Vem do núcleo político familiar a maior pressão para que Confúcio Moura dispute as eleições de outubro

As irmãs Cida e Cláudia Moura são as principais entusiastas da renúncia.

Robson Oliveira
Publicada em 13 de março de 2018 às 14:39

CONFISSÃO – Desde que se tornaram públicos os desentendimentos entre o governador Confúcio Moura (MDB) e o seu vice Daniel Pereira (PSB), surpreendendo o mundo político estadual, o vice concedeu várias entrevistas radiofônicas onde teceu loas e criticou o governador. Foi um misto de bate e assopra com sabor de pedido de reconciliação. Nestas entrevistas, a exemplo de uma dada ao programa Maurício Calixto, na rádio Rondônia, sexta-feira passada (9), Daniel Pereira reconheceu que sem a estrutura governamental não tem cacife para manter a pré-candidatura a governador. Trocando em miúdos: sem usar a máquina estatal – o que é legalmente discutível - seu futuro político está fadado ao fracasso já que é servidor público e não amealhou recursos nos anos de labuta para torrar numa campanha. Foi, em síntese, o que confessou.

LOROTA – Quem conhece os bastidores da política (calha) rondoniense e não espera mimo do vice numa eventual ascensão à titularidade, sabe que o desentendimento entre o governador e o vice não tem nenhuma conexão com o diálogo gravado sorrateiramente entre os dois deputados boquirrotos, Maurão de Carvalho e Jesuíno Boabaid, numa suposta trama para evitar que o vice assuma o governo. Usaram a gravação como cortina de fumaça para evitar que o rondoniense enxergasse que a relação entre governador e vice andava estremecida em função de fatos aparentemente inconfessáveis. A gravação em si não teve o condão de azedar as relações entre eles (Moura e Pereira), embora o conteúdo seja reprovável. Tudo lorota!

DISSIMULADO – O silêncio de Confúcio Moura em relação à renúncia para concorrer a uma vaga ao Senado Federal passou a ocupar o maior espaço do noticiário político, visto que saindo do governo viabiliza em tese a candidatura do vice à reeleição. A verdade é que Confúcio sempre quis ser candidato a senador e utiliza da dissimulação como estratégia para ganhar tempo e avaliar com exatidão as probabilidades. Não estava no script do governador anunciar a pré-candidatura precocemente para criar esse clima de dúvidas, mas os cardeias do MDB precipitaram o anúncio visando evitar a desfiliação de Confúcio do partido. As tratativas de Confúcio Moura com o DEMOS, o PDT e PCdoB eram monitoradas por todos. Os democratas contavam como certa a filiação do governador. Com o PCdoB houve uma conversa em Brasília com Valter Sorrentino e em Porto Velho com a senadora Vanessa Graziotin sobre a filiação, ambos do Comitê Central comunista.

NATA – Há uma precipitação em afirmar que na hipótese de Confúcio Moura se lançar candidato ao Senado uma das vagas é sua. Cada campanha é uma campanha com as suas circunstâncias e sempre há no meio o imponderável. As convenções são em julho e até lá muita água (podre) vai passar por debaixo dessa ponte... Não existe vaga nata e a cada eleição o eleitor rondoniense tem aprontado surpresas.

EPÍLOGO – Vem do núcleo político familiar a maior pressão para que Confúcio Moura dispute as eleições de outubro. As irmãs Cida e Cláudia Moura são as principais entusiastas da renúncia. Cláudia – esposa do polêmico Assis – ensaia uma pré-candidatura a deputada federal e sinalizou ingressar no PCdoB. É possível que seja apenas um ensaio, mas o irmão governador tende a ceder às pressões e se jogar na disputa eleitoral. Sem a máquina governamental a sua disposição e com o vice também candidato, Moura vai ter que botar a mão no bolso para garantir o favoritismo. Esta é uma reprise de um filme surrado para quem cobre as campanhas eleitorais de Rondônia.

