Vacinação sem dia nem hora

O ministro da Saúde do país, o general Eduardo Pazuello, afirmou em recente entrevista que será no dia “D” e na Hora “H”. Ou seja, aqui não há data prevista para que comecemos a nos livrar deste maldito vírus

Professor Nazareno*
Publicada em 13 de janeiro de 2021 às 08:33

Mais de 60 países no mundo já iniciaram a vacinação de seus cidadãos contra a Covid-19. Na América Latina pelo menos cinco países já deram a largada: Argentina, Chile, México, Costa Rica e Porto Rico. Em toda a União Europeia, nos Estados Unidos, apesar do Donald Trump, no Canadá, Nova Zelândia, China, dentre outros, a preocupação com a pandemia já acendeu a primeira luz no fim do túnel. No Brasil, infelizmente ainda não há data nem hora para começar o fim do martírio de nossos cidadãos. O ministro da Saúde do país, o general Eduardo Pazuello, afirmou em recente entrevista que será no dia “D” e na Hora “H”. Ou seja, aqui não há data prevista para que comecemos a nos livrar deste maldito vírus. Enquanto isso, o governo de São Paulo diz que deve iniciar próximo dia 25 a vacinação em massa de todos os seus cidadãos.

Por incrível que pareça, Pazuello é um general do Exército brasileiro e se diz um especialista em logística. Deve ter sido por isso que assumiu a pasta da Saúde no meio dessa feroz pandemia causada pelo Coronavírus. Só que sua pífia atuação à frente do Ministério tem criado dias de pânico e incertezas para toda a população do país, ansiosa para ter qualquer vacina o quanto antes. Não houve nenhuma logística na sua desastrada e incompetente gestão. Até os insumos para a aplicação de uma vacina ainda não existem. Seringas, agulhas, pessoal para aplicar as doses, nada. Absolutamente nada foi preparado para enfrentar o que qualquer pessoa sem nenhuma formação em “logística” teria previsto. Há notícias de que a Pfizer teria vendido ainda em julho pelo menos 90 milhões de doses para ser entregues em dezembro do ano passado. O Brasil não quis.

Além de negacionista da pandemia e crítico feroz da ciência, o “capitão-presidente” parece fazer de tudo para que ninguém no país seja vacinado tão cedo. E como o “general-ministro” obedece cegamente às ordens do chefe, muitas vidas ainda serão ceifadas. Até agora são mais de 204 mil mortos e oito milhões de infectados. Mil mortos todo dia pela pandemia. Cada segundo, cada minuto, cada dia sem vacina significa mais brasileiros mortos. Mais famílias destroçadas. Mais dor. Mais sofrimento. E tudo por culpa do governo federal que não providenciou ações para o enfrentamento do problema. E pensar que a ex-presidente Dilma Rousseff foi escorraçada do poder por que fez pedalada fiscal. Além do escárnio, do pouco caso e da falta de respeito com os mortos, Bolsonaro e seu ministro deviam ser responsabilizados pelo aumento de óbitos.

O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo e por isso todos os cidadãos daqui têm direito à vacina grátis. Mas por irresponsabilidade, por incompetência, por má vontade mesmo dos governantes, o antídoto não vai dar para todo mundo. A correria entre a vida e a morte será inevitável. Dessa forma, algumas castas mais privilegiadas já estão se movimentando para chegar primeiro à imunização. Se o Brasil tivesse começado a vacinar em dezembro passado, e houve oportunidades para isso, certamente em meados de março ou abril próximos, o vírus já diminuiria bastante entre nós. A Anvisa tem que  agir rápido e liberar urgentemente as vacinas que já estão sendo aplicadas no mundo desenvolvido. Ironia: a mesma Anvisa liberou os agrotóxicos que o mundo inteiro proíbe. Então não devia proibir as vacinas que o mundo libera. Fato: o país está sendo castigado duas vezes: pelo Bolsonaro e pelo vírus.

*Foi Professor em Porto Velho.

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