VENHO FALAR DE DESAMOR
Sim, a gente precisa se desamar um pouco, eu preciso, você precisa,todo mundo precisa
Todo dia, pela manhã, tomo dois
golinhos de desamor próprio,
frio e sem açúcar, que é pra amargar
mesmo;
Mas é bom, sabia? Baixar um pouco
a bola, ficar feliz não por se sentir
a última bolacha no pacote,
por apenas estar no pacote,
Tanta bolacha por aí, despacotada…
A gente anda muito carente, sabia?
De amor, de se sentir amado e tal,
coisa que os “fast loves” não resolvem
Ao mesmo tempo, a gente anda
tonto de só orbitar o próprio umbigo,
é tudo eu, eu, eu… A pergunta
e a resposta pra tudo.
“Eu preciso de amor, mas ninguém
pode me amar como eu me amo”
“Preciso me proteger, mas ninguém
pode me machucar como eu me
machuco”
“Eu encaro o meu maior inimigo
no espelho”
Os outros não servem mais nem
pra ser o inferno, num mundo onde
cada parte se acha maior que o todo.
A geração que não quer esperar
nada de ninguém, espera tudo
de si (só de si)
“Só eu me amo, porque só eu
me jogaria na bala por mim”
A gente tá se amando muito,
vivendo em lua de mel com a gente
mesmo,
A gente tá muito iludido!
Exatamente por isso, venho aqui,
nesse poema, dizer que a gente
precisa se desamar um pouco.
Não importa o que o Instagram diga,
há sim, desses momentos,
em que a gente precisa se desamar
um pouco, nem que seja um pouco;
Sim, a gente precisa se desamar
um pouco, eu preciso, você precisa,
todo mundo precisa
Igual o Narciso precisava.
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