O Planalto é minha meta

Rondônia e Acre, por exemplo, seriam extintos ou então devolvidos para os bolivianos.

Professor Nazareno*
Publicada em 25 de setembro de 2017 às 17:55

Com a atual crise política que o Brasil está vivendo, muitas pessoas se acham no direito de se candidatar à Presidência da República nas eleições de 2018. Eu também quero participar desse jogo. Quero ser presidente do Brasil pelos próximos quatro anos. Como estou me aposentando tenho tempo de sobra para consertar o que foi destruído por mais de quinhentos anos de péssimas administrações. Com um PIB que o coloca entre as dez maiores potências econômicas da atualidade, o nosso país é muito rico e se destaca mundialmente na produção de commodities. Segundo maior produtor de alimentos, o Brasil é o celeiro do mundo. Só neste ano de 2017 são mais de 230 milhões de toneladas de grãos. Isso sem falar na produção de carne, frangos, peixes e frutas. O problema é que esta riqueza não chega à mesa dos mais de 207 milhões de habitantes.

Como presidente da nação vou transformar o nosso IDH. Temos uma qualidade de vida ínfima se comparada à riqueza que produzimos.  Nos meus quatro anos à frente do Palácio do Planalto eu não vou resolver de imediato os problemas da nação, mas iniciarei um combate austero às desigualdades sociais e à injustiça. Lançarei as bases para que se tenha nos próximos anos uma qualidade de vida pelo menos compatível com a nossa pujança econômica. E o segredo para se conseguir isso é fazer investimentos em educação de qualidade. Dessa maneira, basta trabalhar com as crianças abaixo dos sete anos. Com oito anos um indivíduo já não serve mais para apostas no futuro. Ele já se benze, tem religião e está contaminado, portanto, pela ambição e pelo preconceito. Aos nove anos já mente e aos dez, troca bala com a polícia.

 Eleito em 2018, a partir do ano seguinte todas as crianças do país, até os sete anos, devem ser matriculadas em escolas de tempo integral, particulares ou públicas, ter os melhores professores e um currículo escolar voltado ao conhecimento e às novas descobertas além da obrigatoriedade de praticar esportes. E todo dia esses alunos serão incentivados a produzir um texto escrito em Língua Portuguesa. Em 2020 todo este procedimento será refeito com os novos alunos e assim sucessivamente até o ano de 2029, quando estes primeiros estudantes estarão concluindo o Ensino Médio e se preparando para entrar na universidade. Essas ações darão certo, pois todos os países desenvolvidos e civilizados do mundo mudaram suas sociedades apostando na educação de qualidade. Por que aqui seria diferente? Laboratórios e aulas de todos os saberes.  

No meu governo os professores serão avaliados todos os anos. Os mais aptos e que conseguirem os melhores resultados serão sempre recompensados. Na política, todos os corruptos serão punidos na forma da lei. Importaremos a legislação de países mais adiantados e reformularemos o Congresso Nacional, o Executivo e o Judiciário. Na economia, o lucro será permitido, mas terá limites. Exportar alimentos só depois que não houver mais fome no território nacional. Haverá incentivos para todas as áreas da cultura e da arte. Nada de devastar o meio ambiente e os Estados teriam que dar lucro. Rondônia e Acre, por exemplo, seriam extintos ou então devolvidos para os bolivianos. A mídia teria total liberdade e a família, de qualquer tipo e formação, seria a base da nova sociedade. Drogas, liberadas na sua totalidade. O Estado continuaria laico e todos seriam incentivados a não seguir nenhuma religião. Problema: se eu for eleito, caio fora.

*É Professor em Porto Velho.

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Comentários

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    marcelo douglas 26/09/2017

    Professor nazareno, ao ler seu texto dei muitas gargalhadas, ri muito pois a maioria que o critica são hipócritas. Adorei a critica ácida e de humor negro. Parabéns.

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    Telma Rodrigues 26/09/2017

    Sr. João Batista ! Vou lhe dizer o que o Professor Nazareno fez e faz pelo Brasil. Há 37 anos ele é professor de Língua Portuguesa em Porto Velho e Calama, e já educou milhares de jovens que hoje comunicam-se melhor na Língua Pátria. Não falta ao trabalho, leciona com alegria, competência e entusiasmo, apesar do baixo salário pago aos professores. Os textos controvertidos e instigantes que produz e divulga, são, na verdade, uma forma crítica e ácida de fazer as pessoas ler o texto, pensar e criticar. Se ele apresentasse textos comportadinhos, insossos e engajados no comodismo reinante, ninguém leria, ninguém criticaria. Também acho que ele exagera nas críticas. Mas, Sr. João, creia que todos os textos também são lidos em sala de aula e criticados pelos alunos do Professor Nazareno. Eles leem, criticam e...aprendem. Tornam-se melhores redatores e têm mais chances de apresentar uma excelente Redação no Vestibular e/ou na prova do ENEM.

  • 3
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    João Batista 26/09/2017

    Esse professor Nazareno fala de tudo e de todos. Não está satisfeito com nada. Gostaria de saber o que ele faz para resolver os problemas do país e do estado. Reclamar e nada resolver, não adianta. Faça alguma coisa ou tente pelo menos. Tchau

  • 4
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    Tiago 26/09/2017

    Mudou minha vida! Vai morar no exterior, ou em outra cidade brasileira, não vai fazer falta alguma para Porto Velho.

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