O problema da saúde não reside na falta de recursos, mas de gestão

A ausência de uma gestão eficaz compromete toda a estrutura da rede pública de saúde, já insuficiente para atender a demanda, principalmente num momento delicado como esse que atravessamos

Valdemir Caldas
Publicada em 21 de maio de 2020 às 11:00
O problema da saúde não reside na falta de recursos, mas de gestão

Não é preciso ser especialista no assunto para saber que o problema da saúde não reside na falta de recursos financeiros, mas de gestão eficiente. Dinheiro há. E a pandemia do novo coronavirus deixou isso evidente, mas o setor sofre com ausência de gerência. E o governador Marcos Rocha sabia disso, antes mesmo de chegar ao comando do Estado de Rondônia, como também conhece o nível de insatisfação da população usuária com esse segmento.

A ausência de uma gestão eficaz compromete toda a estrutura da rede pública de saúde, já insuficiente para atender a demanda, principalmente num momento delicado como esse que atravessamos, quando a população se vê assustada com uma pandemia que já enlutou dezenas de lares em Rondônia, afetando diretamente o destino das pessoas, colocando como ameaça a vida de muitos, que entram na loteria do atendimento médico.

Não há dúvida nessa exposição, pois ela repete o que há muito vem sendo denunciado, envolvendo várias administrações estaduais. Não se diga, contudo, que o problema começou agora. Pelo contrário, vem de longe. A grande expectativa era de que o governador Marcos Rocha conseguisse mudar a face deformada do setor, já que tinha conhecimento dos problemas que cercam o sistema de saúde, aplicando um choque de gestão, o que até agora não aconteceu.

Enquanto isso, o setor vem acumulando uma série de erros, que vão de desvios de conduta, passando pela adoção de modelos inadequados. O estouro do sistema foi alimentando e é a população quem está sendo duramente castigada, principalmente os segmentos mais carentes, que não podem pagar um plano de saúde privado.

As propostas do governador para a saúde, antes de assumir o comando do Estado, precisam ser traduzidas em gestos concretos e, nesse caso, na firme disposição de criar uma base funcional e eficiente para o setor. O governador acerta quando assume que há problemas, mas erra quando não adota as medidas necessárias para melhorar o gerenciamento do sistema. As cenas, frequentemente mostradas nas mídias sociais, expõem o quanto é critico o quadro atual da saúde, tanto em nível estadual, quanto no âmbito municipal.

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