ENIGMÁTICO - Na primeira oportunidade que o governador aceitou falar publicamente sobre o vice após o desentendimento foi enigmático: "Daniel é o vice que todo governador sonha". Em se tratando de Confúcio a frase pode ser um sarcasmo ou um elogio. Na dúvida é bom o vice rezar para que o governador durma em paz! 

PATUSCADA – Quem sepultou qualquer chance de empinar uma eventual candidatura a governador foi o presidente da Assembleia Legislativa na alopragem do grampo com os diálogos que foram tornados públicos. Maurão saiu chamuscado desse episódio e não soube explicar a encrenca quando tornada pública. A ingenuidade que demonstrou nos diálogos confirma a desconfiança do mundo político de que lhe falta condições objetivas para governar o estado. A patuscada deixou o MDB numa sinuca de bico.

FORA – Embora os democratas sonhem em lançar candidatos a governador na maioria dos estados, o sonho rondoniense em lançar o deputado federal Marcos Rogério não passará da vontade de sonhar maior do que a imaginação alcança. Em contato com a coluna, Marcos Rogério descartou a possibilidade de disputar o Governo de Rondônia. O parlamentar é candidato a candidato à reeleição.

DEFINIÇÃO – Quem anda longe dos holofotes é o ex-senador Expedito Junior (PSDB) que optou por avaliar melhor o quadro longe das polêmicas para definir os destinos eleitorais. Jr anunciará o cargo que disputará somente depois que acabar o prazo das filiações (janela aberta pela Justiça Eleitoral) que é sete de abril. Até esta data, segundo informou a este cabeça-chata, qualquer informação sobre o seu futuro político é mera conjectura. No entanto, a possibilidade de ficar fora do pleito é zero.

GOLPE – As regras que estabeleceram o financiamento das campanhas de 2018 parece que foram instituídas para favorecer os atuais mandatários. Passou despercebido que as amarras legislativas postas são obstáculos a quem não dispõe das estruturas partidárias para financiar a campanha. Quem sonha com uma assepsia mais ampla nas casas legislativas vai se decepcionar com os resultados das urnas. Num país acostumado com golpe os resultados das anomalias são sentidos tempos depois.

ATENTO – O Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia está atento às manifestações dos pré-candidatos que tentam driblar a legislação eleitoral com campanhas antecipadas. Quem insistir em cometer este erro tende a ficar inelegível. O uso desregrado da máquina também não será tolerado, especialmente para quem anuncia sub-repticiamente a intenção de usá-la desavergonhadamente.

GREVE – O mais cômico – para não dizer irritante – em relação ao movimento paredista dos trabalhadores em educação do estado é perceber que autoridades governamentais reconhecem que os salários estão defasados e não fazem nenhum esforço para melhorá-los. A justificativa do equilíbrio orçamentário para não conceder aumento à categoria é fraca já que a área possui limites constitucionais que podem ser remanejados em favor do aumento salarial. Todos dizem que a greve é justa, mas vão à justiça para impedir a paralisação. Em período eleitoral o discurso é sempre politicamente correto, o problema é a prática...

RETORNO – Depois de quinze meses aperfeiçoando o curriculum acadêmico na Itália no curso de doutoramento, retorna à capital o respeitado advogado Diego de Paiva Vasconcelos. Foram meses de estudos e publicações em periódicos nacionais e internacionais. A coluna dá boas-vindas ao mestre e amigo. Eis aí um ítalo-rondoniense da melhor cepa.  

PÉRIPLO - Quem retorna também esta semana de um périplo às terras de Tio Sam é o confrade Gessi Taborda. Todos os dias o confrade nos alimentava com as belezas americanas que despertam em muita gente curiosidade. Curiosidade que este cabeça-chata ainda não foi atraído por preferir os encantos do velho mundo.

LOLAPALLOZA - Já o jornalista Rubens Coutinho (editor do tudorondonia) faz a ponte aérea Porto velho/São Paulo para desfrutar com a filha - minha afilhada - de mais uma edição do festival internacional LOLAPALLOZA, com o melhor do rock in roll mundial. Aos que ficam na terrinha sugiro apreciar uma boa música no 'Buraco do candiru', do amigo Danin. 

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