a bagunça, a cidade não tem mobilidade urbana nenhuma. Moto táxis, táxis compartilhados e ônibus velhos completam o caos.

Sem nenhum acanhamento, os políticos estão agora à cata de votos. Mesmo aqueles que nada fizeram pela cidade. Na maior cara de pau os miseráveis prometem mundos e fundos para os sofridos eleitores porto-velhenses. Só que quanto menos eles fizerem por Porto Velho e por Rondônia mais chances eles terão de ser eleitos. Essa rotina amaldiçoada se repete a cada ano que tem eleições. Nenhum deles promete, por
exemplo, acabar com a fumaça e o lodaçal, marcas registradas das duas únicas estações climáticas da cidade. Passam-se as eleições, sai verão, entra inverno e a rotina de sofrimento e angústias continua a nos fazer companhia. Para fazer turismo na “capital da fedentina” é necessário usar máscara no verão e botas sete léguas no inverno. As campanhas do governo do Estado, em outdoor e cartazes, para acabar com as queimadas
não são lidas porque há muita fumaça. Turismo em Rondônia: estágio para o inferno.

*É Professor em Porto Velho.

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Comentários

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    Ana Luiza 10/09/2018

    Logo no início da notícia já apresenta um erro geográfico vergonhoso:Porto Velho não capital de Roraima. Morei em Rondônia quase 30 anos e nunca me acostumei com a fumaça. Em Ji-Paraná, nessa época de Setembro e outubro , não dá pra ver o outro lado da rua por causa da fumaça. É insuportável. Os políticos daí não se preocupam com isso. A população sofre, não é ouvida e esses cartazes já verificaram que os poderosos não se importam mesmo! As queimadas estão matando o meio ambiente e isso é ano após ano e nada de efetivo é feito. Gostei da reportagem, ela é verdadeira, mas a linguagem foi grotesca e poderia ter sido escrita de uma maneira mais nobre. Usar palavrões foi detestável. Rondônia precisa de socorro e de gente que realmente se importe com o ar respirado aí.

  • 2
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    Vando Fernandes 10/09/2018

    Sou nascido em Porto Velho, mas após algumas viagens por outros estado, pude descobrir o quanto moramos em uma cidade horrorosa, atrasada, suja e fedorenta. Não adianta falar para os críticos irem embora, temos que lutar por uma cidade melhor, nas próximas eleições temos uma grande oportunidade de ajudar a nossa cidade. Professor Nazareno sua visão da cidade é a minha visão.

  • 3
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    Everaldo 10/09/2018

    Nao cospe no prato que come, caos todos os estado do brasil tem e nenhum politico darás jeito.

  • 4
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    WESLEY G. MARTINS 10/09/2018

    NUNCA FALE DO LUGAR QUE TE DÁ O SUSTENTO, MARINGÁ, COM TODA SUA FORMOSURA E TEMPERATURA AGRADÁVEL, TAMBÉM TEM SEUS PROBLEMAS! ESSE É NOSSO PAÍS, UM LOCAL COMPENSA A FRAGILIDADE DO OUTRO E RONDÔNIA É UMA TERRA ABENÇOADA. LUGAR QUE RICOS E POBRES TEM O QUE COLOCAR NA MESA, TERRA DE GENTE BOA, ESTADO NOVO E QUE TEM MUITO AINDA A APRESENTAR.

  • 5
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    Paulo HeHenrique mrique 10/09/2018

    Q absurdo. Vcs sao tudo ingratos. Vao embara daqi farao um favor p cidade q acolheu vcs dr bracos abertos. Xô

  • 6
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    Fabio 10/09/2018

    Porto Velho, a capital de Roraima?

  • 7
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    eu 10/09/2018

    Dizem que lugar bom é onde você ganha seu dinheiro , eu estou pedindo a Deus me aposentar, se ele deixarem, para desaparecer daqui e nunca mais voltar. Quero morar em "Maringa", no Paraná: cidade agradabilíssima, sempre fresca com temperatura em torno dos 26 graus, ai..ai..

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