A volta de Bolsonaro e a miséria do bolsonarismo

"Há quem diga que a volta dele mudará o ambiente político. Lorota. Bolsonaro será como o leão envelhecido, que ruge sem morder", resume Tereza Cruvinel

Tereza Cruvinel
Publicada em 30 de março de 2023 às 11:21

www.brasil247.com - Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Jair Bolsonaro desembarca amanhã em Brasília, depois do descanso de três meses nos Estados Unidos, com custos para o erário, que bancou a permanência dos assessores a que tem direito, afora o voo da FAB que o levou. A chegada também terá custos, com a mobilização de um grande aparato de segurança no aeroporto e ao longo do deslocamento que pretende fazer com apoiadores em carro aberto.

Quem tem medo de Bolsonaro? Há quem diga que a volta dele ao país, para comandar a oposição de extrema-direita, mudará ambiente político para o governo Lula. Lorota. Fora do poder, aonde chegou pelas artes da Lava Jato, da polarização movida a ódio e da demonização da política, Bolsonaro será como o leão envelhecido, que ruge muito sem morder.  Ainda mais se for declarado inelegível pelo TSE, o que deve acontecer em maio. A liderança política não costuma andar com políticos sem perspectivas eleitorais.

Tivemos um exemplo do que pode ser a oposição bolsonarista na sessão desta terça-feira na Comissão de Constituiição e Justiça da Câmara, a que compareceu o ministro da Justiça, Flávio Dino, para prestar esclarecimentos sobre um rosário de questões.

Os bolsonaristas planejaram um show de combatividade que levaria o ministro a nocaute. O que vimos foi Dino fazendo picadinho deles, explicitando que são balofos, despreparados, mal intencionados e até mesmo infantis. Foram tratados com a condescendência do professor para com alunos arrogantes e ignorantes, desprovidos de argumentos para a contestação.

Combinando saber jurídico com experiência política, bom humor e paciência, Dino desmistificou a oposição bolsonaristas e ensinou a seus colegas de governo como lidar com eles. Foi de fato um show, mas do ministro. Quem quiser se divertir procure o video da TV Câmara no Youtube.

O que buscavam não eram explicações sobre ações da pasta e muito menos um debate sério sobre questões relevantes da área de Justiça e Segurança. O que buscaram, e não conseguiram, eram imagens de um ministro acuado ou ridicularizado em vídeos que usariam nas redes sociais, terreno em que sabem combater. O Parlamento é outra coisa mas, para enfrentá-los, o governo deve adotar o método Dino.

Combinando saber jurídico com experiência política, bom humor e paciência, Dino desmistificou a oposição bolsonaristas e ensinou a seus colegas de governo como lidar com eles. Foi de fato um show, mas do ministro. Quem quiser se divertir procure o video da TV Câmara no Youtube.

O que buscavam não eram explicações sobre ações da pasta e muito menos um debate sério sobre questões relevantes da área de Justiça e Segurança. O que buscaram, e não conseguiram, eram imagens de um ministro acuado ou ridicularizado em vídeos que usariam nas redes sociais, terreno em que sabem combater. O Parlamento é outra coisa mas, para enfrentá-los, o governo deve adotar o método Dino.

Outras refregas virão, com outros ministros. A CCJ tem maioria governista e é presidida pelo petista Rui Falcão. Já a Comissão de Fiscalização e Controle tem como presidente a bolsonarista Bia Kicis e a maioria do governo é nominal. A ordem ali é manter o fogo algo sobre os ministros de Lula.

Bolsonaro, que passou quase 30 anos no baixo clero da Câmara, não é muito diferentes de seus aliados que deram vexame na CCJ, como o estreante Nikolas Ferreira, que saiu da sessão com um apelido humilhante. Ou André Fernandes (PL-CE), que caiu na asneira de acusar Dino de responder a 277 processos judiciais, com base no site Jusbrasil, que compila citações de pessoas em ações. Reclamaram do "deboche" de Dino, que o colocou "no continente mental de quem acha que a terra é plana". Merecido. Um deputado não pode falar o que vem à boca, deve abri-la com o mínimo de responsabilidade e informação.

Então, não é com Bolsonaro que o governo deve se preocupar, e sim com aliados como o presidente da Câmara, Arthur Lira, que paralisou a agenda legislativa na disputa com o Senado sobre o rito das MPs, buscando o controle sobre a tramitação delas para ampliar seu poder de barganha.

Tereza Cruvinel

Colunista/comentarista do Brasil247, fundadora e ex-presidente da EBC/TV Brasil, ex-colunista de O Globo, JB, Correio Braziliense, RedeTV e outros veículos.

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Comentários

  • 1
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    franco da rocga 31/03/2023

    toma vergonha na tua cara seu jornalistazinho comunista faz o L echora

  • 2
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    Francisco 31/03/2023

    A IMPRENSA continua suja

  • 3
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    Heitor Francisco 31/03/2023

    Jair Bolsonaro, agora de volta ao Brasil, em breve retornará à insignificância política da qual foi retirado por políticos de direita, há uns 5 anos. Acho que nem as milícias cariocas aceitarão seu retorno à bandidagem barata. Tanto é que está se escondendo em Brasília. Talvez alguns canais de tv prossigam falando nele por algum tempo, achando que isso dará audiência. Hoje é o Lira, da Câmara Federal, o capo da rica bandidagem nacional. E de pensar que ainda tem idiota chamando essa figura ridícula de mito.

  • 4
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    sebastian 31/03/2023

    Não tenho do Bolsonaro, mas sim da quadrilha que atualmente está no comando do país.

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    Falei 30/03/2023

    Choro é livre!

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