Velha direita é atraída pelo bolsonarismo rebaixado

“Flávio Bolsonaro se consolida como o único nome que pode enfrentar Lula”, escreve Moisés Mendes

Fonte: Moisés Mendes - Publicada em 12 de fevereiro de 2026 às 16:21

Velha direita é atraída pelo bolsonarismo rebaixado

Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil | Lula Marques/Agência Brasil)

A direita das antigas está de novo diante de uma escolha difícil. É furado o projeto que Gilberto Kassab leva adiante como gesto desesperado da direita, na tentativa de evitar a sobrevida do bolsonarismo e o quarto mandato de Lula. Os três porquinhos não funcionaram.

Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite são fracos, como mostram as pesquisas. O nome para enfrentar Lula é Flávio Bolsonaro. A velha direita está mais uma vez perdendo a guerra, como perde desde a eleição de Lula em 2002.

Flávio é o candidato. O eleitor anti-Lula não confia em mais ninguém que não seja da raiz do bolsonarismo, com certificado e alvará do seu criador. As últimas pesquisas Quaest e Folha encerraram a conversa.

Flávio se firmou como nome da direita, desde que Tarcísio de Freitas foi alijado da disputa por decisão de Bolsonaro. Só um desastre ou a aparição milagrosa de um candidato até agora inexistente tiram o filho do duelo com Lula em outubro.

Esse é o cenário para Globo, Folha e Estadão, que terão de entrar no entusiasmo de parte da Faria Lima ou sucumbir como perdedores. O reduto que ainda chamam de mercado financeiro, mas que são agrupamentos de segundo time, de semibanqueiros, donos e executivos de fintechs, já se entregou.

Os informes sobre vários eventos com altos boys do setor mostram acolhimento efusivo a Flávio, que disse o seguinte, sempre interrompido por aplausos, em encontro com o pessoal da casa e convidados do BTG, como se ensaiasse um stand-up de baixa qualidade:

"Lula é como Opala, velhão, já foi bonito, mas hoje não te leva a lugar nenhum e ainda bebe para caramba. (...) Ou é o caminho da prosperidade, que vamos propor, ou o caminho das trevas. (...) Vamos ganhar a eleição com o cérebro, não com o fígado. (...) Se tem uma coisa que vou ser radical é a segurança pública”.

Os informes revelam que o mercado se dobra, dando gargalhadas com as tiradas inteligentes de Flávio. Mas os jornalões, que tentam absorver e transmitir os sonhos, os medos e os anseios das elites e da classe média anti-Lula, aplaudiriam Flávio com o mesmo fervor? Claro que não.

A cachorrada que se atira para qualquer osso não converge para os mesmos interesses que as corporações de mídia tentavam e ainda tentam representar.

Essa Faria Lima da Série B, que toma hibisco com Flávio, pode ter hoje mais conexões com os interesses do PCC do que com a ambição da Globo de continuar falando pela velha direita que se dizia liberal e foi comida pela extrema direita.

É um retrato quase acabado. Flávio dará racionalidade ao bolsonarismo. É o mais sensato, o que tem mais relações com o poder econômico, o que não vai defender cloroquina nem pegar criança no colo fazendo arminha. Por isso é o mais perigoso.

Se não for comido, Flávio come a Globo e tudo o que a Globo acha que ainda representa, e sem lambuzar a cara com sangue. Flávio come onde oferecem guardanapo de pano. Esse é o novo bolsonarismo, posto diante da direita antiga vampirizada pelo fascismo a partir de 2018.

É Flávio ou é Lula. Engolem o sapo ungido por Bolsonaro e ficam submissos ao fasciliberalismo com um Paulo Guedes mais impositivo e radicalizado, ou aceitam que Lula pode ser um sapo menos barbudo e mais palatável.

A velha direita queria Tarcísio e está de novo sob o comando do bolsonarismo, agora um bolsonarismo de negócios que fala diretamente com o BTG e pretende falar de igual para igual com o Bradesco, sob a liderança de Flávio.

As últimas pesquisas são devastadoras para os jornalões, que não conseguem mais desfrutar da ilusão de que forjam seus candidatos. Não há mais candidato inventado pelo poder da mídia desde Fernando Collor.

O novo roteiro da prosperidade bolsonarista tem mais clareza e mais apelo anti-Lula do que a encenação com o enredo confuso dos três porquinhos do PSD de Kassab.

Flávio é o sapo piloto do novo Chevetão rebaixado da extrema direita, com bancos de couro e volante fake de Ferrari. A direita metida a bacana que vacilar e embarcar atrasada sentará no colo de quem chegou primeiro.

Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.

Velha direita é atraída pelo bolsonarismo rebaixado

“Flávio Bolsonaro se consolida como o único nome que pode enfrentar Lula”, escreve Moisés Mendes

Moisés Mendes
Publicada em 12 de fevereiro de 2026 às 16:21
Velha direita é atraída pelo bolsonarismo rebaixado

Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil | Lula Marques/Agência Brasil)

A direita das antigas está de novo diante de uma escolha difícil. É furado o projeto que Gilberto Kassab leva adiante como gesto desesperado da direita, na tentativa de evitar a sobrevida do bolsonarismo e o quarto mandato de Lula. Os três porquinhos não funcionaram.

Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite são fracos, como mostram as pesquisas. O nome para enfrentar Lula é Flávio Bolsonaro. A velha direita está mais uma vez perdendo a guerra, como perde desde a eleição de Lula em 2002.

Flávio é o candidato. O eleitor anti-Lula não confia em mais ninguém que não seja da raiz do bolsonarismo, com certificado e alvará do seu criador. As últimas pesquisas Quaest e Folha encerraram a conversa.

Flávio se firmou como nome da direita, desde que Tarcísio de Freitas foi alijado da disputa por decisão de Bolsonaro. Só um desastre ou a aparição milagrosa de um candidato até agora inexistente tiram o filho do duelo com Lula em outubro.

Esse é o cenário para Globo, Folha e Estadão, que terão de entrar no entusiasmo de parte da Faria Lima ou sucumbir como perdedores. O reduto que ainda chamam de mercado financeiro, mas que são agrupamentos de segundo time, de semibanqueiros, donos e executivos de fintechs, já se entregou.

Os informes sobre vários eventos com altos boys do setor mostram acolhimento efusivo a Flávio, que disse o seguinte, sempre interrompido por aplausos, em encontro com o pessoal da casa e convidados do BTG, como se ensaiasse um stand-up de baixa qualidade:

"Lula é como Opala, velhão, já foi bonito, mas hoje não te leva a lugar nenhum e ainda bebe para caramba. (...) Ou é o caminho da prosperidade, que vamos propor, ou o caminho das trevas. (...) Vamos ganhar a eleição com o cérebro, não com o fígado. (...) Se tem uma coisa que vou ser radical é a segurança pública”.

Os informes revelam que o mercado se dobra, dando gargalhadas com as tiradas inteligentes de Flávio. Mas os jornalões, que tentam absorver e transmitir os sonhos, os medos e os anseios das elites e da classe média anti-Lula, aplaudiriam Flávio com o mesmo fervor? Claro que não.

A cachorrada que se atira para qualquer osso não converge para os mesmos interesses que as corporações de mídia tentavam e ainda tentam representar.

Essa Faria Lima da Série B, que toma hibisco com Flávio, pode ter hoje mais conexões com os interesses do PCC do que com a ambição da Globo de continuar falando pela velha direita que se dizia liberal e foi comida pela extrema direita.

É um retrato quase acabado. Flávio dará racionalidade ao bolsonarismo. É o mais sensato, o que tem mais relações com o poder econômico, o que não vai defender cloroquina nem pegar criança no colo fazendo arminha. Por isso é o mais perigoso.

Se não for comido, Flávio come a Globo e tudo o que a Globo acha que ainda representa, e sem lambuzar a cara com sangue. Flávio come onde oferecem guardanapo de pano. Esse é o novo bolsonarismo, posto diante da direita antiga vampirizada pelo fascismo a partir de 2018.

É Flávio ou é Lula. Engolem o sapo ungido por Bolsonaro e ficam submissos ao fasciliberalismo com um Paulo Guedes mais impositivo e radicalizado, ou aceitam que Lula pode ser um sapo menos barbudo e mais palatável.

A velha direita queria Tarcísio e está de novo sob o comando do bolsonarismo, agora um bolsonarismo de negócios que fala diretamente com o BTG e pretende falar de igual para igual com o Bradesco, sob a liderança de Flávio.

As últimas pesquisas são devastadoras para os jornalões, que não conseguem mais desfrutar da ilusão de que forjam seus candidatos. Não há mais candidato inventado pelo poder da mídia desde Fernando Collor.

O novo roteiro da prosperidade bolsonarista tem mais clareza e mais apelo anti-Lula do que a encenação com o enredo confuso dos três porquinhos do PSD de Kassab.

Flávio é o sapo piloto do novo Chevetão rebaixado da extrema direita, com bancos de couro e volante fake de Ferrari. A direita metida a bacana que vacilar e embarcar atrasada sentará no colo de quem chegou primeiro.

Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.

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